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Notícia de Economia

CONSTRUÇÃO

Retorno da construção civil não teve totalidade do efetivo permitido

Publicado em: 11/06/2020 07:00 | Atualizado em: 11/06/2020 09:02

Polo gesseiro do Araripe chegou a demitir 40% dos funcionários (Foto: Sindugesso / Divulgação)
Polo gesseiro do Araripe chegou a demitir 40% dos funcionários (Foto: Sindugesso / Divulgação)
Diante da determinação do governo estadual quanto ao retorno do setor da construção civil com redução de 50% da força de trabalho, representantes do segmento relatam dois cenários distintos entre as construtoras. É fato que a maior parte mergulhou na retomada. Alguns, entretanto, optaram por esperar a autorização dos 100% do efetivo, marcada para o dia 22 de junho. Na prática, o setor contabiliza 60 mil postos de trabalho. Destes, 20 mil não chegaram a parar por atuarem em obras essenciais. Dos 40 mil restantes, 20 mil poderiam retornar desde a última segunda, já que a regra só permite 50% do efetivo. O quantitativo da volta, entretanto, ficou em torno dos 15 mil. Ademi-PE e Sinduscon-PE estimam que o setor deixou de gerar uma circulação da ordem de R$ 6 bilhões no estado.

Segundo o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Gildo Vilaça, a decisão dos empresários baseou-se muito no tipo e fase de obra que cada construtora tinha em seu planejamento. “Algumas delas só podem ser executadas com a equipe completa. Na minha obra atual como empresário, por exemplo, tenho sete funcionários e ainda vou começar a etapa da fundação. Com três pessoas, não é possível fazer isto. Além disso, muitos trabalhadores ainda estão com suspensão dos contratos, vigente até o início da próxima semana. Sem contar que a escolha sobre quem retorna ou não é delicada visto tratar-se de uma remuneração vinculada à produtividade”, explica.

O presidente do Sinduscon-PE, Érico Furtado Filho, contesta a volta de apenas 50% do efetivo, alegando baixo índice de contaminação dos colaboradores do setor observado na maioria dos estados brasileiros onde o setor não passou por suspensão. “Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias – Abrainc, mostra que do total de 55 mil trabalhadores presentes nos canteiros pesquisados, apenas 1,15% foi contagiado durante o isolamento. Destes, 0,01% dos trabalhadores – 08 de 55 mil, em números absolutos, foram a óbito”, analisa. Ademi-PE e Sinduscon-PE estimam que o setor deixou de gerar uma circulação da ordem de R$ 6 bilhões no estado. As duas entidades comemoraram, entretanto, a volta dos canteiros com a reconquista do horário tradicional, de 7h às 17h, e não mais das 9h às 18h, como o poder público havia anunciado na semana anterior.

A maioria das construtoras retornou com 50% do seu efetivo, conforme autorizado pelo governo do estado, mas com uma série de modificações referentes a alimentação, higienização, turnos e utilização de EPIs. A construtora Rio Ave retornou com metade do seu time, o que significa 70 pessoas nas obras e 18 no escritório.

De acordo com Álvaro Ferreira da Costa, sócio da empresa, as práticas contemplam ainda a entrega de borrifadores, tanto para o trabalho quanto para a ida e volta à residência. “No escritório, também foi incentivada uma campanha de carona solidária para garantir a redução do uso de transportes públicos, além de flexibilização para evitar os horários de pico”, explica. Nas obras da construtora, foram instaladas novas pias de acionamento com os pés, além de mudanças nos locais das refeições, com delimitação de espaço e sinalizações. As áreas comuns de maior convívio e algumas estações de trabalho foram interditadas. Mesmo com a retomada, as reuniões envolvendo mais de três pessoas continuarão a ser feitas via teleconferência. A empresa oferece, ainda, a aplicação de testes rápidos para a identificação da Covid-19.

A MRV também voltou com a totalidade dos 50% permitidos do seu efetivo. Na íntegra, a empresa possui 900 funcionários diretos e aproximadamente 2,7 mil indiretos. O grupo possui, atualmente, oito empreendimentos em obras localizadas em Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Recife e Caruaru. O diretor de produção da MRV em Pernambuco, Mauricio Raso, afirma que os funcionários têm a temperatura corporal aferida com aparelho digital, eliminando contato físico. “Ainda utilizam máscaras, têm entrada e saída fracionada para evitar aglomeração nas áreas de ponto eletrônico e vestiárioa, além de usarem copos descartáveis”, relata. Lá, também, as reuniões serão realizadas em ambientes abertos e com distanciamento. As visitações de grupos de estudantes nos ambientes estão suspensas.

