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Polêmica

Victoria's Secret promete 'novo olhar' para 2019

Marca de lingerie terá novos dirigentes e deve trabalhar para modificar sua visão sobre 'imagem da mulher', que tem sido alvo de críticas

Por: AFP

Publicado em: 09/12/2018 10:51 | Atualizado em: 06/12/2018 12:10

A grife deve se debruçar sobre suas estratégias de marketing, posicionamento e identidade. Foto: Getty Images/Divulgação

A marca de lingerie Victoria's Secret será assumida por um diretor da loja de moda nova-iorquina Tory Burch, na esperança de recuperá-la e de terminar com uma polêmica sobre sua visão da mulher, alvo de fortes críticas. No começo de 2019, John Mehas, atual presidente de Tory Burch, sucederá a Jan Singer, cuja renúncia foi anunciada na semana passada, informou o grupo L Brands, proprietário da Victoria's Secret.

“Nossa prioridade número um é melhorar os resultados da Victoria's Secret”, declarou Leslie Wexner, CEO da L Brands, em comunicado. “Nossos novos dirigentes chegam com um novo olhar e vão observar tudo - nosso marketing, a localização da marca, os talentos, a carteira imobiliária e a estrutura de custo, e o mais importante, nosso sortimento”, acrescentou. Essa mudança de direção coincide com a publicação de maus resultados para o grupo L Brands: o terceiro trimestre de 2018 apresentou uma perda líquida de 42,8 milhões de dólares contra um lucro líquido de 86 milhões no mesmo período de 2017, enquanto a Victoria's Secret teve um novo declínio de vendas de 2%.

Também ocorre em um momento em que a marca foi abalada por uma polêmica sobre a escolha de modelos para seu emblemático desfile anual recentemente organizado em Nova York e lançado no último dia 2 de dezembro em todo o mundo. A controvérsia é parte de uma entrevista realizada na semana passada pela Vogue com o diretor de marketing da Victoria's Secret, Ed Razek, que descartou completamente a possibilidade de integrar transgêneros ou mulheres plus size ao desfile. Razek também criticou novas companhias de moda como Savage X Fenty de Rihanna, e a ThirdLove, por sua posição de destacar mulheres de todos os tipos. Suas declarações provocaram uma onda de críticas nas redes sociais, e o empresário teve de se retratar.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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