OBSERVATÓRIO ECONÔMICO A vez das privatizações

Por: André Magalhães

Publicado em: 30/09/2019 11:41 Atualizado em:

Passada a Reforma da Previdência, embora ainda que não oficialmente, o Governo Federal tem se voltado para outras pautas econômicas importantes. Os pontos de interesse são muitos, mas há um ponto que parece ser o eixo central da gestão: a redução do tamanho do Estado. Dentro dessa visão, a atual gestão começa a centrar esforços no projeto de privatização das empresas estatais. 

Há sempre grande resistência à ideia de privatização no Brasil. O governo Temer tentou dourar a pílula, dando um nome mais suave ao processo (criando o Programa de Parcerias de Investimentos). O atual governo não deve ter essa preocupação. Afinal, esse sempre foi um ponto claro nas propostas de gestão.

Reações contrárias à proposta irão surgir de todos os lados. Os motivos serão os mais distintos. Há os que não aceitam a privatização, ponto. O Estado é que deve tomar conta de tudo! É uma forma de ver o mundo! Há também os que não conseguem aceitar a ideia de “entregar” ao setor privado empresas que supostamente são importantes para o Estado ou para a segurança do país. Esse era um argumento, por exemplo, utilizado nas discussões da privatização das empresas de telefonia na década de 1990. Não poderíamos permitir que empresas privadas tivessem acesso ao setor. Era preferível não ter comunicação, como era a realidade da época. 

Aos que não lembram, antes da privatização do setor, pessoas privilegiadas ganhavam dinheiro alugando linhas para os que não conseguiam obter o serviço diretamente das estatais. A privatização democratizou o acesso. E mais, não tivemos problema de segurança nacional. 

Do ponto de vista econômico, não há argumentos plausíveis para que o Estado seja dono dessas empresas. O setor público é menos eficiente do que o setor privado. Se por nenhum outro motivo, pela simples interferência de interesses difusos, muitas vezes pouco ligados ao objetivo principal das empresas. 

Como já argumentei em artigo anterior, outro fator que motiva o ataque às privatizações é menos nobre. Essas empresas viraram territórios de grupos políticos. Elas representam fonte de poder e riqueza. Como tal, nenhum grupo político quer abrir mão desses espaços. Todos os tipos possíveis de argumentos serão utilizados aqui. Interesse nacional, importância regional, etc. O simples fato de termos tantos políticos defendendo a não privatização já deveria ser uma indicação clara de que esse é o caminho a ser seguido. 

A privatização trará ganhos de produtividade para o país. Além disso, o setor privado terá a capacidade de fazer os investimentos necessários para garantir melhores estruturas e serviços. Os serviços ficarão melhores. Os consumidores sairão ganhando. Isso deveria ser motivo mais do que suficiente para justificar o processo. 



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