previsão Banco Central aposta em crescimento do PIB com dinheiro privado

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 27/09/2019 07:48 Atualizado em:

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Banco Central elevou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) do país, de 0,8% para 0,9% neste ano. Apesar da revisão, crescimento econômico projetado fica abaixo dos dois últimos anos, de 1,1%. O BC divulgou, ainda, a primeira projeção do PIB para ano que vem, a previsão é de expansão de 1,8%. Para o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, a melhor forma de contribuir para a melhora do PIB é manter a inflação baixa.

“Nossa missão é manter a credibilidade, que é o canal mais importante. O crescimento tem quantidade e qualidade. No passado, foi mais impulsionado pelo dinheiro público, mas foi o que chamamos de voo de galinha e o resultado foi a alocação ineficiente na economia e o crescimento foi interrompido”, disse.

De acordo com Campos Neto, o governo está tentando estimular o crescimento com dinheiro privado e, no modelo de política econômica liberal do atual, o papel do Banco Central é contribuir para a troca da dívida pública pela dívida privada. “O crescimento agora é mais lento, mas de qualidade superior. Essa recuperação, com as reformas, vai ser mais sustentável”.

No relatório trimestral de inflação, divulgado nesta quinta-feira (26/9), o BC reduziu as projeções para a inflação deste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 3,6% para 3,3%. Para 2020, passou de 3,9% para 3,6%; e para 2021 e 2022, de 3,7% e 3,8%, respectivamente. A meta central para a inflação é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.

Para Fernando Ribeiro Leite, professor do Insper, se por um lado a inflação sobre controle, com os juros mais baixos da história, são aspectos muito positivos, por outro, a atividade está muito deprimida e ainda há muito ociosidade do trabalho com 13% da população desempregada e 11% desalentados ou subempregados. “Resta saber quanto dos juros e da inflação baixos são tributárias da baixa atividade econômica”, afirmou. Ele afirmou que a redução da expectativa de crédito para empresas reflete a baixa credibilidade do setor produtivo.

Sem muita margem para contribuir com crescimento econômico por meio de política monetária, já que os juros estão no patamar mais baixo da história, para ele as questões política ganham mais relevância para atrair investimentos. “As questões sobre a política externa e ambiental do presidente Jair Bolsonaro contam, pois não é possível dissociar as questões políticas das econômicas quando se fala em expectativas”.

Na opinião de Campos Neto, com as incertezas no cenário externo, há chances de imprevistos. No entanto, ele afirmou que o “cenário central é benigno” e que o risco não afetou a avaliação das três dimensões consideradas pelo Banco Central para decidir sobre política monetária: reformas, cenário externo e potencial de crescimento da economia.

O BC também revisou, pela segunda vez este ano, as projeções para a expansão do crédito: 6,5% para 5,7%. No início do ano, a expectativa era de aumento de 7,2% na concessão de empréstimos. Para 2020, o BC projeta aumento de 8,1%. Com relação ao estoque de crédito às famílias, a previsão é de que haja um aumento de 11% este ano, ante 9,7% da previsão anterior. Para empresas, a expectativa piorou, passando de alta de 2,5% para retração de 0,9%. 


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