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Empreendedorismo social Você não tem noção da transformação que a solidariedade pode causar no país

Por: Fábio Silva

Publicado em: 31/05/2019 08:21 Atualizado em:

Foto: Arquivo/DP
Foto: Arquivo/DP
Muito se fala na nossa sociedade sobre a espera de um crescimento econômico que possibilite ascensão de cargos, aumento/melhoria no consumo e acesso a produtos e serviços de maior sofisticação. Comemoramos grandes investimentos anunciados pela indústria como se fosse garantia de melhoria de vida da população como um todo. Elegemos políticos que são mais convincentes em prometer emprego, renda e desenvolvimento.

Nessa busca, o país até consegue avanços em índices financeiros, mas que não são acompanhados por avanços sociais. E se não há melhoria social, os mais pobres ficam à margem desse crescimento. Sempre que houver pessoas, milhões delas, de fora dos avanços, as crises serão cíclicas, como tem sido a cada década no nosso país.

Eu não preciso nem dizer novamente que a solução para esta e qualquer outra crise econômica é a solidariedade. Da mesma forma, é para a crise ética e moral do nosso povo. Da mesma forma, é para a crise dos valores.

Quando falo sobre solidariedade, generosidade, penso que as pessoas que leem ou ouvem, muitas vezes, não alcançam a transformação que ela pode causar no país. Acreditam que a transformação virá pela renda, pelo trabalho, que o dinheiro que vai transformar todas as coisas como num passe de mágica.

Me parece que parte do que estamos vivendo se dá justamente porque não estamos preparados para um crescimento econômico. Se fosse assim, quando existisse crescimento econômico, cresceria o número da educação no País, da saúde, e não é. Cresce o consumo do álcool, das festas, do lazer, mas não crescem os índices de transformação do ser.

O tanto de dinheiro que já foi gasto para restaurar os municípios da Zona da Mata Sul do estado e recorrentemente vemos as tragédias se repetir pelo mesmo motivo das enchentes provocadas pelas chuvas. Do outro lado, o investimento em solidariedade, por mais que tenha havido esforço de muita gente da sociedade, ainda não foi suficiente para o desenvolvimento social daquela população.

Ainda tem gente que acredita que solidariedade é uma via de mão única em que você apenas dá e não recebe. Nós nos enganamos quando pensamos dessa forma, porque não temos a dimensão do que ganhamos num ato de solidariedade. No quanto que somos transformados ao estarmos integrados com o outro.

A generosidade transforma o coração, a alma e o espírito. Acontece um fenômeno dentro da gente que dá uma sensação de poder, de que é possível mudar a realidade de alguém que não tem recursos ou forças pra sair de determinada situação que tira sua dignidade.

E a maior intensidade de força para transformar a sociedade e solucionar as crises do nosso povo vem das gerações mais novas. Proporcionalmente à idade. Quanto mais jovem é a pessoa, mais poder transformador se tem. Eles têm maior flexibilidade de aprender e de mudar seus pensamentos. Além da disposição, que é uma característica marcante desta fase da vida. No entanto, eu lembro que nossa sociedade está focada no crescimento econômico, inclusive os mais novos. E como mudar essa nova geração?

Precisamos começar essa transformação a partir da nossa casa. Nossos filhos precisam ter essa agenda, peguemos na mão deles e levemos além do shopping, do cinema, da igreja, da praia, para uma ação social. Façamos eles refletirem sobre os problemas da sociedade como um todo, em seu sentido macro, para que, junto com eles, cheguemos a soluções. Reflitamos sobre a razão de ter gente morando na rua, de ter crianças sem acesso à escola, de haver falta d’água. No mínimo, você vai ter um jovem instigado em casa.

Pense que suas férias podem ter mais propósito do que sempre tiveram. Faça também que elas tenham propósito. Aproveite para visitar um lugar que precisa de você, da sua profissão, do seu tempo. Faça um planejamento de suas férias, marcando as instituições, comunidades, creches que podem ser visitadas. Vá em pelo menos uma para começar.

Caso se depare com missões para as quais você não tem braço, mobilize as pessoas. É aí que entra em ação a instiga que você plantou no seu filho. Agora estenda ela para seus outros parentes, vizinhos, colegas de trabalho. Mesmo os adultos. Eles terão a missão de repassar para os filhos deles, que terão a oportunidade de passar para os amigos.

*  Fábio Silva é empreendedor social, criador da ONG Novo Jeito, do Porto Social, e das plataformas Transforma Recife e Transforma Brasil 



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