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SELIC

Copom se reúne sob forte expectativa de novo corte na taxa de juros

Publicado em: 29/10/2019 07:32

 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (29) a penúltima reunião deste ano para definir a taxa básica de juros (Selic). A aposta dos analistas é de que o colegiado fará mais um corte de 0,5 ponto percentual, que deve ser anunciado nesta quarta-feira (30). No fim de julho, a autoridade monetária iniciou um ciclo de cortes chegando ao patamar atual de 5,5% ao ano. Se as projeções do mercado se confirmarem, a Selic deve ficar em 5% ao ano, novo piso histórico.

Para o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Felipe Queiroz, a Selic deve diminuir em meio ponto neste ano e em mais meio ponto em 2020. “Em um cenário de inflação abaixo da meta e todos os indicadores apontando que o nível de atividade está abaixo do previsto, ou seja, desemprego alto e economia crescendo abaixo das expectativas, a previsão é de que há espaço para reduzir mais a taxa de juros”, disse Queiroz.

O economista reforçou que o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (28), converge para esse cenário de  Selic a 4,5% ao ano a partir do ano que vem e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) quase um ponto percentual abaixo da meta, de 4,25%. “O cenário internacional não é de crescimento econômico, isso pode gerar pressão inflacionária. As expectativas estão se deteriorando com risco de recessão até no ano que vem. Isso afeta as expectativas e a economia real. Tudo isso contribui para que haja queda não apenas da taxa de juros, mas da atividade econômica”, avaliou.

Há quem aposte na Selic abaixo de 5% ainda em 2019, com corte de 0,75 ponto percentual, mas o coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, ponderou: “O mercado imagina que possa cair mais de meio ponto. Qualquer sinalização já é positiva. Já estamos em um patamar historicamente baixo e é compreensível essa expectativa. Como a economia não pegou o ritmo que se esperava, um corte adicional na Selic pode ajudar, mas não é certo”, destacou.

A Selic mais baixa ajuda a diminuir a velocidade de crescimento da dívida pública, entretanto, não é suficiente para reverter o endividamento. “Vai continuar crescendo por um tempo pelo deficit primário que ainda existe e continuará alto até que a economia comece a crescer novamente. Só quando o crescimento econômico for retomado, será possível verificar a reversão da dívida, fator essencial para a estabilização”, disse o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira.

Apesar da queda histórica, o novo piso histórico não é refletido nas taxas cobradas pelos bancos aos consumidores, que continuam altas. O spread bancário médio de pessoas físicas, a diferença entre o custo de captação do dinheiro que o banco paga para deixar o dinheiro em conta-corrente, poupança ou outro investimento, e aquele cobrado nos empréstimos bancários, passou de 45,5 ponto percentual para 45 na variação mensal.

Concentração
Para Felipe Queiroz, os juros altos são resultado da concentração bancária e uma taxa de desemprego alta, já que é levada em consideração a inadimplência. “O custo do empréstimo para as famílias e empresas é muito elevado no país. Desde 2016, os bancos têm mudado a sua estratégia e se os bancos públicos aderem a taxas mais agressivas, isso sobe as taxas dos outros bancos”, acrescentou o pesquisador.
Ricardo Teixeira argumentou que a justificativa da inadimplência deve ser atenuada nos próximos meses com o cadastro positivo. “Há expectativa de que o histórico de crédito das pessoas passe a ser melhor acompanhado e que, assim, instituições consigam fazer melhor avaliação de bons pagadores na hora de conceder financiamentos”, disse.
 
Dívida de servidor aumenta 13,7%
O endividamento do servidor aumenta paulatinamente desde dezembro de 2018. Naquela época, no crédito consignado, havia R$ 188,531 milhões em poder dos funcionários públicos. De lá para cá, o valor aumentou para R$ 212,852 milhões, segundo o Banco Central. Nos últimos 12 meses, o empréstimo dessa modalidade subiu 13,7%, percentual superior ao registrado pelos trabalhadores do setor privado (13,5%) e dos beneficiários do INSS (10,6%) no mesmo período. Em setembro, o apetite por dinheiro do funcionalismo também foi superior ao dos demais: 1,5% de alta no confronto com o mês anterior, contra 0,8% e 0,5%, respectivamente.

Quando a análise se restringe apenas aos nove meses de 2019, a alta na busca pelo consignado dos servidores (12,9%) foi menor que a dos empregados privados (15,1%), mas acima da dos aposentados (9,2%). O que chama a atenção, no entanto, é o montante total na mão do funcionalismo, R$ 212,8 milhões. O valor representa 74,8% do total de recursos emprestados em forma de consignado para todos os cidadãos do país, em setembro, que é de R$ 372 milhões.

Mesmo que a demanda tenha, em algumas comparações, sido maior para os trabalhadores da iniciativa privada, o valor global desse público ficou em R$ 22,483 milhões — e eles são cerca de 33,1 milhões de pessoas com carteira assinada no Brasil. Enquanto o funcionalismo, que lançou mão de quase sete vezes mais, são aproximadamente 11,3 milhões no país. Os aposentados — 20,3 milhões de inativos — embolsaram R$ 136,7 milhões.

O grande problema, principalmente para os servidores, é a falta de educação financeira, de acordo com Davi Telles, advogado e consultor financeiro. “O funcionário público fica mais encalacrado porque acaba recorrendo a vários bancos e categorias de crédito. No consignado, descontado em folha, o valor não pode ultrapassar os 30% do salário líquido. Mas, então, ele compromete o orçamento com crédito direto ao consumidor (CDC), cheque especial, cartão de crédito, entre outros”, destacou. O consignado tem taxas mais atrativas e é aconselhável quando trocado por dívidas mais caras. “Os servidores são muito procurados pelos bancos porque, além do salário alto, têm estabilidade”, disse.

Argentina endurece controle do câmbio
O Banco Central da Argentina decidiu controlar o mercado de câmbio de forma mais dura para preservar as reservas internacionais, no dia seguinte às eleições presidenciais que deram a vitória ao opositor Alberto Fernández. “Na semana passada, observamos uma demanda importante por dólares. Dado o risco disso ser mantido nesta semana, decidimos aprofundar os controles. A partir de hoje (esta segunda-feira - 28), reduzimos o valor máximo que as pessoas podem comprar para 200 dólares por mês”, anunciou o presidente do Banco Central, Guido Sandleris. Ele afirmou que, desde as primárias em agosto, quando Fernández se tornou favorito, as reservas caíram US$ 22 bilhões. “Do total, US$ 12 bilhões foram antes de aplicados os controles em setembro e outros US$ 10 bilhões desde então”, disse Sandleris.
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