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Indústria de Pernambuco tem a segunda maior queda entre os 15 locais analisados

Publicado em: 11/09/2019 09:00 | Atualizado em: 10/09/2019 19:15

Setor de borracha e plástico vinha impulsionado pela fábrica da Jeep, mas agora caiu por conta do recuo nas exportações para a Argentina. Foto: Leo Lara/Divulgação

A indústria pernambucana registrou o segundo maior recuo em julho deste ano em relação ao mesmo mês de 2018 entre os 15 locais pesquisados. A queda foi de 3,9% na série com ajuste sazonal, atrás apenas do Amazonas (-6,2%), e chegou ao recuo de 10,2% sem a variação da estação, atrás do Espírito Santo (-14,2%). Nos dois casos, o desempenho acompanhou a retração da média nacional, de -0,3% e -2,5%. Para Pernambuco, este foi o terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 8,6%, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Dois fatores são apontados como principais responsáveis pelo desempenho negativo do estado: o encerramento das atividades do Estaleiro Atlântico Sul e a retração na economia da Argentina, que impactou nas exportações.

A queda significativa na indústria de outros equipamentos de transporte impactou de forma direta no desempenho estadual, impactada pelo encerramento das atividades do Estaleiro Atlântico Sul. "A queda neste setor chegou a 74% e foi diretamente ligada ao estaleiro. A Petrobras , que era a única compradora do estaleiro, não estava mais encomendando navios porque estava optando por alugar navios já existentes, o que levou ao encerramento das atividades", detalha Cezar Andrade, economista e coordenador do Núcleo de Economia da Federação da Indústria do Estado de Pernambuco (Fiepe).

Outra parte do recuo assinalado em Pernambuco se deu por conta da queda das exportações para a Argentina e um dos segmentos específicos que sentiu os efeitos foi o de produtos químicos. "Ele recuou 42% no estado e, pela balança comercial, a queda nas exportações para os argentinos foi de 23%, então uma coisa impactou na outra", revela. Além disso, o setor de borracha e plástico também foi afetado. "É um setor que vinha crescendo bem nos últimos meses, impulsionado pela fábrica da Jeep, em Goiana. Mas agora veio uma retração de 9,3%, enquanto as exportações para a Argentina caíram 11% da borracha e 23% do plástico", pontua.

No acumulado do ano, Pernambuco teve uma queda menos acentuada, de -1,6%, a quinta maior, porém pareada com a média nacional, que foi de -1,7%. O estado teve desempenho positivo e acima da média brasileira no acumulado dos últimos 12 meses, de 0,8% contra -1,3% no país. Considerando a variação entre maio e julho deste ano, a indústria pernambucana teve retração de 2,1%, a quinta mais alta entre as cidades analisadas

A expectativa para os próximos meses, no entanto, é de melhora na indústria de Pernambuco. "O primeiro semestre normalmente é ruim em termos de produção da indústria de alimentos do estado porque temos uma dependência do setor sucroalcooleiro. Mas entre agosto e setembro a safra volta e o índice pode se recuperar por conta do setor de alimentos, que é o que tem o peso mais alto, de quase 30% dentro da indústria pernambucana", avalia Cezar Andrade.
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