queda Produção de carros recua 8,3% em setembro, diz associação

Por: Folha Press

Publicado em: 07/10/2019 10:50 Atualizado em: 07/10/2019 21:49

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A produção de veículos comerciais e leves recuou 8,3% em setembro ante o mês anterior, informou a Anfavea (associação das montadoras) nesta segunda-feira (7).

Foram fabricados 22,5 mil carros a menos, de acordo com os dados da entidade.

Aureliano Santana, diretor-executivo da Anfavea, atribuiu o recuo ao fato de o mês ter um dia a menos e pela fraqueza persistente das vendas para o mercado argentino. "A Argentina já foi [destino de] 73% da nossa exportação, agora é pouco acima de 50%. Então é um impacto forte."

Não à toa, as exportações se mantiveram no vermelho em todos os recortes que a associação fez. Entre agosto e setembro, o recuo fechou em 0,2%, enquanto entre setembro de 2018 e o mesmo mês de 2019, a retração foi de 7,1%. No acumulado, o cenário é pior, com um tombo de 35,6% ou 186 mil carros a menos no comércio para outros países.

O forte impacto das vendas menores para o mercado vizinho fez com que a entidade revisasse suas projeções.

No caso da produção, a expectativa em janeiro era que o setor avançasse 9%, e agora a previsão é um crescimento de 2%. Já a exportação, que bateu 629 mil veículos em 2018, deve fechar neste ano com 420 mil, em uma queda de 33%.

A crise econômica na Argentina começou a se agravar no fim do primeiro semestre de 2018, quando o dólar arrancou em disparada – em um ano, quase duplicou seu valor frente ao peso.

O governo, que já estava endividado, teve de acudir a uma linha de crédito do FMI (Fundo Monetário Internacional), que pediu uma política de austeridade mais dura em contrapartida.

Além deste cenário, a possível volta de um governo kirchnerista, como indicado nas primárias presidenciais, pode ressuscitar o protecionismo característico dos peronistas, dificultando ainda mais as vendas brasileiras para o país vizinho.

Para o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, independente do cenário político, o acordo fechado entre os dois países no começo de setembro, sobre um aumento gradativo no comércio de veículos e peças até 2029, dá uma previsibilidade ao setor.

Na sua avaliação, o que preocupa mais é como o novo governante vizinho vai cuidar da situação econômica do país.

"Vamos esperar o novo governo para ver qual vai ser a solução de estímulo econômico porque eles estão com uma taxa de juros e uma inflação muito altas. Eles têm dificuldade de divisas, por isso eles criaram esse controle, o que nos afeta também. Então em 2019 não vai mudar, e 2020 vai ser ano de transição", afirmou.

Apesar deste quadro, Moraes disse não enxergar resultados mais negativos nas vendas para o país vizinho. "Não imagino que seja pior que esse ano. O que estamos discutindo agora é quando a Argentina volta a se recuperar. Esperamos que pelo menos em 2021 voltemos a ter um mercado que contribua para o crescimento da indústria."

Apesar de o mercado externo ter amargado o desempenho da produção do setor, o acumulado de janeiro a setembro, na relação com o mesmo período de 2018, se manteve em alta de 2,9%.

Além disso, na comparação entre setembro deste ano e de 2018, houve um crescimento da produção de 10,9%.

Já o número de pessoas trabalhando no setor vive certa estabilidade na comparação mês a mês, com 127,9 mil empregados em setembro, contra 128,1 mil em agosto. Na comparação anual, no entanto, a diferença é maior, de 3,4% ou 4,5 mil pessoas a menos em setembro deste ano.


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