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Black Friday: Procon dá dicas para evitar fraudes

Publicado em: 06/11/2019 07:32

 (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Desde sua chegada ao Brasil, em 2010, a megacampanha de descontos no varejo Black Friday tem a imagem arranhada por descontos falsos e maquiagem de preços. As reclamações dos consumidores vão, inclusive, além desses problemas. Falta de produtos nos estoques do comércio, atrasos nos prazos de entrega acertados com os clientes e endereços de venda on-line falsos contribuem para um estigma negativo que recai sobre a liquidação, marcada para dia 29. A recomendação dos órgãos de atendimento ao consumidor é pesquisar os preços com antecedência e verificar os dados e as políticas de envio e troca das empresas.


A maquiagem de preços consiste em aumentar o valor dos produtos para depois anunciar descontos. Assim, o consumidor que é atraído pela falsa promoção acaba pagando mais. A pesquisa de preços evita isso, pois o cliente pode comparar a evolução do custo dos produtos e concluir se o desconto que a loja oferece é real ou não.

Porém, o coordenador do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Marcelo Barbosa, acredita que o tempo já corre contra aqueles que não iniciaram a pesquisa de preços. “No mínimo seis meses de monitoramento é o ideal”, afirma. Para Barbosa, agora os comerciantes já podem ter aumentado os preços.

 

Estudo realizado pelo site Social Miner , especializado em informações sobre comportamento, aponta que, dos 1.028 entrevistados, 52,7% já começaram a pesquisar os preços com mais de um mês antecedência da Black Friday. Enquanto isso, 47,3% ainda não se preocuparam com isso.

 

Desse segundo grupo, 31,9% vão deixar para pesquisar entre 15 e sete dias antes da data. Já 12,6% pretendem pesquisar só na última hora, um dia antes ou na própria sexta-feira das promoções. A pesquisa tem confiabilidade de 95% e uma margem de erro de três pontos percentuais.

 

Para evitar prejuízo, o coordenador do Procon recomenda que o consumidor só compre na Black Friday se não poder esperar para comprar, tiver dinheiro suficiente e monitorado com atenção os preços. Na avaliação de Barbosa, qualquer grande promoção hoje se intitula como Black Friday.

 

“Não tem nada imperdível, vai continuar tendo o tempo todo”, afirma. Por isso, ele acredita que não vale a pena aproveitar as promoções da campanha para adiantar as compras tradicionais do fim de ano. “É mais seguro comprar no Natal do que agora”, sustenta.

 

O Procon da ALMG lista algumas dicas para o consumidor evitar cair em fraudes. É preciso ter cuidado com os sites falsos, que copiam os originais. Dessa forma, é melhor checar se os dados dispostos nos sites, como CNPJ e endereço, são válidos. Recusar anúncios que chegam por e-mail ou SMS, ou que ofereçam descontos muito absurdos também é atitude essencial. Por fim, o consumidor deve procurar saber sobre a reputação do vendedor, e dar preferência a lojas as quais já conhece.

 

A Proteste é uma entidade civil que atua na defesa dos direitos do consumidor. A especialista em relações institucionais da associação, Juliana Moya, acredita que o estigma negativo que a Black Friday tem no Brasil se justifica. “Até o ano passado, recebemos denúncias de empresas (fraudulentas). O que resta ao consumidor é pesquisar e verificar as promoções”, explica. Juliana alerta para casos que vão além dos descontos falsos.


Termos de troca

Trocar os produtos comprados pode ser um problema, já que as trocas podem não ser garantidas pelo vendedor. “A nossa legislação não obriga as lojas a trocar um produto sem defeito. Por isso, o consumidor tem que ficar atento aos termos de troca”, diz. Os prazos de entrega também podem levar a transtorno. “Se a empresa prometeu dois dias para a entrega, tem que entregar com dois dias”, diz.

 

Juliana acrescenta que, como a procura é muito alta na época da Black Friday, é possível que os produtos se esgotem ou sejam entregues com atraso. Por isso, é preciso verificar nas lojas se os produtos comprados realmente estão disponíveis em estoque. Quem for comprar nas grandes redes tem de entender que as promoções anunciadas podem não ser válidas em todas as unidades.

 

Para o idealizador da Black Friday no Brasil, Ricardo Bove, parte do receio do brasileiro em comprar durante a campanha nasceu nos primeiros anos da iniciativa no país. De acordo com Bove, o primeiro momento da sexta-feira de promoções no Brasil foi marcado pela falta de preparo dos lojistas para atender um grande volume de clientes.

