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Pernambucanos apostam em capacitação para abrir ou modernizar o próprio negócio

Cursos ofertados pelo programa Pernambuco no Batente promove aprendizados profissionais e pessoais e estimula espírito empreendedor no estado

Publicado: 09/01/2018 às 16:30

/Rafael Martins/Estúdio DP

/Rafael Martins/Estúdio DP


 

Um salão de beleza no bairro da Imbiribeira, no Recife, carrega uma história de mudança de vida possibilitada por uma oportunidade de formação profissional. Doralice Percílio, 36, após 20 anos como manicure, conseguiu abrir seu próprio empreendimento. “Fiz um curso de Beleza e Estética pela primeira vez em 2016 e abri meu salão pouco depois de terminar. Esse ano refiz o mesmo curso, mas com um destaque em maquiagem e penteados”, explica. O ensino foi promovido pelo programa Pernambuco no Batente, que oferece cursos de formação pessoal e profissional, com objetivo de promover uma inclusão socioprodutiva para beneficiários do Bolsa Família.
 
“Eu soube por uma amiga da igreja que ia ter esse curso, então fui logo saber e me inscrevi. Foi pouco mais de 3 meses, de segunda a sexta-feira e valeu a pena. Tudo mudou para melhor”, afirma. Ela teve suas aulas no Centro Social Urbano da Vila da Imbiribeira, localizado na comunidade da Ilha de Deus. Além da capital, por meio de parcerias com os municípios, o programa chega a abranger 51 cidades, oferecendo capacitações que variam de acordo com a demanda local. Entre elas, há iniciativas voltadas para a área têxtil, agroindustrial, pecuária, leiteira, reciclagem de resíduos sólidos, agricultura familiar, aquicultura e pesca, pesca marítima, gesso e bordado industrial.
 
Na unidade da Imbiribeira, são ofertados cursos nas áreas de administração e recepção, beleza e estética, gastronomia, serigrafia, refrigeração e climatização, mecânica e elétrica. “Eu hoje ainda estou maravilhada. Não teria condição de fazer um curso desse, então a oportunidade me permitiu mudar de vida com o aprendizado”, afirma Doralice. Ela diz ter 10 clientes fixos em seu pequeno salão, que conseguiu por ter ido além da atividade de manicure, aprendendo também a trabalhar com maquiagem e cabelos. “As aulas começavam às 18h30 e iam até 21h30. Valia a pena, tanto é que me formei e no outro ano já estava fazendo pela segunda vez”, conta.
 
Luciano José, 39, marido de Doralice, é testemunha de como a oportunidade de estudar a ajudou no âmbito profissional e pessoal. “Abriu muito a cabeça dela. Ela viu como é melhor trabalhar para si mesma e ter o empreendimento próprio”, afirma. Ele também fez parte do Pernambuco no Batente, com um curso de refrigeração, que hoje ajuda o gráfico a tirar um dinheiro extra com pequenos serviços aos fins de semana. “Eu fui mais por curiosidade, mas acabou me ajudando bastante, é sempre bom ter conhecimento de coisas novas”, conta.
 
Outras quase 10 mil pessoas já fizeram parte do Pernambuco no Batente. Socorro Araújo, secretária-executiva de assistência social da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, destaca que as iniciativas do projeto não se limitam à profissionalização, mas englobam uma formação cidadã e social. “Nós temos um módulo em todos os cursos que aborda uma compreensão maior de mundo, falando sobre fatores como economia coletiva, cooperativismo, empreendedorismo e geração de renda”, explica. Segundo ela, há sempre uma consulta à comunidade para se escolher quais cursos são mais necessários. Após a realização dos cursos, aponta a secretária, há sempre pedidos de continuidade dos cursos, além das excelentes taxas de frequência e evasão mínima.
 
“O que as pessoas em situação de pobreza querem é uma oportunidade que dê algum retorno em um tempo mais imediato possível”, diz Socorro. Doralice concorda e afirma que “o aprendizado mudou tudo e foi pra melhor”. Planos de mudança de vida, assim como os da manicure, têm sido recorrentes no estado. A diferença está entre aqueles que têm oportunidades em tirar esses planejamentos do papel e aqueles que não têm, mas é certo que a oferta de uma chance de aprendizado é um dos caminhos mais eficientes de amenizar essa diferença.
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