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Notícia de Economia

EMPREGO

Pandemia dificultou acesso de 28,6 milhões ao mercado de trabalho em maio

Publicado em: 16/06/2020 19:12

 (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Por falta de vagas ou por receito de contrair o novo coronavirus, 28,6 milhões de pessoas ficaram foram do mercado de trabalho, em maio. No período, 3,6 milhões com sintomas de gripe procuraram rede de saúde pública e foi registrado um aumento de 94 mil para 127 mil no número de internações hospitalares. Os dados são os primeiros resultados da Pnad Covid19, uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com apoio do Ministério da Saúde, para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho e para quantificar as pessoas com sintomas associados à síndrome gripal.

O levantamento destaca que cerca de 17,7 milhões de pessoas não procuraram emprego na última semana de maio por causa da pandemia ou falta de oportunidade onde vivem. Outros 10,9 milhões de desempregados e buscaram uma ocupação, mas não encontraram. Unidos, os dois grupos chegam à marca de 28,6 milhões de pessoas fora do mercado em maio, quando 84,4 milhões estavam ocupados no país, embora 169,9 milhões estivessem em idade para trabalhar. Isso significa que menos da metade (49,7%) estava trabalhando no mês passado.

A Pnad mostrou, ainda, que o país tinha 29,1 milhões de trabalhadores informais, em maio. Esse contingente caiu ao longo do mês. Na primeira semana, a taxa de informalidade foi de 35,7%. Na quarta, recuou para 34,5%, com menos 870 mil postos de trabalho informais. De acordo com Cimar Azeredo, diretor adjunto de Pesquisas do IBGE, essa redução não deve ser comemorada. “A informalidade funciona como um colchão amortecedor para as pessoas que vão para a desocupação ou para a subutilização. O trabalho informal seria uma forma de resgate do emprego, portanto não podemos dizer que essa queda é positiva”, afirma.

Azeredo assinala que é necessário aguardar os próximos resultados para avaliar com mais precisão o impacto da pandemia nesse grupo. A pesquisa também avaliou que. entre as 74,6 milhões de pessoas que estavam fora da força de trabalho (não trabalha nem procura emprego) na última semana de março, 23,7% gostariam de trabalhar, mas não foram em busca por falta de oportunidade no local onde vivem.

Dos 84,4 milhões ocupados, na última semana do mês, 14,6 milhões (17,2% do total) estavam temporariamente afastados por causa do isolamento social. “Da primeira para a quarta semana de maio, o número de trabalhadores afastados caiu em aproximadamente 2 milhões e 8,8  (13,%) milhões estavam em trabalho remoto na última semana de maio. Na primeira semana, esse número era de 8,6 milhões de trabalhadores em regime de home office ou teletrabalho”, reforça a Pnad/Covid-19.

3,6 milhões com sintomas de gripe narede de saúde
A Pnad Covid19 mostra também que na quarta semana de maio, 3,6 milhões de pessoas com sintomas de gripe procuraram atendimento médico em unidades da rede pública e privada de saúde no país. Mais de 80% desses atendimentos foram na rede pública de saúde. Desse total, 1,1 milhão foram a hospitais e 127 mil foram internadas. No entanto, 22,1 milhões relataram ao menos um dos 12 sintomas comuns a diversas gripes e que podem ocorrer na Covid-19.

“Entre os 3,6 milhões que procuraram atendimento, podendo ter buscado mais de um tipo, 43,6% foram ao Posto de saúde, Unidade Básica de Saúde (USB) ou Equipe de Saúde da Família; 23,4% a pronto socorro do Sistema Único da Família ou Unidade (SUS) de Pronto Atendimento (UPA) e 17,3% a hospital do SUS. Na rede privada, a procura foi de 9,4% em ambulatório ou consultório privado; 12,8% em hospital privado e; 3,6% em pronto socorro privado. A pesquisa verificou que ao longo do mês de maio houve um aumento de 94 mil para 127 mil no número de internações hospitalares”, relata o IBGE.

Isolamento
Entre a primeira e quarta semana de maio, caiu de 26,8 milhões para 22,1 milhões o número de pessoas que relataram sinais de gripe. Segundo a coordenadora de Trabalho e Rendimento, Maria Lucia Vieira, é possível que esse recuo seja efeito do distanciamento social. “As medidas de isolamento fizeram com que pessoas acabem não se infectando, porque estão em suas casas. Por exemplo, quem tem filhos sabe que eles pegam gripe na creche e na escola, o que não ocorre com a suspensão das atividades”, explicou Maria Lucia.

A Pnad Covid19 mostrou, também, que 83,5% das pessoas com sintomas gripais não procuraram nenhum atendimento ou estabelecimento de saúde. Entre as 18,4 milhões de pessoas que, apesar de terem tido algum sintoma, não procuraram estabelecimentos de saúde, na semana de 24 a 30 de maio, 82,4% disseram ter ficado em casa; 58,6% tomaram remédio por conta própria; 13,3% tomaram remédio por orientação médica; 4,8% ligaram para algum profissional de saúde e; 2,4% receberam visita de algum profissional de saúde do SUS.

Pnad Covid19
O IBGE informou que as entrevistas começaram no dia 4 maio, e estão sendo feitas, exclusivamente, por telefone, devido ao distanciamento social. Pouco mais de dois mil agentes do Instituto estão ligando para 193,6 mil domicílios distribuídos em 3.364 municípios de todos os estados do país. Para definir a amostra da nova pesquisa, o IBGE utilizou a base de 211 mil domicílios que participaram da Pnad Contínua no primeiro trimestre de 2019 e selecionou aqueles com número de telefone cadastrado.

Os dados divulgados correspondem às quatro semanas de maio. A partir da próxima divulgação, os indicadores agregados serão divulgados toda a semana. Na última semana do mês, com os dados mensais consolidados, o IBGE vai apresentar dados por grandes regiões e unidades da federação, idade e sexo, entre outros indicadores mais detalhados de afastamento do trabalho e trabalho remoto. A coleta está prevista para acontecer até um mês após o fim das medidas de distanciamento social.
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