DADOS ALTA CONECTIVIDADE Pernambuco na rota mundial da alta conectividade

Publicado em: 07/09/2019 08:30 Atualizado em: 06/09/2019 21:22

Operação deve ter início no segundo semestre de 2021. Foto: Seaborn Network / Divulgação
Operação deve ter início no segundo semestre de 2021. Foto: Seaborn Network / Divulgação
Pernambuco na primeira classe da internet mundial. As palavras do consultor e pesquisador Sílvio Meira definem bem o que significa para o Estado o investimento de mais de R$ 200 milhões na implantação de uma rede de transmissão via cabos submarinos, anunciada ontem pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Bruno Schwambach. O início da operação está previsto para o segundo semestre de 2021, um ano e meio após a implantação da infraestrutura submersa que ligará Recife a cidade de New Jersey, nos EUA. Algo que promete colocar o Estado na rota mundial da alta conectividade. Para isso, haverá o investimento de um grupo de cinco empreendedores locais e a participação do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife enquanto intermediadores com a empresa responsável pela empreitada, a norte-americana Seaborn Networks, sediada em Boston, Massachusetts (EUA).

A Seaborn já implantou 260 mil km de cabos óticos submarinos em todo o planeta. A conexão que ligará Pernambuco à Internet Global será de 500 quilômetros, fazendo uma “ponte” entre a capital pernambucana e a já existente estrutura de 10,5 mil km de cabos do SeaBras-1, que começa em Nova York e vai até Praia Grande, em São Paulo, pelo fundo do mar. A velocidade de transmissão será de 12 Tbps (terabits por segundo) e a tecnologia a ser implementada é da Alcatel-Lucent, empresa global de telecomunicações sediada na França.

A entrada da capital pernambucana na rota mundial de tráfego de dados em alta velocidade começou há pouco mais de dois anos. Bruno Schwambach conta que quando ainda era secretário de desenvolvimento sustentável e meio ambiente da Prefeitura do Recife, percebeu a necessidade de Pernambuco tornar-se também um hub na conexão de dados e as “falhas” existentes no sistema. “A tecnologia desenvolvida a partir dos Estados Unidos não percorria grandes distâncias e tinha que vir pela praia, descendo pelo Caribe até chegar ao Brasil. Assim, Fortaleza era a primeira parada, por uma questão geográfica”, explica. A conexão do restante dos estados com a internet global faz-se, atualmente, por lá, o que representa, para muitos deles, custo maior e qualidade mais baixa devido à perda de latência (tempo de resposta).

Em 2018 começaram a surgir novas tecnologias como a da Seaborn que permitiu esta conexão direta entre Nova Jersey e São Paulo. São 10.500 km de cabo sem nenhuma parada, diferente do que vinha pelo Caribe. A Bolsa de Valores de São Paulo, por exemplo, conecta-se diretamente com a de Nova York por meio do SeaBras-1 . Outra vantagem é que este cabo está localizado fora da rota dos furacões, portanto apresenta menos vulnerabilidade. A empreitada tornou-se mais viável, ainda, porque, ao fazer a ligação com São Paulo, a Seaborn construiu, no cabo, uma espécie de “joelho”, como se denomina na construção civil, já prevendo a criação de uma conexão nova. O cabo de 500 km que chegará ao Recife será conectado a este “joelho” e de lá para a terra. Se fosse feita a conexão “do zero”, seria necessário um de 7 mil quilômetros ao custo aproximado de R$ 290 milhões de dólares, ao contrário dos R$ 50 milhões a serem investidos.

Investidores locais serão sócios do empreendimento, a pedido da Seaborn. O projeto foi apresentado, em 2018, a um grupo de 25 empresários. Cinco deles, capitaneados por Halim Nagem Neto, da Nagem Informática, embarcaram, literalmente, na ideia. A partir da entrada no licenciamento, que deve acontecer até o final do ano, o início da operação deve acontecer no prazo de 18 meses. Ou seja, segundo semestre de 2021. O serviço, então, será comercializado para as grandes operadoras de telefonia e internet que, a partir daí, oferecem contratos, ofertas e serviços para os clientes. Com este projeto, os aportes na economia do Estado ultrapassarão os R$ 13,5 bilhões.

Um novo e breve futuro

A economia recifense, que tem quase 60% do seu PIB de R$ 49,5 bilhões por ano atrelado ao setor de serviços, deve atrair empresas que ainda não estão instaladas no Recife, mas dependem de comunicação direta com as Américas, Europa e Ásia. “Isto abre um grande conjunto de alternativas para a instalação de novos empreendimentos e a ampliação de uma série de outros, gerando mais empregos e renda”, destaca o governador Paulo Câmara. Outra benesse a longo prazo é a possível chegada de Data Centers, validados a partir da conexão submarina. Para o cidadão comum, a promessa de melhoria mais direta é no dia a dia e nos serviços, a exemplo do ensino a distância. A saúde também beneficia-se com melhor conexão para videoconferências nos hospitais, por exemplo. “A produtividade da economia como um todo melhora muito. Somos um hub aéreo, portuário, logístico. Não poderíamos ficar de fora de ser o maior porte de conexão de dados também. O mercado tende a explodir e nos posicionamos pra entrar no jogo com a mais alta tecnologia”, adianta o secretário de desenvolvimento econômico.

Sílvio Meira, presidente do Conselho do Porto Digital, consultor do C.E.S.A.R e pesquisador da FGV Rio, classificou a novidade como a melhor notícia sobre infraestrutura em Pernambuco. “Na prática, Recife passa a estar no mesmo patamar de conectividade global de São Paulo e Nova York. Entramos, agora, na primeira classe da internet mundial. Recife acabou de entrar no grande jogo de conectividade da internet global. E na primeira divisão”, conclui.


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