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Notícia de Economia

Coronavírus

Governo e entidades buscam soluções econômicas para Pernambuco

Publicado em: 31/03/2020 08:00 | Atualizado em: 30/03/2020 21:12

Enquanto as medidas restritivas seguem valendo em Pernambuco, entidades que representam os diversos setores da economia aguardam um posicionamento das ações que serão colocadas em prática para tentar minimizar os impactos econômicos impostos pela disseminação do coronavírus. Medidas que estão sendo articuladas com o governo do estado e que envolvem também os planos do governo federal. O governador Paulo Câmara e secretários de diversas pastas realizaram reuniões no domingo e ontem para que representantes dos setores produtivos expusessem suas demandas como forma de buscar soluções para Pernambuco, para manter a atividade econômica e os empregos, sem deixar de lado as recomendações para evitar uma maior contaminação.

Segundo Bruno Schwambach, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, um comitê sócio-econômico de enfrentamento da Covid foi instaurado desde que foi criado o Comitê de Articulação Estratégica de Enfrentamento ao Coronavírus. O objetivo é estruturar ações com várias iniciativas e são três frentes principais: comitê de abastecimento, encaminhamento de doações e a questão sócio-econômica. 

Para levar adiante os pleitos de cada entidade, foi viabilizada a reunião com o governador. "Infelizmente, muitos dos pleitos são sobre postegar os impostos, mas mostramos que isso não é a solução. O estado também vive de arrecadação de impostos e, em compensação, os custos só aumentam neste momento. A solução não deve ser essa porque não resolve o problema como um todo. Temos que construir uma alternativa de injeção de capital nas empresas, para que elas possam pagar os impostos e os salários. O governo federal tem que imprimir dinheiro, tem que bancar isso", ressaltou. 

Nacional
Além das discussões em âmbito local, o secretário Bruno Schwambach afirmou que desde o último dia 20 encaminhou ao Ministério da Economia uma carta sugerindo soluções para a área, que envolviam três grupos. O primeiro era de empregados informais, que vivem por conta própria, e desempregados. "Sugerimos o pagamento de um valor de R$ 400, acima dos R$ 200 sugeridos, mas o Congresso jogou para R$ 600, o que foi ótimo", disse.  No estado, o número de informais é de 1,8 milhão, segundo dados da Pnad Contínua do quarto trimestre de 2019, resultando na injeção de quase R$ 1 bilhão por mês na economia de Pernambuco, caso o presidente Jair Bolsonaro sancione.

O segundo é de micro e pequenas empresas, com 1 a 49 funcionários no comércio e até 99 na indústria, um grupo importante no estado, já que são 103 mil empresas que empregam 52% da força de trabalho com carteira assinada. "Mandamos a sugestão de um crédito pré-aprovado para que essas empresas possam pegar o dinheiro no dia seguinte e pagar a folha. Além disso, com pagamento apenas no ano que vem sem juros e em 24 vezes. O governo federal propôs uma ação parecida, mas ainda cobrando juros. A nossa sugestão é que o governo deposite direto na conta da empresa e não mande ir no banco, que vai cobrar juros", explicou. Pelos cálculos de Pernambuco, seria preciso, somando os quatro meses, R$ 6,2 bilhões para o capital de giro, o que seguraria 550 mil empregos nessa faixa de empresas no estado. 

O terceiro grupo são as médias e grandes empresas que, segundo ele, poderia haver um grande acordo nacional para fazer uma ação com pacotes pacote para prorrogar financiamentos e medidas de ordem fiscal. "Criamos sugestões propositivas que o mundo inteiro está fazendo", reforçou. 

Segundo o secretário, as ações propostas acabaram por sinalizar os programas que estão sendo lançados pelo governo federal, mas não com a resolução proposta. "As propostas estão na linha do que pedimos, só que menos. O financiamento para micro e pequenas empresas deixou de fora as que faturam pouco. Além disso, o governo está mandando procurar o banco privado. A linha deação está correta, mas é muito pouco. Outros países estão fazendo muito mais. E a demora nas ações em relação à economia é igual à área de saúde: quanto mais demorar para tomar atitudes, pior será o efeito porque as empresas vão começar a demitir. Então tem que começar as ações por parte do governo federal", concluiu. 

Entidades aguardam retorno em relação aos pleitos

O governo do estado tem realizado os encontros com representantes de entidades da cadeia produtiva para tentar minimizar os impactos na economia. Muitos dos pleitos dizem respeito à flexibilização tributária. Uma sinalização pode ser dada na próxima sexta-feira, quando os assuntos abordados serão discutidos durante a reunião do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Fazenda (Consefaz). Porém os representantes também aguardam o posicionamento diante de outras sugestões colocadas.

Eduardo Catão, presidente Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas de Pernambuco (FCDL-PE), que esteve presente, disse que, apesar da pressão, é preciso ter cautela nas tomadas de decisões neste momento. "Foi apresentado um quadro grave e, evidentemente, o estado precisa de mais dinheiro porque os custos aumentaram. O governador disse que, por enquanto, vai manter o isolamento e que na próxima sexta-feira vai reavaliar como a situação está se comportando. Existe uma pressão muito grande, mas eu, como presidente, não posso desrespeitar uma decisão do governo, então estou pedindo para ter calma", disse.

Ele cobrou providências do governo federal em relação à liberação de dinheiro. "Precisa ter esse acordo com o governo estadual e com os bancos. Os empresários estão precisando de dinheiro, principalmente os pequenos, que faturam hoje para amanhã pagar as contas. Se chegar dinheiro, o que deve acontecer nesta semana, vai dar uma acalmada porque as empresas estão sem poder pagar os encargos e funcionários. E esse dinheiro tem que vir do governo federal porque o estado não tem condições, além de ser um crédito com menos burocracia. O primeiro passo é cuidar das pessoas, mas chegando dinheiro, vai garantir também que as empresas se mantenham", ressaltou. 

Já Gildo Vilaça, presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), pontuou que o setor da construção civil cobrou uma maior previsibilidade das ações. "Em vários estados os decretos têm data de validade e aqui não. O empresário precisa de um planejamento, então o governador se comprometeu a avaliar isso na próxima sexta, na reunião do grupo de enfrentamento. Mas pedimos isso com a ressalva que, se a situação da saúde não permitisse por descontrole do número de casos da Covid-19, seria reavaliado para resolver", afirmou.

Ele explicou que o setor acordou com o sindicato laboral que daria férias coletivas a partir de 23 de março, até 30 dias, podendo cada empresa fazer como for mais viável. "Fizemos ainda uma proposta de voltar as atividades do setor de forma escalonada, a depender da tipologia de obras que fossem mais fáceis de controlar e retorno relacionado às atitudes da empresa em relação à prevenção, como pontos de limpeza, alojamento e refeitórios mais espaçados, turnos diferenciados", disse.

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