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Notícia de Economia

TELEATENDIMENTO MÉDICO

Teleatendimento médico na pandemia: a chegada antecipada do futuro

Publicado em: 04/04/2020 07:00 | Atualizado em: 05/04/2020 16:24

O urologista Dimas Antunes já atendeu cerca de 20 pacientes nesta modalidade. (Foto: Vinícius Ramos)
O urologista Dimas Antunes já atendeu cerca de 20 pacientes nesta modalidade. (Foto: Vinícius Ramos)
No dia 19 de março, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu, em caráter de excepcionalidade, e enquanto houver a necessidade da manutenção do isolamento social, reconhecer a possibilidade e a eticidade da utilização da telemedicina. Ela pode ser exercida nos formatos de teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta. Desde então, não são poucos os profissionais – individualmente ou em grupo e das mais diversas especialidades – que estão utilizando esta abordagem tanto para não se distanciar dos pacientes como para aprimorar esta ferramenta.

O urologista, preceptor no Hospital dos Servidores do estado e professor da Faculdade de Medicina Nassau, Dimas Antunes, lembra que, na verdade, a teleorientação já ocorria de maneira informal, errática e até mesmo caótica por parte de vários profissionais. “Isto já acontecia de forma muito anárquica. É difícil, por exemplo, achar um médico que não precise responder algo via whatsapp ou verificar um exame por email e orientar, ainda que por alto, o paciente. A pandemia veio como catalisador para que a telemedicina enveredasse de vez”, analisa.

Desde o dia 21 de março, quando começou o atendimento em casa, Dr. Dimas já atendeu cerca de 20 pacientes. Ele tinha consultas marcadas até o final de abril. Sócio de um grupo de urologistas e em sociedade com outros, de demais especialidades, estuda, agora, formas de atendimento rotativo e em grupo. Em seu teleatendimento, o médico prescreve medicações ou envia ao paciente uma receita que já tem QR-Code com cadastramento e assinatura eletrônica. Pode, ainda, enviar atestado, solicitações de exames de imagens e de laboratório. Ele ressalta, entretanto, a necessidade de que toda a cadeia de atendimento esteja ativada para isto também. “É necessário que o farmacêutico aceite esta receita enviada via online, que o empregador faça o mesmo com atestado médico, que as clínicas aceitem a requisição e o plano de saúde não a glose. Espero que consigamos acompanhar o amplo cuidado aos pacientes com a mesma rapidez com o qual o coronavírus vem se espalhando”, explica.

Não há como negar algumas desvantagens do teleatendimento. O exame físico, por exemplo, faz falta. “Além disso, o paciente pode não conseguir externar sinais de alarme. Há, ainda, idosos não familiarizados com as tecnologias de informação. Na medicina, entretanto, nosso limiar para encaminhar à urgência costuma ser baixo”, afirma. Apesar dos pontos negativos, as vantagens são várias, principalmente em relação à triagem. “São dois grandes “filhos” do coronavírus para a telemedicina. O primeiro é a questão da entrega do serviço a distância, inclusive para locais desassistidos e profissionais em regiões mais remotas, além do atendimento em horários não comerciais”, explica. O segundo “filho”, segundo ele, é a evolução da tecnologia de informação neste setor. “O prestador de serviço da plataforma que utilizo, por exemplo, colocou praticamente todos os programadores dele para criar o teleatendimento, e de forma rápida. Crescemos em robótica, novos medicamentos, mas, proporcionalmente, andamos pouco em relação às ferramentas de entrega de serviço”, explica. Outro desafio do teleatendimento é a questão da remuneração. “Por enquanto, só há um plano de saúde no Brasil utilizado em Pernambuco que se posicionou em relação a esta cobertura. Espero que nas próximas semanas outros passem a entender esta necessidade”, conclui.

A geriatra Danielle Marinho também está atendendo via remota. Ela conta que o objetivo é conciliar a necessidade da população, que tem inúmeras dúvidas sobre o coronavírus e está, justificadamente, com medo de ir à emergência. Relata ainda que o empresarial onde está situado seu escritório está fechado. Tem utilizado, portanto, um prontuário elétrico que permite, inclusive, o recebimento de pagamentos das consultas por meio do cartão de crédito. “Uma consulta médica, pelo código de ética, é considerada quando há a anamnese (entrevista) e, embora seja fundamental o exame clinico físico para a conclusão do diagnóstico, neste momento podemos orientar em determinadas situações. Por vídeo, podemos analisar sinais inflamatórios como vermelhidão e inchaço e questionar sobre temperatura das lesões, dores. Não é ideal, mas está ajudando e vai auxiliar a desafogar o sistema de saúde”, afirma.

Para ela, a ferramenta é uma maneira de não se distanciar dos seus pacientes antigos. “Continuo prestando assistência, garantindo receitas de uso continuado, controlado e orientando a buscar serviço de emergência quando necessário”, revela.

UFPE presta serviço de assistência virtual, em grupo

Uma forma prática, rápida e eficiente de teleatendimento. O NUTES, núcleo da UFPE que já atua há mais de 16 anos com telessaúde no SUS com apoio do Ministério da Saúde, colocou no ar o canal www.nutes.ufpe.br/coronavirus. O site pode ser acessado em qualquer navegador na internet ou em dispositivos móveis e presta atendimento imediato, via chat, com médicos e enfermeiros de plantão, para moradores da região Nordeste. É teleorientação em tempo real, das 7h às 19h, de segunda a sexta.

A coordenadora do NUTES, Magdala Novaes, conta que assim que os primeiros casos da COVID-19 surgiram no Brasil o grupo percebeu que a telessaúde/telemedicina seria estratégica. “Apenas ela garante a escala de atendimento que uma pandemia exige e pode chegar rapidamente onde quer que o paciente esteja. Até bem pouco tempo a telessaúde praticada no Brasil tinha o foco maior de qualificar o atendimento à população por meio de teleconsultorias entre profissionais de saúde. Agora, a situação é diferente”, explica.

O site traz informações básicas sobre a Covid-19 além do chat com os profissionais. Além do atendimento tem tempo real, o paciente pode agendar uma teleconsulta com um médico no horário que for mais conveniente.  Quando agendado, o paciente pode falar com o médico por uma vídeo-chamada e tudo fica registrado no seu prontuário digital.  É importante destacar que o paciente precisa se identificar, mas cadastra-se apenas uma vez e pode utilizar o serviço quantas vezes quiser.

A equipe de atendimento é formada por 30 profissionais, dentre enfermeiros e médicos de diversas especialidades (medicina de familia, intensivista, infecologista, pedriatra, etc.). O profissional que deseje atuar teleconsultor voluntário, ainda é possível se cadastrar por meio do site www.nutes.ufpe.br/contato-nutes. O serviço teve início nesta semana e já teve, até agora, 90 pacientes atendidos, e muitos acessos para informação sobre o COVID. “A ideia é que fique disponível sempre, mesmo depois que esta pandemia seja controlada”, afirma Magdala.



·         Teleorientação: para  que profissionais da medicina realizem à distância a

orientação e o encaminhamento de pacientes em isolamento;

 

·         Telemonitoramento: ato realizado sob orientação e supervisão médica

para monitoramento ou vigência à distância de parâmetros de saúde e/ou doença.

 

·         Teleinterconsulta: exclusivamente para troca de informações e opiniões

entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.


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