Outro fator que ele aponta é que não havia distinção clara entre as promoções normais e as relacionadas à Black Friday. “Hoje os problemas acontecem muito menos, pela atuação dos Procons e pelo hábito de pesquisa dos usuários”, afirma.

 

Bove acredita que o consumidor brasileiro tem receio de fazer compras on-line, algo que é carregado para a Black Friday. “As compras on-line ainda estão amadurecendo no Brasil”, analisa. Segundo o idealizador da campanha, 60 milhões de pessoas já compraram pelo menos uma vez pela internet, enquanto 120 milhões têm acesso à rede. Ou seja, ainda há muita margem para ampliar esse segmento.

 

Confira dicas do Procon ALMG para evitar fraudes durante a Black Friday

– Acompanhe a evolução dos preços dos produtos que pretende adquirir, bem como as condições de pagamento de diversos fornecedores. No dia 29, confira se o produto faz parte da Black Friday e compare seu preço com aqueles que você coletou.

 

– Confira se o produto que você deseja adquirir existe, de fato, no estoque da loja. Há registros de casos em que o consumidor comprou um artigo pelo preço promocional, mas a loja não entregou alegando falta de estoque

 

– Se a empresa alegar que falta nos seus estoques o produto pelo qual o consumidor já pagou, há três opções para o cliente: exigir o cumprimento forçado da oferta, aceitar um outro produto pelo mesmo preço pago ou ainda receber de volta o dinheiro que pagou.

 

– Os sites falsos são, pela aparência, praticamente idênticos aos originais. Suspeite de ofertas muito tentadoras. Em caso de dúvida, ligue para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa e confira se o preço praticado é mesmo o anunciado

 

– Suspeite dos anúncios recebidos por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Em 2016, o Procon Assembleia detectou em uma rede social a oferta de uma TV por menos da metade do preço normal, supostamente publicada por uma grande loja de varejo. Uma ligação para o SAC da empresa foi o suficiente para comprovar que se tratava de fraude.

 

– Evite acessar sites que são enviados por e-mail ou SMS. Se quiser entrar no site de alguma empresa, digite o endereço eletrônico dela no navegador de seu computador. Não entre pelo link fornecido

 

– Grave todas as telas e comunicações eventualmente realizadas com o fornecedor

 

– O site da ALMG contém link para uma lista preparada pela Fundação Procon SP chamada “Evite esses sites”. A relação traz o endereço eletrônico em ordem alfabética, razão social da empresa e número do CNPJ ou CPF, além da condição de “fora do ar” ou “no ar”. Essa lista é composta por sites que cometeram fraudes ou que não puderam ser encontrados, quando notificados pelo Procon

 

– O site deve conter nome da empresa, endereço físico e demais informações necessárias para que o fornecedor possa ser localizado e contatado. O Procon Assembleia recomenda ligar para confirmar todos os dados

 

– Algumas ferramentas do Google, como o “Google Maps” e o “Street View”, podem ajudar a descobrir se o endereço fornecido no site realmente existe

 

– Verifique se o site é seguro: no momento da transação, confira se no canto inferior da tela se há um cadeado ou chave. Atualize seu programa antivírus, bem como os programas de monitoramento contra spywarese firewall

 

– Forneça apenas os dados solicitados pelo site durante a transação, nada mais

 

– Fique atento à reputação do vendedor. Verifique depoimentos, reclamações e as avaliações da empresa. Os sites “Reclame Aqui” e “Consumidor.gov.br” são boas fontes para essas informações

 

– Guarde todos os dados da compra, como o nome do site, produtos pedidos, valor pago, forma de pagamento, data de entrega do produto e número de protocolo da compra ou do pedido, se houver

 

– Não faça compras ou qualquer operação bancária utilizando computadores de lanhouses ou cybercafés. Eles podem conter programas maliciosos que furtam números de cartões de crédito e senhas

 

– Não se impressione com aqueles cronômetros enormes em contagem regressiva informando que a promoção está acabando. Isso é apenas uma pressão para que você compre logo, sem pensar muito

 

– Em caso de reclamação ou dificuldade, procure o Procon de sua cidade 

 

Receita
De acordo com o site blackfriday.com.br, o endereço eletrônico oficial da campanha no Brasil, em 2019 o faturamento do comércio em Minas Gerais deve representar 10% do total nacional. Belo Horizonte será responsável pela maior parte dessa fatia: 4%, que significa R$ 136 milhões em vendas. A expectativa dos organizadores é de que a Black Friday supere R$ 3,15 bilhões em faturamento neste ano, crescimento de 21% em relação a 2018.

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