Análise Resultado do PIB mostra recuperação gradual da economia, diz Ana Paula Vescovi

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 29/08/2019 14:31 Atualizado em: 29/08/2019 14:53

Ana Paula Vescovi afirma que trabalho que vem sendo feito está aumentando a produtividade da economia. Foto: Arquivo / Agência Brasil
Ana Paula Vescovi afirma que trabalho que vem sendo feito está aumentando a produtividade da economia. Foto: Arquivo / Agência Brasil
Apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) ter apresentado um crescimento de 0,4% no segundo trimeste em relação aos três primeiros meses do ano, segundo o IBGE, e afastar o risco de o país entrar em uma recessão técnica, o número mostra que o crescimento da economia brasileira ainda caminha a passos lentos, segundo Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander e ex-secretária do Tesouro Nacional. Porém, ela acredita que todo o trabalho que vem sendo feito desde 2016 está conseguindo aumentar a produtividade da economia nacional e que as reformas, inclusive a da Previdência, estão sendo feitas para reforçar esse panorama.

"Os números atestam o que estamos falando da leitura da economia brasileira. Temos uma recuperação, mas é lenta. Todas as ações que têm sido feitas aumentam o potencial de recuperação sustentada, não é de curto prazo, temos que entender que teremos uma recuperação gradual, é muito, muito lenta", disse Ana Paula Vescovi. Ela reforça que o fato de a Argentina ter declarado moratória de parte de sua dívida de curto prazo não deve afetar o país. "A Argentina já estava em uma posição econômica muito frágil, já estávamos com as exportações frágeis, e temos a perda de comércio. Mas o impacto será limitado porque a economia argentina já vinha muito fraca", acrescentou.

Porém, ela acredita que as reformas serão importantes para impulsionar o crescimento da economia brasileira e que a da Previdência se torna importante para evitar o colapso das contas públicas. "Se não fizer a reforma, a consolidação será muito lenta", ressaltou. A economista-chefe do Santander, no entanto, pontuou que mesmo com a aprovação da Reforma da Previdência e com a regra do teto sendo cumprida, a dívida pública bruta ainda vai subir, chegando ao pico de 81,5% do PIB entre 2022 e 2023 e começando a descer a partir de 2026. "Mesmo não sendo 100% ideal, é uma reforma importante. E que venham as próximas, essa é a primeira de várias para chegar a um patamar de desenvolvimento", acrescentou.

Previdência privada
Por outro lado, com a aprovação da Reforma da Previdência, a expectativa é que os brasileiros fiquem mais atentos à necessidade de poupar para o futuro. Se ao longo dos últimos anos o número de clientes que investem na previdência privada se manteve estável, apesar de o aporte ter crescido, mostrando uma maior capacidade de aplicação, a estimativa é que esse percentual cresça com as novas regras. E os bancos já estão de olho nessa fatia de mercado. O Santander, por exemplo, aposta em um novo modelo para atrair a portabilidade das carteiras e ainda ampliar o número de brasileiros que aloquem dinheiro na previdência privada.

"Pelo contexto, com o patamar de juros mais baixo tornando os fundos de renda fixa desvantajosos, o público vai começar a pensar em previdência privada e as pessoas vão precisar de soluções. Depois de acabar as taxas de entrada e saída da previdência privada há um ano e mexer no mercado, que acompanhou nosso movimento, hoje vamos reposicionar o spread na indústria da previdência privada", afirma Gilberto Abreu, diretor de investimentos do Santander. O banco passa a cobrar taxa máxima de administração de 1% para clientes que depositarem R$ 30, taxa que pode chegar ao percentual mínimo de 0,5% para outras aplicações.

Para Marcelo Malanga, presidente da Zurick Santander, existe espaço para portabilidade no cenário nacional da previdência privada e também para diversidade das aplicações. A taxa média de portabilidade gira em torno de 3%, 86% das reservas de mais de R$ 800 bilhões estão concentradas em quatro players e 85% da carteira de previdência privada está concentrada em renda fixa, sendo 35% aplicados em fundos com taxas de administração superiores a 1%. Além disso, há uma concentração regional e o Sudeste lidera as aplicações na previdência privada, com 62,8%, seguido do Sul (15,3%), Nordeste (11,6%), Centro-Oeste (7,3%) e Norte (2,9%). "Percebemos uma concentração grande. Os mesmos poupadores estão investindo mais, mas com níveis de portabilidade ainda pouco explorados. Quase 40% estão em um produto com taxa de administração muito alta", ressalta.

O Santander lançou ainda um site para que qualquer cliente, inclusive os não correntistas, possa fazer uma comparação financeira da previdência privada que ele está e a do banco com as novas taxas de administração. "Ele vai colocar as informações do plano atual e vamos avisar se temos uma condição melhor, simulando e comparando a rentabilidade", explica Abreu. A instituição financeira também vai oferecer fundos com diversificação de carteira com produtos que respeitam as características dos clientes, inclusive os que querem aumentar a alocação em ambientes de maior risco.


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