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Economia

Pandemias e crises: o passado ensina no presente

Publicado: 02/05/2020 às 09:36

Crise de 1929 teve início na economia dos Estados Unidos/

Crise de 1929 teve início na economia dos Estados Unidos/

O ano de 1918, imerso na gripe espanhola e na 1° Guerra Mundial, foi catastrófico. No seu lastro, em 1929, a Grande Depressão Econômica fulminou a economia de tal forma que foi preciso mais de uma década para que os impactos fossem revertidos. Capítulos históricos e seus desdobramentos econômicos são lições a serem consideradas hoje, em meio à covid-19: não existe separação entre um cenário econômico e um cenário de saúde. Pessoas doentes não trabalham, não geram riqueza.


As 1° e 2° Guerras Mundiais e, no meio delas, a Gripe Espanhola e Grande Depressão, estão entre os acontecimentos com maiores impactos na economia na História. “Há o 11 de setembro, mas por mais que tenha havido um caos humano, em termos de impacto econômico, não chega perto desses três acontecimentos”, pondera o economista, o professor da Univisa, Demorval dos Santos Filho.

O que já está sinalizado é que o mundo entrará em recessão profunda, mas de forma heterogênea. O cenário pós-coronavírus se assemelha ao de 1929 pelo salto do desemprego, pelo número de falências, pelo empobrecimento da população, mas em dimensão bem menor. “A depressão é caracterizada por uma situação de extremo pessimismo em que as pessoas perdem seus empregos, ou têm medo de perder e, por isso, não consomem. E sem consumo, a economia não gira. Temos sinais fortes de que a situação é completamente anormal, uma profecia autorrealizável”, pontua o professor de Economia e Finanças da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Luiz Maia.

 

Maia destaca comportamentos muito semelhantes entre as duas crises. Primeiro, a queda do comércio internacional que, em 1929, chegou a 70%. “Está acontecendo isso com economias se fechando. No entanto, ainda estamos em um situação muito curta para que se crie desespero”, explica. Segundo, o preço do petróleo: no passado, a queda acentuada gerou entrega de petróleo futuro com preço negativo. “Era um movimento de se desfazer, ‘eu pago para você levar’. Hoje, vemos os preços em geral do petróleo sendo negociados em patamares muito baixos”, continua Maia. Em terceiro, a queda das taxas de juros no mundo inteiro. Em 1929, chegou-se a zero ou a taxas negativas. O resultado é que ao invés de você receber para deixar seu dinheiro guardo, você paga para isso.

Na opinião de Maia, tudo será resultado do desenvolvimento de medidas terapêuticas. “Estamos diante de uma virose muito sábia que se propaga antes de ser percebida. E ela não mata tanto quanto um ebola, por exemplo. Se matasse tanto, ninguém discutiria o isolamento. Mas ela se propaga o tanto que as pessoas se expõem a ela; e as pessoas terão que se proteger daquilo que não veem”, diz Maia.

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