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Notícia de Economia

MERCADO FINANCEIRO

Em outubro, dólar tem maior queda mensal desde janeiro

Por: FolhaPress

Publicado em: 31/10/2019 19:27

A moeda americana foi de R$ 4,1630 para R$ 4,0140 nesta quinta-feira, queda de 3,57%. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
A moeda americana foi de R$ 4,1630 para R$ 4,0140 nesta quinta-feira, queda de 3,57%. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Em outubro, a cotação do dólar teve a maior queda mensal desde janeiro. A moeda americana foi de R$ 4,1630, no dia 1º de outubro, para R$ 4,0140 nesta quinta-feira (31), queda de 3,57%.

No começo do ano, com a euforia do mercado financeiro com o início do governo de Jair Bolsonaro (PSL), o dólar acumulou queda de 5,6% e terminou cotada a R$ 3,66.

Dentre emergentes, o real foi a quarta moeda que mais se valorizou frente ao dólar em outubro. Ela perde apenas para as europeias Zloty polonês, Florim húngaro e Coroa tcheca.

A queda do dólar no Brasil é fruto da perda da força internacional da moeda americana, da trégua na guerra comercial entre China e Estados Unidos, de juros mais baixos e da aprovação da reforma da Previdência no Senado.

No mês, o índice DXY, que mede a força do dólar ante as principais moedas globais, caiu 2% e foi para o menor patamar desde março.

Já o Ibovespa teve um desempenho próximo à média para o ano, com alta acumulada de 2,36% -no ano, o índice acumula um salto de 23,53%. Apesar dos recordes seguidos nas últimas semanas, a Bolsa chegou a perder os 100 mil pontos no começo do mês com a piora nas relações comerciais entre China e Estados Unidos.

Na ocasião, dia 8, o secretário do comércio americano, Wilbur Ross, anunciou a inclusão de 28 empresas chineses à "lista suja" dos EUA. Empresas que ficam sob essa condição têm dificuldades em negociar com fornecedores americanos, uma vez que é exigido uma licença especial para a realização do comércio. 

Desde então, a relação comercial entre os países melhorou, as negociações avançaram e um acordo ficou palpável. Agora, os países pretendem assinar a 'fase 1' do acordo em novembro.

O cenário mais positivo casou com o último passo da nova Previdência no Congresso, finalizado no último dia 23 e nas últimas duas semanas, o Ibovespa superou sua máxima histórica cinco vezes. O último foi na quarta (30), com o corte nos juros americano e brasileiro.

O cenário positivo, no entanto, se dissipou nesta quinta-feira (31). Segundo reportagem da Bloomberg, a China não estaria disposta a ceder nas questões mais espinhosas da guerra comercial entre os países. Os chineses estariam preocupados com a impulsividade do presidente americano Donald Trump e o risco que ele desista da 'fase 1' do acordo. 

Com a notícia, as principais Bolsas globais fecharam em queda. Nos Estados Unidos, Dow Jones caiu 0,52%, S&P 500, 0,30% e Nasdaq, 0,14%. Por lá, a aversão a risco foi compensada pelo bom desempenho de Apple, que subiu 2,26%, e Facebook, que teve alta de 1,8%.

No Brasil, a queda da Bolsa foi impulsionada pelo tombo de Bradesco e Gol, com Ibovespa cedendo 1,10%, a 107.219 pontos, menor patamar em uma semana.

As ações da companhia aérea despencaram 5,79%, a R$ 36,60, maior queda do Ibovespa. A empresa teve redução de 54,6% em seu prejuízo líquido, que foi de R$ 242 milhões no terceiro trimestre, fruto, em parte, de menor incidência de impostos.

Segundo a XP Investimentos, os resultados foram bons e em linha com as expectativas. A forte queda das ações pode ser um movimento de realização de lucros, já que na véspera elas atingiram a máxima desde o começo de agosto.

Mesmo com aumento no lucro, as ações do Bradesco caíram 4,12% (ordinárias), a R$ 32,85, e 4,09% (preferenciais), a R$ 35,17. Segundo analistas, o crescimento de lucro líquido de 19,6% no terceiro trimestre deste ano (R$ 6,5 bilhões) em comparação ao mesmo período de 2018 foi baseado em menores despesas e impostos, com pouco crescimento dos carros-chefe do banco, como a margem financeira com clientes.

A Guide Investimentos destaca a "dificuldade na expansão da receita da área de serviços, redução do resultado da área de seguros, previdência e capitalização (segmento em que é líder no Brasil), leve queda no retorno sobre PL e aumento das despesas".
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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