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Notícia de Economia

Pandemia

Empresas aproveitam as oportunidades que a crise traz

Publicado em: 27/06/2020 11:48 | Atualizado em: 28/06/2020 09:28

Jefferson Oliveira arriscou lançar novo produto e dobrou o faturamento neste período. (Foto: Praxe Cosméticos/Divulgação)
Jefferson Oliveira arriscou lançar novo produto e dobrou o faturamento neste período. (Foto: Praxe Cosméticos/Divulgação)


São muitos os aspectos negativos que a economia enfrenta durante uma crise. E são eles os mais perceptíveis também. Durante a pandemia do coronavírus, os setores econômicos estão sofrendo os impactos negativos causados, principalmente, pelas medidas restritivas para manter o isolamento social e evitar a disseminação do coronavírus. Muitas empresas tiveram uma grande redução no faturamento e perderam fôlego para manter os negócios. Como consequência direta há um aumento no desemprego e instabilidade na economia. Mas é na crise também que despontam oportunidades e quem consegue enxergá-las e apostar na inovação e reinvenção pode seguir no caminho inverso, de investimento e crescimento. 

Jefferson Oliveira começou com a Praxe Cosméticos há dois anos e, antes da pandemia, trabalhava com vendas porta a porta e também nas redes sociais, em menor escala. Estava prestes a lançar um novo produto em março quando foi decretado o isolamento social. O impacto inicial não paralisou o empreendedor. "Fiquei com muito medo no começo, minha única intençaõ era manter a empresa viva até passar a pandemia. Mas eu tinha participado de muitos treinamentos no Sebrae e decidi intensificar a minha presença digital", diz. O número de seguidores se multiplicou, em mais de seis vezes, e as vendas também. "Entendi que as pessoas estavam mais em casa, nas redes sociais e tinha menos gente divulgando seus produtosporque gente corta o setor de Marketing no meio de uma crise, mas é nele que mais se deve investir nesse momento. Comecei a postar mais, tudo com estratégia", acrescenta. 

O processo de transformação digital foi acelerado por conta da pandemia e as redes sociais se tornaram canais de vendas importantes. "Quem acelerou esse processo de transformação digital vai se beneficiar muito. De repente as pessoas se familiarizaram com novas formas de comunicação e as empresas também usaram os canais online para vender. Era uma coisa que já estava em curso e agora está se consolidando para ser a grande força do futuro, é uma coisa positiva da crise", ressalta Jorge Jatobá, economista e sócio da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento. 

Mas não é o único recurso. A criatividade também pode ser aliada de quem não se paralisou com o medo da crise. Passado o susto inicial, Jefferson Oliveira decidiu lançar seu novo produto no mercado, que se tornou o mais vendido do seu catálogo. "Eu perguntava o que as pessoas queriam de produto e eles respondiam muito pedindo botox. Na pandemia, tive dúvida e medo se deveria lançar, mas eu precisava manter minha empresa e foi como se ela tivesse impulsionado ainda mais. O meu produto oferecia resultado de salão de beleza em casa, então vendemos muito porque os salões estavam fechados. Solucionamos um problema dos nossos clientes", diz. 

Com apenas 24 anos e ensino médio completo, Jefferson Oliveira viu que não existia limite para a sua Praxe Cosméticos. O faturamento dobrou durante a pandemia, atingindo pico diário de seis vezes mais do que antes do atual momento. "Eu faço serviço de delivery, envio para outros estados, algo que as pessoas também precisavam agora", diz. O escritório e o estoque de produtos já não cabiam mais em casa, principalmente porque também é ponto de retirada, e o empreendedor aproveitou mais uma oportunidade gerada pela crise. "Precisava de um novo espaço e consegui alugar um lugar com preço mais baixo em Piedade por causa do momento. Faz uma semana e nem energia temos ainda, mas estamos usando a internet do celular para continuar o trabalho", explica. 

Em um momento que muitas empresas estão demitindo, Jefferson aumentou sua equipe e ainda contribuiu com a renda familiar. "Eu tinha meu irmão como funcionário fixo antes da pandemia. e meus pais e irmão prestavam serviço só quando eu precisava. Agora contratei a minha namorada. A minha empresa ajuda minha empresa como um todo", comemora.

Kaline Alcantara usou recursos próprios e antecipou abertura de filial da loja. (Foto: Luiz Fabiano/Divulgação)
Kaline Alcantara usou recursos próprios e antecipou abertura de filial da loja. (Foto: Luiz Fabiano/Divulgação)


Investimentos mantidos mesmo durante a pandemia

O cenário deixou as finanças de muitas empresas no limite, com a necessidade de continuar pagando as contas e folhas salariais mesmo quando as atividades estiveram paralisadas, por quase três meses em Pernambuco. Nem todos os empresários tiveram acesso crédito, dificultando ainda mais os caixas. Mas as oportunidades existem para quem tem capacidade de fazer algum investimento, mesmo com o cenário econômico adverso. E não apenas para os serviços considerados essenciais, que não tiveram as atividades suspensas durante o isolamento social.

Jorge Jatobá ressalta que toda crise gera oportunidade. "É importante que a pessoa se renove e inove para se beneficar dela. No setor essencial não é novidade, farmácias e supermercados continuaram vendendo, mesmo que não tanto quanto com a normalidade. Mas as empresas com dificuldades têm a oportunidade de se reinserir no mercado, precisam usar a criatividade. Facilita ainda quem tem uma boa ideia e recurso poupado para investir porque há uma dificuldade de obter crédito. Se for depender de crédito, fica mais difícil de investir", afirma o sócio da Ceplan. 

Foi o caso da empresária Kaline Alcantara, proprietária da Bitsy. Os planos para abrir uma filial na Zona Norte da sua loja especializada em sapatos infantis, que já conta com uma unidade no Shopping Recife, estavam previstos para 2021 e foram antecipados. A loja foi inaugurada no Parnamirim assim que o governo do estado liberou a reabertura do comércio e a expectativa é atingir inicialmente cerca de 40% do volume de vendas da matriz. "A gente já tinha um público na região e sabemos que as pessoas querem comodidade, chegamos mais perto. Então consegui o preço do aluguel mais barato do que seria fora da pandemia em um ponto estratégico em uma galeria, que já tem outras lojas correlatas para o público infantil, já tem uma demanda na área", explica. 

O investimentofoi de R$ 150 mil com recursos próprios e a loja empregou duas pessoas. "Entendemos que era o momento, existe uma demanda reprimida. Os clientes ficaram em casa nesse período de isolamento e, quando forem sair, o sapato já não mais caber na criança, o pé cresce rápido. Também vai ter a volta às aulas, que sempre vende bem. Não fizemos nenhum evento de inauguração, mas já tem um fluxo razoável para ser uma loja nova. A gente entende que aproveitou a oportunidade do momento" conta. 

Ela também apostou no ecommerce para incrementar suas vendas durante a pandemia e contratou mais uma pessoa para cuidar do site. O objetivo é atender o consumidor do jeito que ele se sentir mais confortável. "Temos as lojas físicas, delivery, drive thru e o ecommerce com entrega, estamos atendendo em todas as plataformas. E, por ser do segmento infantil, vai ajudar nessa retomada. Muitas vezes a mãe preza pela qualidade dos produtos para os filhos, o que traz conforto para as crianças", conclui. 

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