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Notícia de Economia

SEM INTERMÉDIO

Governo anuncia que suínos serão exportados diretamente para a China

Publicado em: 04/11/2019 21:25

"Sete estabelecimentos de Santa Catarina foram habilitados a vender miúdos suínos para a China. A abertura desse mercado pode movimentar no próximo ano US$ 2 bilhões", publicou o Ministério da Agricultura no Twitter. (Foto: Thiago Gomes/ SUSIPE)
"Sete estabelecimentos de Santa Catarina foram habilitados a vender miúdos suínos para a China. A abertura desse mercado pode movimentar no próximo ano US$ 2 bilhões", publicou o Ministério da Agricultura no Twitter. (Foto: Thiago Gomes/ SUSIPE)
Miúdos de suínos brasileiros serão exportados diretamente para a China, sem qualquer intermediário. Esta foi a notícia divulgada pela Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, em sua conta oficial do Twitter, neste domingo (3/11). Os sete estabelecimentos contemplados são localizados em Santa Catarina. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), neste primeiro momento não haverá um impacto realmente relevante na economia brasileira.

A Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do MAPA estima que este mercado poderá movimentar no próximo ano US$ 2 bilhões na economia brasileira e, segundo a ministra Cristina, %u201Cas exportações já podem ter início imediato%u201D.

Entretanto, na avaliação da assessora técnica da Comissão Nacional de Aves e Suínos, da CNA, Ana Lígia Aranha Lenat, o retorno não deverá ser tão imediato, pois depende da capacidade de produção dos miúdos. %u201CAtualmente, o quilo de miúdo no mercado exterior para Hong Kong é, em média, U$$ 1,35, sendo mais barato mesmo. O que acontece é que ainda são poucos frigoríficos [habilitados] e sabemos que a produção de miúdos é pequena, por conta do volume. O rendimento de miúdos é mais baixo do que de carne, principalmente pelo tamanho. Em termos de volume e receita acaba sendo não impactante imediatamente,%u201D afirmou.

Ao todo, serão quatro empresas habilitadas com sete frigoríficos no estado, que já eram responsáveis pela exportação de outros produtos suínos. Segundo a CNA, o fato de já serem habilitadas, e as únicas brasileiras a exportarem para o país asiático, influenciou na escolha. Além de que, Santa Catarina foi um dos estados pioneiros a erradicar a febre aftosa (peste suína), e tem um estado sanitário diferenciado.

Os subprodutos a serem exportados serão: pés, língua, focinho, máscara, orelha e rabo. Segundo Lenat, os miúdos que não vão para consumo humano tem um tratamento diferente e são, inclusive, exportados para países Asiáticos e Africanos.

Para Lenat, o principal benefício deste acordo é não ter um intermediador, pois hoje o produto passa por Hong kong antes de ir para a China. A especialista ainda afirmou que esta pode ser as portas para que outras regiões também possam ser habilitadas.

%u201CVale destacar que esse foi um trabalho de meses, pois é uma demanda antiga, e o Mapa trabalhou de muito perto para conseguir. E trabalho que a ministra Tereza tem feito para promover e destacar a carne brasileira no mundo não é recente e vem sido construído,%u201D afirmou Lenat - a ministra esteve no meio de outubro na China, fazendo tratativas com o governo de lá. O presidente Jair Bolsonaro também esteve no país asiático, a quem Tereza Cristina também atribuiu parte do crédito em seu perfil no Twitter.

Comércio de suínos do exterior
Um boletim divulgado no final do mês, pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), do governo catarinense, apontou que Santa Catarina é responsável por 56,02% das receitas e quase 60% de toda a carne suína exportada pelo Brasil, o que reforçou o estado como principal exportador do segmento no país.

Os países com maiores destinos dos produtos catarinenses foram foram responsáveis por 76,56% das receitas e 73,84% da quantidade embarcada. A China comprou U$$ 263.318.482,00, correspondendo a 122.645 toneladas e Hong Kong comprou U$$ 78.840.701,00, cerca de 45.807 toneladas de carne suína.

O boletim também indica que a principal fonte de compras de suínos brasileiros está associada ao fato de os países asiáticos estarem enfrentando uma severa infestação de peste suína africana, que faz com que mais de 70% dos animais devam ser sacrificados. Em 14 de outubro, o governo chinês declarou que o rebanho suíno foi reduzido em 41%, comparado a 2018. Assim, os preços da carne suína, no varejo, subiram 84% em setembro, comparado com o mesmo período de 2018.
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