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Pernambuco tem o segundo maior isolamento do país

Publicado em: 16/04/2020 08:30 | Atualizado em: 16/04/2020 11:26

 (Foto: Bruna Costa / Esp. DP FOTO)
Foto: Bruna Costa / Esp. DP FOTO
Pernambuco passou a adotar medidas restritivas mais intensas para conter a disseminação do coronavírus a partir da segunda quinzena de março e o monitoramento da eficiência das ações tem contado com o apoio de soluções tecnológicas do próprio estado. A In Loco, empresa pernambucana de geolocalização, está usando uma base com mais de um milhão de pessoas abrangendo todo o estado, sendo 700 mil só no Recife, para mapear os locais que estão respeitando as medidas de isolamento social. No ranking entre os estados com maior índice de isolamento, Pernambuco ocupava o segundo lugar na útima segunda-feira, com 50,6%, atrás apenas do Distrito Federal, que registrou 55,9%.

Nos finais de semana, o isolamento tende a crescer naturalmente, principalmente em um feriadão, como foi o da Sexta-Feira Santa. No último domingo, o isolamento alcançou 60% da população em Pernambuco, tendência seguida pelos demais estados. Tanto que, apesar de aumentar o percentual, o estado caiu para sexta colocação do ranking, atrás do Distrito Federal, Goiás, Amapá, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Ceará, todos entre 61% e 63%. Segundo André Ferraz, CEO da In Loco, os resultados são enviados diariamente, e Pernambuco está sempre em posição de destaque no país. “O estado está conseguindo se manter melhor do que outros estados do Brasil, entre o top cinco ou top 10, e isso significa que as medidas têm funcionado bem”, ressalta.

Entre as medidas adotadas em Pernambuco estão a suspensão das atividades do comércio não essencial, proibição de reuniões e aglomerações com mais de 10 pessoas, além do fechamento de praias, parques e do calçadão. Com a amostragem de pessoas que a In Loco consegue mapear em Pernambuco, é possível obter dados dos locais que ainda têm uma grande movimentação. “O número de pessoas mapeadas tem aumentado, mas ainda um pouco devagar. De qualquer forma, a base que tínhamos é muito significativa, com mais de um milhão de pessoas no estado. É uma amostra grande o suficiente para conseguir ter uma estatística com alto nível de confiança”, explica André Ferraz.   

Com a análise dos dados, ainda que Pernambuco esteja com um resultado positivo, existem locais que precisam de uma atenção maior, já que o movimento não caiu tanto quanto deveria e o mapeamento ajuda nessas regiões. “A gente percebe que os dados trazem resultados práticos porque, com eles, é possível fazer campanhas de conscientização nessas regiões, como carros de som que são direcionados para os locais com menor índice de isolamento”, pontua.

Além disso, é preciso ter cuidado com o relaxamento das pessoas em relação ao isolamento social com o passar do tempo. No último dia 7, Pernambuco registrou 53% de isolamento, enquanto o Distrito Federal e Goiás tinham 56%, os três primeiros do ranking. Segundo André Longo, secretário de Saúde do estado, o ideal é atingir uma média de 70% de isolamento. “A diferença, de uma forma geral, é que no Brasil está havendo um maior relaxamento ao longo do tempo, ainda é pequeno, mas suficiente para assustar. Estamos vendo uma média de isolamento girando em torno de 50% e 60%, que ainda não está dentro do ideal”, acrescenta.

A In Loco já estuda cruzar os dados do levantamento de isolamento social com de outras plataformas, o que poderia gerar informações mais precisas não só sobre o fluxo de pessoas no estado, mas também alinhar dados sobre os casos da Covid-19. “A gente está fazendo algumas pesquisas com alguns institutos. Não chegamos, até o momento, a fazer algo com a plataforma Atende em Casa - Covid 19 (plataforma de telemedicina que consegue mapear onde estão os casos suspeitos), mas estamos abertos a colaborar, obviamente tomando todos os cuidados possíveis sobre privacidade”, garante.

Índice de isolamento dos estados brasileiros

Distrito Federal            55,90%
Pernambuco                50,60%
Goiás                          50,22%
Ceará                         49,97%
Rio de Janeiro             48,59%
Piauí                           47,95%
Amazonas                   47,86%
Maranhão                    47,54%
Amapá                         47,31%
Rio Grande do Norte      47,17%
Sergipe                         47,00%
Paraíba                         46,81%
São Paulo                     46,80%
Bahia                            46,30%
Rio Grande do Sul          45,37%
Pará                             44,78%
Espírito Santo                44,49%
Alagoas                         44,25%
Minas Gerais                  43,35%
Paraná                          42,64%
Santa Catarina               41,93%
Acre                              39,72%
Roraima                        38,06%
Rondônia                       37,89%
Mato Grosso                   37,80%
Mato Grosso do Sul         36,69%
Tocantins                       35,54%

Dados de 13.04.20
Fonte: Base In Loco (não representa a população em sua totalidade)

Monitoramento no Recife surte resultados práticos

Quase metade da população de 1,5 milhão de pessoas do Recife está sendo mapeada através da plataforma de geolocalização da In Loco e os dados dos 700 mil pessoas monitoradas são capazes de orientar as medidas que serão adotadas, sejam restritivas ou de conscientização. Apesar de o levantamento ser diário, as decisões são analisadas com calma e tomadas de acordo com a realidade e dinâmica de cada bairro. Além de fazer uma leitura das localidades que têm maior ou menor movimentação, também é possível perceber a mudança de rotina da população na capital pernambucana. Antes do isolamento, 25% das pessoas mantinham uma rotina dentro do próprio bairro, número que subiu para 55% depois das medidas restritivas, indicando uma menor circulação na cidade como um todo. 

Segundo Tullio Ponzi, secretário executivo de Inovação Urbana na Prefeitura do Recife, cada bairro tem uma dinâmica própria e, por isso, os dados não são avaliados de forma isolada. "Antes de tomar qualquer decisão, a gente avalia a realidade do local e também quais as atividades que estão acontecendo em algumas localidades. Onde tem hospitais, terminais que fazem conexão e aeroporto o sistema naturalmente aponta que tem um fluxo maior", explica. 

Porém, como as medidas restritivas foram tomadas de forma gradativa, o secretário afirma que é possível perceber uma evolução também gradativa do isolamento social no Recife."Percebemos que teve uma queda no uso do transporte público, mas os serviços sociais estão funcionando e a maior parte da nossa população usa. Então conseguimos analisar quais terminais ainda têm maior fluxo. Outra coisa que também conseguimos analisar são pontos que o movimento aumenta em determinado momento. Na última semana, houve uma alta onde tem agência bancária. Então analisamos os dados não apenas para tomar as medidas, mas também para analisar como podemos agir, como o que pode ser feito junto com as agências bancárias para diminuir a aglomeração", pontua, informando que uma parceria foi firmada com o aplicativo 99, que doou seis mil viagens para profissionais da área de saúde. 

Os dados a In Loco já trazem resultados práticos no isolamento social da população do Recife. "Uma coisa é trabalhar com sentimento e outra é ter informações estratégicas, avaliamos diariamente o que tem dado certo. Já tomamos medidas de campo de conscientização em lugares que ainda têm muito movimento, como o envio de carros de som. E também cerca de 500 mil pessoas receberam mensagens e visualizaram sete milhões de vezes. É uma forma de dialogar com a população que precisa dessa conscientização. E percebemos o reflexo depois, começamos a notar o índice de isolamento subindo em alguns locais", conclui Tullio Ponzi. 

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