EMPREGO Em tempos de crise, o que fazer para manter ou buscar um emprego?

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 01/09/2019 08:30 Atualizado em: 30/08/2019 17:46

Especialista dá dicas práticas para quem busca uma nova colocação. Foto: Divulgação / Américo
Especialista dá dicas práticas para quem busca uma nova colocação. Foto: Divulgação / Américo
Acordar cedo, pegar uma ou mais conduções, ficar horas dentro de um ambiente fechado. A rotina corriqueira de trabalho que para muitos pode parecer árdua, cansativa ou mesmo entendiante, é um verdadeiro sonho para tantos outros. Afinal, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil conta com nada menos do que 2,7 milhões de desempregados. No trimestre encerrado em maio, o desemprego no país foi de 12,3%, em média. Um panorama em que a concorrência configura-se como mais uma barreira a ser vencida. Como, então, estar apto a engajar-se, com chances, nesta verdadeira batalha?

Uma questão que pede a resposta de especialistas. Com vasta experiência na área, consultora Mariângela Schoenacker, elenca uma série de questões que precisam ser analisadas, além de atitudes a serem tomadas por quem busca uma colocação. É importante ter alguns aspectos muito claros em mente: a completa certeza a respeito do desejo de executar a função escolhida, o entendimento da configuração atual das necessidades do mercado e a importância de adquirir aprendizado.

O importante é, de acordo com ela, não pensar apenas neste mercado de trabalho, mas nas habilidades técnicas adquiridas ou pretendidas pelo profissional. É o momento de uma verdadeira reciclagem. “Vejo, por exemplo, uma vaga publicada e que não tenho 100% das características para me candidatar. Observo, ainda, que sempre solicitam mais tecnologia B ou C. Algo que não era importante antes, mas que agora se tornou. Então, vou atrás disso para melhorar minha competitividade”, ensina. 

Alerta, também, que o que importa em alguma função exercida no emprego anterior não é mais tanto o cargo. “As pessoas querem saber pelo que a pessoa era responsável e o que fez de diferença na empresa. Se ajudou a reduzir custos, melhorar estrutura. Há uma expectativa diferente dos profissionais em relação à forma de trabalhar”, revela. No mundo em transformação, onde muitas profissões mudam radicalmente, o passado de alguém não é garantia de mais nada. “O diferencial será como você está se atualizando, saindo da sua zona de conforto, buscando aprender sempre e contribuir além da sua área de expertise. A capacidade de adaptação às mudanças, a vontade e a habilidade de aprender rápido é que vão te diferenciar e permitir que tenha posições e remunerações melhores”, ressalta a especialista.

Questão salarial - A primeira coisa que se deve fazer ao ficar sem trabalho é organizar as finanças, entendendo que a recolocação no mercado pode demorar um pouco. É preciso ter plena clareza do que se necessita para manter o padrão de vida que deseja. A concorrência é maior, com mais ofertas de qualidade, portanto talvez a pessoa não consiga se colocar onde até já esteve há alguns anos. Ou até consiga, com uma remuneração menor. O profissional que busca uma oportunidade de recolocação no mercado, entretanto, deve aceitar, então, ganhar menos?. ““É necessário analisar o escopo da empresa, sua solidez, localização em relação à sua residência, clima entre os funcionários. Assim, pode tomar uma decisão com um todo de acordo com seu momento pessoal também. Deve-se entender, por fim, que mais importante do que o salário é ter um trabalho que tenha oportunidade de desenvolvimento de novas habilidades cooperando para construir negócios competitivos e que, de fato, agreguem valor para as pessoas”, analisa.

Aceitar desafios é essencial - aceitar uma posição desafiadora pode ser uma ótima forma de se manter visível no mercado, além de descobrir que é possível ser feliz fazendo coisas novas e vivendo de outro jeito. “Por exemplo, você pode ter trabalhado em uma multinacional, mas não tinha muito autonomia para criar ou desenvolver projetos. Já em uma média ou pequena empresa, mesmo que o salário seja menor, a possibilidade de ter mais participação nos processos e flexibilidade pode ser exatamente o que você estava procurando e te faz mais feliz naquele momento de vida”, esclarece Mariângela.

