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Notícia de Economia
Problemas Banco Central aponta recessão e aciona alerta para 2015

Por: Deco Bancillon - Correio Braziliense

Publicado em: 13/02/2015 11:00 Atualizado em:

Os temores de que o país voltasse à recessão se confirmaram. Em 2014, mesmo com o governo tendo turbinado gastos para fortalecer a candidatura da presidente Dilma Rousseff (PT) à reeleição, a economia patinou. Números divulgados ontem pelo Banco Central (BC) indicam que a riqueza produzida por famílias e empresas encolheu 0,15% no ano passado. O resultado, medido pelo Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-BR), denuncia a paralisia que se alastra por todo o país. E sugere que o Produto Interno Bruto (PIB), que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também virá no terreno negativo.

Pelos números do BC, o país já está em recessão. E, a julgar pela intensidade da queda, o último ano do primeiro mandato de Dilma terá sido desastroso em termos de desempenho da economia. O tombo registrado em 2014 foi o segundo maior em uma década e só ficou atrás da contração verificada em 2009, quando o IBC-BR encolheu 1,25%. Naquele ano, a medição oficial do PIB indicou retração de 0,3%.

A diferença nos resultados se deve a metodologias diferentes de cálculo. Enquanto IBGE avalia praticamente todos os setores econômicos, o IBC-BR monitora o comportamento de um conjunto limitado de ramos de atividade, além do recolhimento de impostos por empresas e famílias. Apesar de mais simplificado, o cálculo do BC produz uma fotografia muito semelhante à captada pelo IBGE. Levantamento feito pelo Correio mostra que, nos últimos 10 anos, a distância entre os dois indicadores foi de apenas 0,04 ponto percentual. Em média, o crescimento da economia medido pelo IBC-BR foi de 3,23%, enquanto que o do PIB foi de 3,19%.

A julgar pelo desempenho do indicador do BC, tudo leva a crer que 2015 será um ano marcado por dificuldades ainda maiores. Mesmo em dezembro, tradicionalmente um mês forte devido às vendas de Natal, o IBC-BR encolheu 0,55%, na comparação com novembro. A queda foi menos intensa do que previa o mercado financeiro, que apostava numa retração de 1% na série que considera os ajustes sazonais de um mês para outro. Mas não houve motivo de comemoração.
“Esse resultado apenas reforça uma dura constatação, a de que a economia está estagnada”, disparou a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour.
Os números dão razão à analista. Nos últimos três meses de 2014, a variação IBC-BR foi negativa. Foram duas quedas do indicador, de 0,17% e de 0,55%, em outubro e dezembro, respectivamente. Em novembro, a economia ficou estagnada, com expansão zero. Não por acaso, analistas preveem que o movimento fraco registrado na virada do ano poderá contaminar o desempenho da economia no início de 2015.

Desemprego

A economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências, avalia que o PIB do primeiro trimestre já começaria no vermelho em 0,5% por causa do chamado carry over (carregamento estatístico) do ano passado. “Funciona como uma herança do que aconteceu de bom ou de ruim na economia, que é jogada para a frente, interferindo no resultado do futuro”, explicou.

Alessandra aposta que o PIB tenha encolhido 0,4% no quarto trimestre de 2014. É o mesmo percentual de queda que o mercado financeiro estima para a atividade econômica nos primeiros três meses de 2015, segundo dados mais recentes do boletim Focus, um levantamento semanal feito pelo BC com uma centena de instituições. O economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, explica o que esses números representam para o bolso do consumidor. “Significa que, provavelmente, a economia voltou a entrar em recessão e que, muito em breve, essa queda do PIB levará muitos trabalhadores para a fila do desemprego”, assinalou.

A Serasa divulgará nesta sexta-feira (13) seu indicador de desempenho da economia em 2014. Rabi adiantou que o número ficará levemente acima do calculado pelo BC, mas reforçou que o cenário ainda é preocupante. Para 2015, o consenso do mercado ainda é de crescimento zero do PIB. Mas, a julgar pelos prognósticos dos maiores bancos do país, o resultado deve ser pior. Itaú e Bradesco preveem queda de 0,5%. O Credit Suisse apostam num tombo maior, de 1,5%. Para a Tendências, caso as ameaças de apagão e de racionamento de água se confirmem, a queda poderá passar de 2%.


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