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Notícia de Economia

INFLAÇÃO

No Recife, cesta básica para uma pessoa compromete quase metade de um salário mínimo

Publicado em: 08/09/2021 14:43

Na capital pernambucana, é preciso gastar, em média, R$ 491,46 para adquirir os doze itens que compõem a cesta básica
 (Tânia Rego/Agência Brasil)
Na capital pernambucana, é preciso gastar, em média, R$ 491,46 para adquirir os doze itens que compõem a cesta básica (Tânia Rego/Agência Brasil)
A disparada no preço dos alimentos segue assustando os brasileiros que precisam colocar comida no prato diariamente. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), no mês de agosto, o custo da cesta básica aumentou em 13 das 17 capitais do país em que o levantamento foi realizado. No Recife, a variação acumulada nos últimos 12 meses é de 11,90%, índice que supera a inflação registrada no mesmo período, 9,43%. 

Na capital pernambucana, quem recebe um salário mínimo por mês precisa gastar, em média, R$ 491,46 para adquirir os doze itens que compõem a cesta básica. Isso significa que, apenas para se alimentar, o trabalhador precisa comprometer 48,30% da renda. 

Segundo o DIEESE, em agosto deste ano, o item que mais sofreu com a inflação no Recife foi o açúcar, que subiu 5,01%. Em seguida, aparecem o tomate e o arroz, com alta de 4,96% e 3,21%, respectivamente. No último mês, apenas dois produtos registraram uma variação negativa no preço: feijão (-2,20%) e carne (-0,37%). 

Apesar da ligeira redução em agosto, a carne é um dos itens da cesta básica que mais sofreu com a alta de preço nos últimos doze meses. De acordo com o DIEESE, o aumento foi de 31,15% no Recife. O óleo de soja, açúcar e arroz aparecem no topo da lista, com alta de 81,97%, 45% e 43,71%, respectivamente.

Dona de casa, Suzana Almeida, 62, conta que, com o aumento dos preços, precisou diminuir o volume de compras no supermercado. "É um absurdo. Eu não consigo comprar nada direito porque está tudo caro. Levo o dinheiro pensando uma coisa e não dá pra o que eu queria”, afirmou. 

Sem conseguir driblar a inflação, a alternativa foi cortar alguns itens da lista. “O que eu mais deixei de comprar foi carne. Se eu pedia 3 kgs antigamente, agora só levo a metade. A charque, por exemplo, subiu muito. Toda vez que vou comprar o atendente explica que todos os preços estão subindo, então parei de trazer algumas coisas”, completou. 

BRASIL
No país, a cesta básica mais cara é a de Porto Alegre (R$ 664,67), seguida pelas de Florianópolis (R$ 659,00), São Paulo (R$ 650,50) e Rio de Janeiro (R$ 634,18). Enquanto os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 456,40) e Salvador (R$ 485,44).

A pesquisa também indicou que o tempo médio de trabalho necessário para adquirir os produtos da cesta, em agosto, ficou em 113 horas e 49 minutos. Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), é possível notar que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em agosto, 55,93% (média entre as 17 capitais) do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.

Com base na cesta mais cara, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.583,90, o que corresponde a 5,08 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. 
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