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Notícia de Economia

ALIMENTAÇÃO

O retorno dos bares, restaurantes e lanchonetes

Publicado em: 19/06/2020 07:00

Enquanto a reabertura não chega, donos de estabelecimentos preparam-se atacando os protocolos vigentes e criando suas próprias medidas de segurança. (Foto: Wagner Ramos)
Enquanto a reabertura não chega, donos de estabelecimentos preparam-se atacando os protocolos vigentes e criando suas próprias medidas de segurança. (Foto: Wagner Ramos)
Durante coletiva de imprensa no último dia 17 de junho, o governo do estado anunciou a antecipação em uma etapa, da sétima para a sexta, do funcionamento de bares, restaurantes e lanchonetes com 50% da sua capacidade. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel – PE), o adiantamento foi do dia 13 para a semana anterior: 6 de julho. Representantes do segmento pleiteiam junto ao governo, entretanto, que o cronograma sofra nova alteração, para o dia 29 de junho. A administração estadual, por sua vez, esclarece que não há data prevista para as próximas etapas. Enquanto a reabertura não chega, donos de estabelecimentos preparam-se atacando os protocolos vigentes e criando suas próprias medidas de segurança. Outros optaram por não abrir, mesmo com o aval do governo.

O presidente da Abrasel, André Luiz Araújo, conta que a associação chegou a enviar um ofício para o governo solicitando a abertura em conjunto com os shoppings, no próximo dia 22. “Estamos sem fluxo de caixa, reservas, crédito bancário. Muitos não conseguirão reabrir por falta de capital e por não terem capacidade de refazer seus estoques. Afinal, perdemos tudo. Por isso, este pedido feito em função de os índices na saúde terem melhorado, com queda acentuada na contaminação, número de óbitos diários e na oferta de leitos pra UTI”, afirma. Ele credita a solicitação, também, ao possível aumento do desemprego. “O delivery é insuficiente para cobrir os custos das empresas”, complementa.

A solicitação da Abrasel é endossada pelo Movimento Pró-Pernambuco. Em nota assinada por Paulo Carneiro (representante do Movimento) em parceria com André Araújo, o grupo pede que o governo considere alguns fatores como a necessidade de alimentação para os trabalhadores que voltaram à ativa e o fato de o setor ser formado, em sua grande maioria, por micro e pequenas empresas. “Os empresários que cerrarem suas portas agora dificilmente terão a mesma facilidade para reabrir outra atividade e a sobrevivência de muitas pessoas estará em jogo com o retardamento da retomada”, textualmente no documento.

Os protocolos ajustados, até então, consistem basicamente no distanciamento de 2 metros entre as mesas, de 1,5m entre as cadeiras, na utilização da capacidade de 50% do estabelecimento, uso do álcool em gel, mascaras, sanitização e limpeza permanente da área de sala, mesa, balcão, portas e maçanetas. Deverá haver, ainda, distanciamento nas filas para pagamento ou controle de acesso e marcações nos pisos. Os banheiros terão ciclo de assepsia menor, possivelmente a cada duas horas. A Abrasel enviou o documento para as Secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Turismo. De lá, segue para o Comitê de Saúde, formado pela Apevisa e Vigilância Sanitária, retornando, finalmente, para a Associação. 

Os protocolos de alguns e o não retorno de outros

Gigante dos fast-foods, a McDonald’s tem planos para o retorno. Um deles é o lançamento de uma campanha para reforçar segurança nos restaurantes, relembrando a importância dos cuidados com higiene e do distanciamento social. Além disso, todos os funcionários já passaram a atender com luvas e máscaras nas interações de entrega no balcão, drive-thru e quiosques. Os pedidos também estão sendo entregues já em embalagens para viagem. No interior dos restaurantes, o chão recebeu a aplicação de adesivos de segurança, formando linhas que delimitam o distanciamento social. Nos caixas e áreas de retirada, foram implantadas barreiras de acrílico para reduzir o contato. As máquinas de cartão passaram a ser higienizadas após cada uso e os restaurantes estão sugerindo formas de pagamento à distância. 

Proprietário da Cia do Chopp, em Boa Viagem, Tony Souza também diz já estar preparado para a volta que, segundo ele, acontecerá com o fortalecimento do delivery. “Antes, era algo quase inexpressivo. Agora, temos gerência específica para isto. O que tínhamos planejado de atualização tecnológica e novas frentes de venda online para o próximo ano, aconteceu em dois meses”, afirma.  Além dos protocolos definidos pela Abrasel, o empresário conta que já adotou medidas como fardamentos novos para os colaboradores, readequação de layout de salão e de recebimento de mercadorias. “Estamos pintando a casa, trocamos cortinas e instalamos exaustores para melhorar circulação de ar. Tudo dentro do possível, visto a situação não tem permitido que as empresas consigam ser superavitárias ou mesmo paguem seus custos”, Ele acredita que ainda deva ser mais necessária a reserva de mesas. “Como haverá limitação da capacidade, é interessante controlar esse fluxo”, analisa. 

O chef Thiago das Chagas, à frente do Retetéu Comida Honesta, na Encruzilhada, tomou uma atitude que vai de encontro a da maioria dos empresários do setor: não reabrirá as portas. Nesta semana, ele passou a atuar com delivery, hábito que não cultivava antes da pandemia. A volta de metade dos 40 funcionários – o restante precisou ser demitido – aconteceu de forma controlada e com a adoção de novas funções. “O garçom virou motoqueiro, os gerentes são atendentes. Adaptamos da forma que conseguimos”, relata.  Mesmo sentindo-se, portanto, diretamente afetado com a crise, Thiago mantém-se contrário à reabertura até a finalização total dos casos de morte pela Covid-19. “Por nós e nossos clientes, não nos sentimos confortáveis. Não é o momento. Precisamos pagar funcionários, nos manter, mas as vidas que se perdem, não voltam. Enquanto morrerem ainda que seja 30 ou 50 pessoas, não voltaremos. Além disso, a energia do restaurante é de mais aproximação e diálogo com os clientes. Então, a volta, agora, não é condizente com nossa proposta”, finaliza.

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