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Google aposta em potencial de startups nordestinas

Publicado em: 09/11/2019 10:00

Paulo Tenório e Jorge Henrique, da Trakto, participaram do Programa de Residência.  (Foto: Trakto/Campus Google/Divulgação)
Paulo Tenório e Jorge Henrique, da Trakto, participaram do Programa de Residência. (Foto: Trakto/Campus Google/Divulgação)

Estar fora do eixo Sul-Sudeste ainda é uma barreira a ser superada por startups que pretendem escalar, mas não é um caminho impossível. Apesar de o ecossistema estar mais amadurecido por lá, o Nordeste tem fomentado a cadeia de tecnologia e inovação. Além do polo tecnológico do Porto Digital em Pernambuco, que conta com mais de 300 empresas, outras startups seguem caminho de ascensão na região. E chamam a atenção. O Google está de olho no que está acontecendo no Nordeste e, mais do que isso, está de portas abertas para apoiar empresas nordestinas que tenham potencial.

Um dos projetos do Google é o Programa de Residência no Campus em São Paulo, que está em sua quarta turma neste ano. Das 36 startups que já passaram pelo programa, que tem duração de seis meses, uma nordestina se destacou na primeira turma, a única da região a ser selecionada entre mil inscritos. De lá para cá, o crescimento da Trakto, uma plataforma de materiais de marketing, é exponencial. Em 2018, ela faturou R$ 1,2 milhão e a expectativa é chegar a R$ 2 milhões neste ano e dobrar para R$ 4 milhões em 2020. A startup está com uma rodada de investimentos de R$ 2,5 milhões aberta. Além da parte financeira, hoje são 23 funcionários e a estimativa é subir para 50 posições em 2020 com o lançamento do novo software.

Fomento

Porém, nem só os números contam. A temporada dos sócios da Trakto Paulo Tenório e Jorge Henrique no Campus São Paulo do Google trouxeram ensinamentos que possibilitaram que eles colocassem um projeto adiante: permanecer em Maceió, apesar do assédio de investidores para migrar para o Sul ou Sudeste, e fomentar o ecossistema de Alagoas. "Estamos muito isolados e, na época que fomos para o Programa de Residência, não tinha ninguém em Maceió que conversasse e soubesse o que a gente tava falando. No Campus do Google, todo mundo entendia em que estágio estávamos, 90% das conversas eram sobre o crescimento da empresa, era um mix de conteúdo com diversão, aprendemos até a descansar", ressalta Paulo Tenório.

Para disseminar a cultura do empreendedorismo, em 2017, os sócios realizaram a primeira edição do Trakto Marketing Show, evento de marketing e negócios. A ideia era realizar um evento semelhante aos que acontecem no eixo Sul-Sudeste em Maceió, que façam uma conexão a população às startups. A terceira edição, neste ano, contou com três mil participantes. Compartilhar conhecimento e fomentar o ecossistema, inclusive, são temas assimilados lá em 2016, no Programa de Residência do Google.

"A gente sabe que as conexões têm um poder muito rico porque as empresas podem ser de segmentos diferentes, com produtos diferentes, mas estão em momentos parecidos e podem se ajudar. E as boas práticas do Google são bem-vindas para serem compartilhadas. Não cobramos nada e nem fazemos com que usem os produtos do Google, damos um suporte personalizado e esperamos apenas engajamento", conclui Giovanna De Marchi, gerente de Marketing do Google For Startups Brasil. Movimento que pode servir de exemplo para outras startups nordestinas.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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