Empreendedorismo - mesmo que a pessoa esteja empregada, precisa entender o que acontece no mercado e ter planejamento para oferecer um diferencial. “Se é algo que nunca fiz e sonho, vou buscar”, afirma. Sempre de forma a atrair público, oferecendo algo de inovador ou não usual. Sebrae e Sala do Empreendedor, da Prefeitura do Recife, por exemplo, possuem informações e/ou cursos a baixos custos. É preciso, entretanto, ter cautela e ir aos pouco. “Mesmo que eu saiba e goste de fazer tapioca, por exemplo, não vou pegar toda a rescisão de 10 anos de trabalho e montar uma barraca”, explica.

SETE DICAS PRÁTICAS:

DICA 1 – Além das habilidades técnicas que possui, reflita sobre o que mais pode oferecer ao mercado. O que precisa aprender, que pessoas ou empresas deve conhecer, considerando seus objetivos. É o momento de refletir sobre trajetória profissional e aprendizados. Isto reforça a autoestima e ajuda a entender no que é necessário se reciclar.

DICA 2 - Busque ampliar sua rede de contatos. Neste período de transição, frequente cursos, eventos, workshops e seminários.

DICA 3 - Aceite trabalhos temporários, fazendo coisas que nunca fez antes, se for o caso. Isto pode render o aprendizado de uma nova habilidade, além de abrir portas.

DICA 4 – Tenha postura de protagonista. Entenda o que tem de forte e não se culpe pela demissão anterior. Não fale mal de chefe, colegas. Não culpe a crise. Tenha uma postura mais positiva. Olhe para a frente e foque a energia em buscar outras oportunidades.

DICA 5 – Não fique apenas em casa esperando o telefone tocar. Muitas vagas só são anunciadas internamente. Então, converse com pessoas das empresas onde gostaria de trabalhar. Não fique reclamando muito nas redes sociais e seja específico na ajuda que pede.

DICA 6 – Procure difundir conhecimento. Achar que só porque você sabe de algo signifique emprego garantido, não é verdade. Empresas precisam que se divida conhecimento.

DICA 7 – Outro grande erro é achar que ser amigo do dono ou trabalhar há muitos anos no mesmo local é sinal de estabilidade. A empresa pode mudar, ser comprada.

 Pessoas com mais de 50 anos também precisam se reciclar

Mudanças no mercado, nas empresas, no mundo. Alguns profissionais, empregados ou não, apresentam certa dificuldade em acompanhar esta dinâmica. Nas faixas etárias mais elevadas, por exemplo, o que acontece muitas vezes é uma certa resistência, ausência de vontade ou habilidade em adaptar-se ao novo cenário regido, em muita situações, pela onipresença das redes sociais. É o tal do DNA analógico em ação. Pessoas acima dos 50 anos são, entretanto, 17% da força de trabalho no Brasil, de acordo com pesquisa do portal Salários. Nestes casos, como adaptar-se às novas realidades?

Apesar das dificuldades que elas podem representar para algumas pessoas, ninguém pode mais estar mais desprovido das mídias sociais. “Posso entender quem não é adepto a elas e ninguém é obrigado a tê-las. Grande parte dos recrutamentos atualmente, entretanto, são feitos utilizando-as”, afirma. Além disso, explica que não é possível fugir do mundo virtual onde, em uma rápida pesquisa em sites de busca, aparecem todas as informações disponíveis sobre alguém, a respeito de processos por separação, por exemplo. “Se a pessoa teve outra vida totalmente diferente ou fez alguma bobagem no passado, isto estará lá. Às vezes, não tenho mídias mas meu amigo posta, me coloca lá e deixa tudo aberto. Então, apareço de uma forma que talvez não fosse apropriada. Se a pessoa tem uma mídia estruturada, entretanto, uma busca a favorece pois ela é a primeira coisa que aparece. Tenho que me preocupar com minha marca pessoal e isso é totalmente diferente de marketing. É com quero ser visto e lembrado, incluindo como um profissional sério”, explica.

Mesmo que a procura seja voltada para áreas em que não seja imprescindível o uso das mídias socais em sua atuação, a atualização é fundamental. Pessoas acima dos 50 são, por exemplo, a maioria dos contratados pelo segmento da construção civil no período entre dezembro de 2018 e julho de 2019 (43.951). Seguem-se a este os setores de limpeza, transporte e restaurantes. O que preciso não apenas para estes profissionais, mas para todos? “Buscar qualificação. Nestas áreas, por exemplo, levantar uma parede ou atender um cliente não é feito da mesma forma que há alguns anos. Então, a palavra-chave é, mais uma vez, atualização e capacitação”, afirma.



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