Economia
Gabriela Monteiro ressalta que jovens aprendem e replicam aprendizado na comunidade./Foto: Bruna Costa / Esp. DP FOTO
Se a transformação digital pauta as mudanças no mercado de trabalho, as grandes empresas devem estar atentas aos processos de inovação. Não apenas para o crescimento próprio. O município de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, sente as mudanças acontecerem através dos três laboratórios de robótica implantados pelo Instituto Conceição Moura, organização mantida pelo Grupo Moura, que tem cinco fábricas no município. A iniciação à robótica ajuda na transformação social de jovens, que ganham qualificação empreendedora, tornam-se multiplicadores do aprendizado e ainda usam o conhecimento para buscar soluções para os problemas da própria cidade. Este é um dos 12 projetos mantidos pela instituição, que investe R$ 2,8 milhões por ano.
Dos três laboratórios de robótica em Belo Jardim, um fica instalado na sede e os outros dois em escolas municipais, sendo um na área rural. "Essa foi uma estratégia que adotamos para estar mais perto da comunidade para dar mais oportunidades porque sabemos que tem a questão da logística e a dificuldade desses alunos de irem para a cidade", afirma Gabriela Monteiro, coordenadora executiva do Instituto Conceição Moura. Para ela, o aprendizado vai além das questões de robótica. "A gente consegue desmistificar que esses jovens podem ter acesso à tecnologia, que eles podem pensar em soluções para os problemas do município, podem ter um espírito empreendedor também", acrescenta.
Os resultados já despontam e alguns exemplos provam isso. "Teve um grupo de jovens que criou um robô para medir a umidade do solo e contribuir com os agricultores locais. Outro criou um robô para aferir os sinais vitais de pacientes que chegam nos hospitais para acelerar os atendimentos. Eles entendem que o aprendizado serve para ajudar a comunidade e também que é preciso replicar o conhecimento para outros jovens, eles se tornam multiplicadores", ressalta a coordenadora.
Ideias que já abrem os olhos de empresários, inclusive com o suporte do próprio Grupo Moura. "Fazemos a articulação com a cadeia de parceiros e fornecedores, principalmente na época de culminância dos projetos", detalha Gabriela. Os jovens, inclusive, já participaram de uma rodada de apresentação de projetos com soluções para problemas da cidade para empreendedores, investidores, representantes do Governo do Estado e gestores de empresas de Pernambuco para a avaliação, no Fab Lab, no Recife. "Eles mesmo sugeriram a feira como o ponto de partida para apresentar as soluções, eles entendem o que é importante para o município deles".
Projetos
Além dos laboratórios de robótica, o Instituto Conceição Moura conta com outros projetos, sendo 12 no total, todos com foco na transformação social. "Os projetos têm uma veia voltada para a educação com formação de jovens. Antes era para pessoas de 9 a 16 anos, mas ampliamos neste ano até 23 anos para poder ajudar a ingressar no mercado de trabalho. Trabalhamos com projetos alinhados para desenvolver habilidades que dão mais estrutura que não têm na escola, como a comunicação, criatividade, soluções de problemas, entre outras", explica Gabriela Monteiro. Para o próximo ano, o atendimento será mais uma vez ampliado. "Vamos investir em uma nova área, que é a primeira infância, que é uma etapa fundamental da vida e dar um suporte", conclui.
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