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COLUNAS

FOGO CRUZADO

Sem uma base sólida novas derrotas virão

Publicado em: 16/05/2019 11:17

Com a cabeça focada em armas e assuntos do gênero, o presidente Bolsonaro não se interessou até agora pela montagem de uma base política de sustentação no Congresso Nacional. Isso tem levado o governo a sucessivas derrotas até mesmo na votação de requerimentos pela convocação de autoridades. Foi o que ocorreu na última quarta-feira com um requerimento do deputado Orlando Silva (PCdoB) convocando o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para dar explicações à Câmara sobre o corte de 30% no orçamento das universidades federais. A rigor, esse convite deveria ser encarado com normalidade, pois é dever de qualquer ministro dar explicações aos representantes do povo sobre os assuntos de sua pasta. No caso em tela, entretanto, os deputados não aprovaram o requerimento com essa visão, e sim para mandar um “recado” ao governo de que continuam insatisfeitos por não estarem indicando afilhados políticos para compor a máquina governamental. Tanto isso é verdade que o placar foi acachapante: 307 votos pela convocação do ministro e apenas 82 pela não convocação. Ou Bolsonaro se apressa para constituir uma base orgânica de sustentação – partidos interessados em compor essa base é o que não faltam – ou vai amargar novas derrotas ao longo deste ano.

Rosário de más notícias

A fala do ministro Paulo Guedes na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, na última 3ª feira, deixou muitos parlamentares de orelha em pé. Ele disse que o Brasil se encontra “no fundo do poço”, que está “prisioneiro da armadilha de baixo crescimento” e obrigado a pagar de juros da dívida, só este ano, R$ 445 bilhões. E que sem a reforma da previdência mergulhará no caos.

Crédito suplementar

Paulo Guedes fez um apelo aos congressistas para aprovarem o pedido de crédito suplementar no valor de R$ 248 milhões, sob pena de o governo entrar em colapso a partir do 2º semestre por falta de recursos para pagar os benefícios da previdência e o Bolsa Família. Até o mais otimista dos governistas ficou assustado com o que ouviu. 

Cortes na educação

Os protestos que ocorreram ontem em várias capitais contra o corte de recursos da educação não preocuparam o ministro Abraham Weintraub porque ele parece viver no mundo da lua. Aliás, seu depoimento ontem no Congresso, para explicar o “contingenciamento”, foi de dar pena. Foi ridicularizado por dezenas de parlamentares.

Morto vivo

Garante Adilson Gomes Filho, secretário-executivo de apoio aos municípios da Secretaria do Planejamento, que o FEM permanece forte “e levando desenvolvimento para o interior”. Caso o governador Paulo Câmara tivesse agenda disponível, disse ele, “poderia inaugurar obras do FEM, todos os dias, em todos os municípios do Estado”.       
 
Lei das Licitações

Relator na Câmara Federal do projeto da nova Lei de Licitações, o deputado Augusto Coutinho (SD) já concluiu o seu parecer. Se aprovado, o projeto substituirá a Lei 8.666/93, que está absolutamente superada. Uma das novidades do parecer é o “Portal Nacional de Contratações Públicas”, tornando o processo licitatório mais transparente.

Saneamento privatizado

Joaquim Levy, presidente do BNDES, acredita que ainda este ano terá início a privatização do setor de saneamento no país. A Medida Provisória que trata do assunto já foi aprovada pelo Congresso. Ele quer acabar com as estatais de saneamento dizendo que elas não têm recursos para universalizar o esgotamento sanitário nem daqui a 50 anos. 

Falso preso político

Do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na reestreia do programa “Provocações” da TV Cultura sobre o fato de o PT considerar Lula um “preso político”: “A petezada amalucada não percebe a incongruência. Se eu sou acusado falsamente e ameaçado de prisão arbitrária e política, eu iria a uma embaixada pedir asilo e denunciar. Sugeri isso”. 
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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