Desmatamento Após alerta de fundos, governo diz que combate crise ambiental

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 18/09/2019 22:34 Atualizado em: 18/09/2019 22:51

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Após 230 fundos de investimento divulgarem um comunicado oficial em que exortam o Brasil a adotar medidas eficazes para proteger a floresta amazônica contra o desmatamento crescente, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse nesta quarta-feira (18) que o governo está adotando "todos os esforços" para fazer frente à crise ambiental.

"Estamos, por meio das gestões do ministério da Defesa e do ministério do Meio Ambiente, sob a coordenação do presidente da República, colocando todos os esforços do nosso país para atender esta crise referente às queimadas e desmatamentos", declarou Rêgo Barros.

"Sempre no entendimento de que o trabalho realizado pelo governo federal é de alto gabarito e que tem como objetivo final debelar essa crise, que é momentânea. E muito mais do que isso: reativar a narrativa de que é necessário a proteção ambiental com desenvolvimento sustentável e atenção à sociedade", concluiu o porta-voz.

Os fundos que emitiram o comunicado administram juntos US$ 16 trilhões (R$ 65 trilhões).

"Estamos preocupados com o impacto financeiro que o desmatamento pode ter sobre as empresas investidas, aumentando potencialmente os riscos de reputação, operacionais e regulatórios. Considerando o aumento das taxas de desmatamento e os recentes incêndios na Amazônia, estamos preocupados com o fato de as empresas expostas a desmatamento potencial em suas operações e cadeias de suprimentos brasileiras enfrentarem uma dificuldade crescente para acessar os mercados internacionais", diz a nota divulgada nesta quarta.

Somados, esses fundos gerem o equivalente a 9,5 vezes do valor do PIB brasileiro de 2018. Entre eles está a gestora britânica Aberdeen, que tem sob sua gestão 562 bilhões de euros (R$ 2,52 trilhões), segundo publicação da empresa europeia IPE, de junho deste ano. Ela possui participação na BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e em outras empresas do país. O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) enfrenta há semanas uma forte pressão internacional em razão da onda de queimadas na Amazônia.

Diante da repercussão negativa gerada pelos incêndios, o mandatário assinou uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para que as forças armadas auxiliem no combate às chamas.

O país também está buscando adotar outras ações no plano internacional para tentar reduzir a pressão externa sobre o Brasil.
O porta-voz anunciou nesta quarta que o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) está em Nova York para assinar um memorando de entendimento para a certificação de projetos sustentáveis na área de concessões.

De acordo com Rêgo Barros, o memorando será assinado com a Climate Bonds Initiative, organização internacional que promove investimentos de baixo carbono.

O porta-voz argumentou que a entidade faz certificação de projetos sustentáveis e que o Brasil busca com isso "selo verde para projetos de concessão de infraestrutura".

"O que permitirá aos investidores acessar financiamento no mercado de green bonds, que são títulos verdes. A certificação teria impacto nas metas de redução de emissões previstas no acordo de Paris", acrescentou.

Rêgo Barros disse ainda que a expectativa é que os projetos de concessão de ferrovias já estejam certificados no primeiro semestre do ano que vem e que o mercado de títulos verdes movimenta atualmente US$ 694 bilhões no mundo, sendo US$ 5 bilhões no Brasil.


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