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Notícia de Economia

greve dos caminhoneiros

Pacote para tentar frear nova greve

Por: AE

Publicado em: 17/04/2019 08:49 | Atualizado em: 17/04/2019 08:52

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na tentativa de atender a demandas dos caminhoneiros, que ameaçam uma nova paralisação, o governo federal anunciou uma série de medidas em favor da categoria, depois de o presidente Jair Bolsonaro determinar o cancelamento do aumento do diesel pela Petrobras. O problema é que os caminhoneiros aparentemente não concordaram com o governo e acham que as medidas são apenas uma forma de protelar a greve que eles estão discutindo há alguns dias.

Entre as medidas está a liberação de R$ 500 milhões para quem tem até dois caminhões, em financiamentos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em uma linha de crédito para manutenção dos veículos. Cada motorista terá direito a um empréstimo de até R$ 30 mil, mas as condições de crédito, como as taxas de juros e o prazo para pagamento, não foram detalhadas.

O Ministério de Infraestrutura afirmou que vai usar R$ 2 bilhões que foram desbloqueados do Orçamento para conclusão de obras e manutenção de rodovias consideradas essenciais, como as BR-163, que liga o Rio Grande do Sul ao Pará, iniciada em 1970.

O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, também voltou a falar do cartão caminhoneiro, criado pela Petrobrás em março, para “congelar” o valor do diesel no momento da compra e dar mais previsibilidade aos motoristas. O produto, porém, ainda está sendo pensando pela BR Distribuidora, a empresa distribuidora de combustíveis da Petrobrás. Ao anunciá-lo em março, a empresa disse que o lançaria em 90 dias.

Ainda entre as medidas, o governo quer construir uma referência de piso para o preço do frete rodoviário. Depois da paralisação de maio do ano passado - em que houve crise de abastecimento em todo o país - o governo do ex-presidente Michel Temer, chegou a propor uma tabela de frete, mas a medida enfrenta uma batalha judicial e ainda deve ser analisada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Indústria e agronegócio afirmam que a medida é inconstitucional. “A discussão do frete é uma coisa que todos têm razão, embarcador e caminhoneiro. O embarcador paga caro e o caminhoneiro ganha pouco, onde está o dinheiro?”, afirmou Freitas. 

O governo também se comprometeu a incluir nas novas concessões de rodovias federais pontos de paradas obrigatórias e construir esses lugares, onde os caminhoneiros podem parar para dormir e cozinhar, até mesmo nas rodovias que já foram concedidas. Também foram anunciadas medidas para desburocratização, como a entrada em vigor neste mês do documento eletrônico de transporte e a prorrogação de cinco para dez anos da validade das carteiras de motoristas, a CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

"Petrobras é livre para definir preço"

Depois da forte reação do mercado à suspensão do reajuste do diesel a pedido do presidente Jair Bolsonaro, o governo saiu a campo ontem para transmitir a imagem de que a Petrobras é livre para definir o momento e o valor da alta no preço do diesel. 

“É a Petrobras quem decide reajuste, não é ministro da Economia ou presidente da República. A Petrobras é realmente independente para estabelecer o preço de petróleo”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, se reuniram com o presidente no Planalto para discutir a política de preços de combustíveis da companhia. Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 5,7% no preço do diesel, mas Bolsonaro determinou a suspensão da alta.

“É ela (Petrobras) quem tem que decidir. É realmente independente para estabelecer o preço do petróleo”, declarou Guedes, em entrevista coletiva após o encontro com o presidente. Apesar disso, o ministro admitiu que a política de reajustes atual não é suficientemente transparente e disse que mudanças estão em estudo.

Com o risco de uma nova greve de caminhoneiros batendo à porta, tanto a Petrobras quando o governo estudam como amenizar o impacto dos reajustes constantes para a categoria. Guedes disse que estão em estudo várias alternativas, entre elas indexar o preço do frete ao valor do diesel. Citou que essa é a política utilizada nos EUA.
 
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