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Avaliada em US$ 1 bilhão, Ebanx se torna o novo unicórnio brasileiro

Publicado em: 17/10/2019 08:01

Ebanx/Divulgação
O Brasil está se tornando um celeiro de unicórnios, como são chamadas as startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Nesta quarta-feira (16), o Ebanx, fintech que processa pagamentos, entrou para o seleto grupo após investimento — o valor do aporte não foi revelado — do fundo americano de private equity FTV. O Ebanx já havia recebido um aporte da FTV em 2017, no valor de US$ 30 milhões.

A entrada do Ebanx na lista dos unicórnios é simbólica por diversos motivos. Nascido e sediado em Curitiba, no Paraná, o Ebanx é o primeiro unicórnio da região Sul do Brasil. Com a maioria dos negócios concentrados no Sudeste, o surgimento e consolidação de uma startup fora dos principais centros é um sinal do amadurecimento do ambiente brasileiro de negócios.

“Um país que quer aproximar seu ecossistema de negócios dos principais países do mundo precisa ter variedade de polos empresariais e de inovação”, diz o consultor especializado em tecnologia Lauro Figueiredo. “É assim nos Estados Unidos e na China. Uma nação de dimensões continentais como o Brasil precisa ter grandes centros inovadores espalhados por diversos Estados”.

O segundo motivo que chama a atenção no crescimento do Ebanx é o fato de estar, de alguma forma, conectado a grandes grupos globais. A startup processa pagamentos cross-border, como é chamado no mundo das fintechs o comércio transfronteiriço. Para simplificar: o Ebank ajuda grandes empresas estrangeiras como Netflix, Airbnb, Spotify e Aliexpress a vender produtos e serviços no Brasil com pagamentos em moeda local. Ou seja: milhões de pessoas são inevitavelmente clientes da startup curitibana, mas poucos ouviram falar dela.

O Ebanx foi fundado em 2012 e teve como modelo inspirador o serviço de pagamentos on-line da americana PayPal, uma das maiores empresas do mundo nesse ramo. Seus três sócios — Alphonse Voigt, Wagner Ruiz e João Del Valle — ficaram com 70% do controle das ações da companhia, mesmo depois do aporte feito pelo fundo FTV.

Voigt conheceu Ruiz depois de uma experiência traumática. Advogado especializado em direito internacional, ele quebrou a coluna após saltar de paraquedas. No processo de recuperação, decidiu fazer um curso de desenvolvimento pessoal — Ruiz era o professor. As aulas acabaram se tornando discussões sobre oportunidades de negócios e eles resolveram enveredar para a área de pagamentos on-line. O trio seria completado mais tarde com a entrada na sociedade de del Valle, que era dono de uma empresa de tecnologia.

O negócio prosperou. Em 2019, o Ebanx deve faturar US$ 150 milhões, o dobro do resultado obtido no ano passado. A empresa faz dinheiro ao cobrar uma comissão, que varia de 3% a 5%, sobre os pagamentos que processa. Projeções indicam que ela deve encerrar o ano com US$ 2,1 bilhões de pedidos processados. O crescimento tem sido veloz. A empresa iniciou 2019 com 400 funcionários. Atualmente, são 600 e há dezenas de vagas abertas à espera de candidatos para preenchê-las.

Além do mercado brasileiro, o Ebanx atua também no México, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Equador e Bolívia. Em comunicado, a empresa informou que pretende dar continuidade à expansão na América Latina e tem a meta de, até 2022, “ser líder tanto em pagamentos cross-border quanto em pagamentos locais”.

Os unicórnios estão se multiplicando no país. Em setembro, o QuintoAndar, startup especializada no aluguel de residências, recebeu uma nova rodada de investimentos do banco japonês SoftBank, que fez com que entrasse para o grupo. Em junho, foi a vez da empresa de entregas Loggi, que recebeu investimentos de cinco grandes companhias (entre elas, da Microsoft). Com a melhora do ambiente de negócios e a esperada retomada econômica, a tendência é de que novos unicórnios surjam no país.
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