Mercado Bolsas têm forte queda após nova rodada de indicadores reforçar medo de recessão global

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 02/10/2019 21:10 Atualizado em:

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Dessa vez foram dados de criação de empregos nos Estados Unidos, com desempenho muito aquém do previsto e desenhando uma trajetória de queda. Baseado nesse indicador, investidores voltaram a adotar uma postura defensiva nos mercados de risco, antevendo desaceleração da economia americana a efeitos disseminados pelo mundo.

O resultado é o tombo de mais de 1,5% nas Bolsas americanas e que chegou a superar os 3% na Europa nesta quarta-feira (2). No Brasil, o Ibovespa caiu quase 3% e se reaproximou dos 100 mil pontos.

Já o dólar cai ante a maioria das divisas emergentes.

Empregadores do setor privado americano contrataram 135 mil pessoas em setembro, número menor que os 157 mil de agosto. A decepção é ainda maior porque houve uma revisão do dado daquele mês, inicialmente anunciado como 195 mil postos de trabalho gerados.

O indicador de emprego foi anunciado um dia após um indicador mostrar um enfraquecimento da produção industrial dos Estados Unidos, reforçando preocupações de investidores com os danos causados pela guerra comercial travada pelo presidente americano, Donald Trump, contra a China. 

"A única coisa que está sustentando o PIB (Produto Interno Bruto) americano é o consumo, mas consumo depende de emprego. O mercado começa a ver que talvez o principal pilar do bom momento da economia americana está começando a ruir", afirma Victor Candido, economista-chefe e sócio da Journey Capital.

Para ele, porém, os números ainda são incipientes para se antecipar uma recessão.

Ainda nesta quarta, a OMC (Organização Mundial de Comércio) autorizou os Estados Unidos a impor tarifas sobre produtos europeus em uma disputa ligada à Airbus.

O processo de impeachment contra Trump, que ele passou a chamar de golpe, tampouco ajuda na confiança de investidores. Pesquisa elaborada pelo site Five Thirty Eight mostra que o apoio a um eventual impeachment do americano agora é maior que a rejeição a sua remoção da presidência.

A situação dos mercados na Europa é ainda pior após o premiê britânico, Boris Johnson, anunciar seu plano para o brexit e repetir que, se não for aprovado, o rompimento com a União Europeia poderá ser feito de forma abrupta. Em sua terceira data para ocorrer, o brexit está marcado para o dia 31 de outubro.

O resultado foi um tombo de 3,23% no índice FTSE 100, o principal do Reino Unido. Foi a maior queda diária desde 2016.

No Brasil, a reforma da Previdência foi aprovada em primeiro turno no Senado, mas as disputas políticas ameaçam o calendário do segundo turno.

Houve ainda uma derrota da equipe econômica na casa, com a derrubada das novas regras que restringiram o acesso ao abono salarial. O ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu retaliação, o que certamente não ajuda no debate dessa e de outras pautas econômicas que tramitam no Congresso.

"O mercado vive de expectativa: tem frustração [de expectativa de economia] se for embutir uma reforma mais forte no preço. Foi uma derrota tão boba", afirma Candido.

Nesta quarta, a Câmara conseguiu bloquear a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para a divisão dos recursos do leilão do petróleo do pré-sal, cuja concorrência está marcada para 6 de novembro.

O resultado é que o mercado brasileiro, sem notícias novas e positivas, acompanha o exterior.

O Ibovespa caiu 2,90%%, a 101.031 pontos. O giro financeiro foi de R$ 17,214 bilhões, em linha com a média diária do ano.

A queda foi puxada principalmente pela Vale, que recuou 5,47%. O tombo não foi isolado: as principais mineradoras com ações negociadas em Bolsa recuaram, reflexo desse temor de desaceleração global.

Pesaram ainda sobre o Ibovespa os papéis de Petrobras, que caíram ao redor de 3%, e as ações do setor financeiro, com perdas entre 2,5% e 4%.

O dólar também recuou nesta quarta após um dia de grande volatilidade. A moeda chegou a subir a R$ 4,1830, mas inverteu o sinal. De 24 divisas emergentes, 13 avançam ante a moeda americana.

Ao fim do pregão, o dólar terminou em queda de 0,67%, a R$ 4,1350.


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