queda Atividade da indústria brasileira caiu 15% nos útimos 5 anos

Por: Danielle Santana - Diario de Pernambuco

Por: Agência Estado

Publicado em: 01/10/2019 08:06 Atualizado em: 01/10/2019 09:28

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Na contramão da produção industrial mundial, que registrou o crescimento de 10% de 2014 até agora, a atividade da indústria brasileira apresentou uma queda de 15% nos últimos 5 anos, sem recuperar o patamar existente antes da recessão. Economistas afirmam que, caso o Brasil não se recupere, o risco de deixar de estar entre os dez maiores países industriais do mundo é grande. 

A diferença pode ser explicada por problemas estruturais enfrentados pelo setor brasileiro, além dos diversos choques sofridos na atividade das fábricas nos últimos tempos. Somandos os efeitos negativos da recessão enfrentada pela Brasil de 2015 a 2016, a indústria, que tem peso de cerca de 11% no Produto Interno Bruto (PIB), deverá sofrer uma nova retração neste ano, após registrar alta em 2017 e 2018, influenciada pela desaceleração global. 

A economista Laura Karpuska, da BlueLine Asset, sistematizou dados da produção industrial mundial e constatou que nos países emergentes, com excessão da China, a atividade cresceu 8% desde 2014. Na América Latina, o crescimento foi de 4%, com destaque negativo para o Brasil. 

A queda nas exportações para a Argentina, afetando os manufaturados, pode ter tirado cerca de 0,7 ponto percentual do PIB nos anos de 2017 e 2018. A greve dos caminhoneiros em maio do ano passado e a tragédia com o rompimento da barreira da Vale, em Brumadinho (MG), são fatores que ajudam a explicar a situação, de acordo com Laura Karpuska. 

“À exceção da Argentina e dos problemas gravíssimos da Venezuela, a crise industrial do Brasil foi uma das mais profundas da América Latina, e a recuperação tem sido das mais frustrantes possíveis também”, afirmou o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A entidade alerta que, se seguir nesse ritmo, o Brasil poderá perder sua colocação no ranking de maiores países indústriais. 

O baixo desempenho reflete a fraca demanda e os problemas estruturais de competitividade e produtividade, como o baixo investimento e o parque produtivo obsoleto. Segundo Cagnin, o risco da atividade industrial fechar em queda no ano de 2019 é cada vez maior. 

Agosto
A produção industrial subiu 0,8% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta terça-feira, dia 1º, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio acima da mediana das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, positiva em 0,2%, e dentro do intervalo das previsões, de queda de 0,5% a avanço de 1%.

Em relação a agosto de 2018, a produção caiu 2,3%. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de uma queda de 4,0% a 1,3%, com mediana negativa de 3,15%.

No ano de 2019, a indústria teve queda de 1,7%. No acumulado em 12 meses, a produção da indústria acumulou recuo de 1,7%.



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