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Notícia de Economia
Dificuldades Queda lenta dos juros atrapalha recuperação da economia brasileira Para analistas, BC tende a continuar comedido nos cortes da Selic, o que limitará o ritmo de recuperação da atividade

Por: Antonio Temóteo

Publicado em: 26/12/2016 08:33 Atualizado em:

Leal comemora mudança de quadro, mas estima retomada significativa do crescimento só daqui a um ano. Foto: Breno Fortes/CB/D.A Press
Leal comemora mudança de quadro, mas estima retomada significativa do crescimento só daqui a um ano. Foto: Breno Fortes/CB/D.A Press
A profunda recessão que assola o Brasil tem destruído o poder de compra da população. Isso tem favorecido ao menos, a queda da inflação, que pode fechar 2016 abaixo do teto da meta, de 6,5%. O rito de queda da carestia foi uma surpresa positiva neste ano. Mas não se traduziu, ainda, em redução mais expressiva da Selic, a taxa básica da economia brasileira, que segue sendo a mais alta entre as principais economias, incluindo as emergentes (veja quadro ao lado). Com a possibilidade de ganhar perto de 1% ao mês em aplicações financeiras, poucos empresários se sentem estimulados a investir na melhora de processos produtivos, algo que poderia puxar o crescimento para cima.

É difícil, porém, contar com uma mudança radical no processo, diante da postura comedida que o Banco Central (BC) tem demonstrando na política monetária. A perspectiva é de que continue a cortar a Selic lentamente. Essa é uma das razões, na avaliação de parte dos economistas, para a lentidão que se espera no processo de retomada.

O alívio para valer não virá neste Réveillon, só no próximo, avisa o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. “A gente acha que 2018 pode ter um crescimento melhor, com uma redução maior da taxa de juros fazendo o consumo voltar já na entrada do ano. Portanto, 2018 pode ser o ano de recuperação de fato, com o PIB avançando 2,5%”, afirma.

Os reajustes de preços ao longo deste ano ocorreram em menor intensidade, diante do aumento do desemprego e de negociações salariais em que os trabalhadores aceitaram abrir mão de renda. Para o próximo ano, o mercado projeta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,9%. Em 2018, estará no centro da meta, de 4,5%.

As perspectivas favoráveis para a carestia têm levado analistas a reforçar o debate sobre o que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC fará em relação ao ritmo de corte da Selic. A unanimidade é que a taxa, atualmente em 13,75% ao ano, caia ao longo de 2017 — a questão é quanto. A mediana das expectativas do mercado projeta os juros em 10,5% no fim do próximo ano. Uma ala de analistas acredita que o Copom será mais cauteloso e iniciará o ano com uma queda de 0,5 ponto percentual na reunião marcada para 10 e 11 de janeiro. As incertezas externas e o aprofundamento da crise política tendem a levar a essa decisão, dizem.

Fundo do poço
Economistas de outra linha avaliam que, sem cortes expressivos na Selic já nas próximas reuniões do Copom, a economia continuará no fundo do poço e o custo da dívida pública continuará a crescer exponencialmente. Argumenta-se que seria necessária uma queda de 0,75 ponto dos juros básicos já em janeiro. O mercado estima que, a cada 0,25 ponto de queda na Selic, o governo deixa de gastar R$ 25 bilhões com a dívida bruta.

Os sinais de que a queda da inflação é generalizada em todos os componentes deixam a autoridade monetária mais a vontade para intensificar o ritmo de queda da Selic, avalia a economista-chefe da Rosenberg Associados Thaís Marzola Zara. Ela explica que a descompressão dos preços de serviços, mais sensíveis à política monetária e com elevado grau de rigidez, são um sinal positivo para o BC.

Thaís lembra que, ao longo de 2017, o horizonte da política monetária se estenderá. Isso tende a favorecer a continuidade do ciclo de redução dos juros, com discussões acerca do ritmo dos cortes. Mas é algo que será feito, avisa, de forma cautelosa. “Como tem sido enfatizado, é preciso que as expectativas estejam ancoradas para que seja possível maior flexibilidade na condução da política monetária. Não se pode desperdiçar o investimento já realizado para esta ancoragem”, destaca.

Para ela, os juros cairão 0,5 ponto percentual em janeiro e terminarão 2017 em 10,25% ao ano. Uma intensificação dos cortes, para 0,75 ponto, decorreria apenas de surpresas muito negativas na atividade ou de uma queda ainda maior profunda da inflação. “Se isso ocorrer, não acreditamos que corresponda a uma ampliação do ciclo total de queda. Ou seja, se houver aceleração, isso significará que os cortes serão antecipados e concentrados no primeiro semestre do ano”, afirma.

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