Outra construtora, a Moura Dubeux, também retornou com 50% do seu efetivo, mas com algumas restrições como demarcações para o distanciamento, entrada dos funcionários em número de cinco em cinco. Todos também precisam lavar as mãos e aferir temperatura. No horário das 7h às 17h, são fornecidas quatro máscaras por dia, a cada um. No local, também acontecem dois turnos por refeições, oferecidas em marmitas.

Polo gesseiro demitiu 40% dos funcionários

No início de abril, com a suspensão das obras em Pernambuco, o polo gesseiro do Araripe sofreu um grande impacto com o recuo das vendas em até 80%. Dois meses depois, e mesmo com o retorno gradual da construção civil, o percentual permanece igual. Além disso, as demissões atingiram 40% dos trabalhadores do setor, tendo em vista o fato de que muitas fábricas tiveram que reduzir sua produção e outras paralisaram as suas atividades. Há, entretanto, expectativa de melhoria, ainda tímida, a partir do mês de julho.

A presidente do Sindugesso Araripe, Ceissa Costa, conta que as empresas estão operando, atualmente, com 35% da sua capacidade de produção, em média. “No momento, temos que aguardar como será a demanda pelos produtos de gesso para então termos uma projeção melhor da recuperação. O período de 2020 ainda é bastante incerto”, avalia. Ela relembra, ainda, o fato de que este é um setor com respostas mais lentas. “Mesmo quando a construção voltar integralmente, o gesso é a última etapa, a fase de acabamentos”, acrescenta.

Sobre as estratégias para minimizar os efeitos da crise neste retorno, Ceissa acredita que o isolamento dos consumidores e a limitação de funcionamento das empresas levou o mercado a procurar canais de atendimento e vendas utilizando a internet. “Mesmo setores tradicionais como a construção civil e o varejo buscaram estratégias para usar o digital para minimizar as perdas e ganhar fôlego para passar a crise.  Então vimos que esse é o momento para Polo de Gesso do Araripe entre no digital de forma profissional”, afirma.

Para isso, o sindicato desenvolveu o projeto GESSO 5.0 - vendas e marketing digital, que une empresas do cluster do gesso para oferecer o material certificado de qualidade para o mercado nacional usando canais digitais. Serão utilizadas redes sociais, site, aplicativos, atendimento on-line 24x7 e outras estratégias digitais. Instituições como o SEBRAE e FIEPE, além de aproximadamente 20 empresas, já sinalizaram apoio ao projeto.

O diretor regional da Fiepe, Francisco Alves, confirma as tímidas expectativas de melhoria. “A notícia boa é que não houve redução além do que estávamos há dois meses atrás, mas ainda não houve resposta que pudéssemos caminhar rumo aos 50 ou 70% de redução nas vendas. A produção não foi embargada, mas o comprador parou de consumir. Então, como produzir se demanda não acontece”, afirma. Ele acredita, entretanto, que a pandemia deixou uma lição, para além dos estragos, para os empresários. “De olhar com atenção para a musculatura da sua empresa, fazer planejamentos com cautela e controle, rever seus fluxos de caixa, manter os pés no chão. Isto porque ao final mercado terá fome de consumo como há muito tempo não tem acontecido”, opina.

Ele reforça, ainda, a necessidade de haver mais praticidade na concessão de créditos aos empresários. “Os valores destinados pelo governo às micro e pequenas empresas não têm chegado às mãos deles, pois as exigências são brutais. É necessário este estreitamento das relações do governo com setor produtivo para desenvolvermos hábitos melhores que nos façam competir em nível igualitário”, finaliza.

- As fábricas de calcinação, produtos pré-moldados e mineração geram de 10 a 15 mil empregos diretos e 30 mil indiretos.

- A região que compreende as cidades de Araripina, Trindade, Ipubi, Ouricuri e Bodocó respondem por 95% destes produtos consumidos no Brasil.

- Quantitativo das empresas do setor:

22 mineradoras de gipsita

160 calcinadoras de gesso

Mais de 300 fábricas de pré-moldados de gesso.
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