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FHC: impressão que se tem é a de que Guedes não tem o ''poder necessário''

Publicado em: 01/07/2019 21:59

Foto: Agência Brasil (Foto: Agência Brasil)
Foto: Agência Brasil (Foto: Agência Brasil)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), um dos pensadores do Plano Real, disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não aparenta ter a força necessária para levar o país adiante e que apresenta dificuldades de se relacionar com o Congresso. Para ele, o governo federal precisa entender que o Parlamento tem força e que os “impulsos” do presidente Jair Bolsonaro “assustam”. 

Durante vídeo reproduzido na abertura do Correio Debate sobre os 25 anos do Plano Real (assista abaixo), Fernando Henrique afirmou que crença e confiança são fatores que têm mais força na vida econômica contemporânea e que, por isso, o governo federal precisa compreender que as instituições são fortes e funcionam. Durante os primeiros seis meses de mandato, o Palácio do Planalto teve atritos com outros Poderes, principalmente o parlamento. 

“Eu vejo o ministro Paulo Guedes de vez em quando na televisão. Ele crê (no que diz), que é algo importante. Eu não vou discutir se está certo ou errado, mas ele acredita naquilo. Só que ele não tem o jeito de lidar com o Congresso”, declarou o ex-presidente. “Os impulsos presidenciais que assustam. Demite. Muda. Dá a impressão que o ministro da Economia não tem tanto poder quanto é necessário para levar adiante o país”, completou.

"Sem credibilidade, as coisas não vão"

O tucano destacou que é preciso respeitar e compreender as instituições e “não expulsá-los”. “O povo conta. Tem que falar com a nação. Ganhar a nação e ter respeito do Congresso. Existe a burocracia pública que tem o seu valor também e não pode se deixar levar por ideologias. Há interesses concretos e do país. As reformas não se fazem de supetão. Elas vão acontecendo, mesmo a da Previdência”, destacou FHC. 

Ele lembra que a implementação do Plano Real foi um processo difícil, mas que se baseou na previsibilidade. “Sem credibilidade, as coisas não vão. Quando fizemos, muitos já tinham trabalhados nos planos anteriores. Não é um ato. É um processo que leva tempo para se estabilizar. Nós anunciamos com antecipação o que iríamos fazer para ganhar credibilidade. Você tem que ganhar a população e não ganhar o mercado. Mercado ganha quando eles ganham dinheiro, a população é quando é bom para ela”, frisou.

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