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Coronavírus: Cai para sete os casos suspeitos

Publicado em: 11/02/2020 07:54

 (Foto: ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL)
Foto: ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
O Ministério da Saúde informou que diminuíram os casos de suspeitos do novo coronavírus investigados no país. Desde o começo dos alertas, o Brasil já descartou 32 casos suspeitos, e agora são sete. Nenhum foi confirmado. São três em São Paulo, e um no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Minas Gerais. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reafirmou que o mais provável é que a circulação do vírus ocorra no Brasil. Ele avalia que a China mantém uma forte contenção da circulação das pessoas nas áreas mais afetadas pela epidemia, mas que talvez essa não seja uma estratégia "viável" a longo prazo.

"Falam em 85% de contenção da circulação de pessoas. Mas isso não é viável por muito tempo. Até quando isso vai se sustentar, está muito cedo para dizer. É possível que vá chegar no Brasil. E é provável", afirmou Mandetta. Ele lembrou que o inverno no Brasil se intensifica em junho e julho. "Nós não sabemos como vai estar a situação até lá. (...) O momento é de vigilância e planejamento de diferentes cenários. Desde o superotimista até o pessimista de uma epidemia global", afirmou.

A China já confirmou 909 mortes por coronavírus e 40.235 casos, de acordo com o balanço do governo divulgado no site local CGTN ontem. Os dados foram confirmados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ao menos 3.283 pessoas já se recuperaram do vírus. Só no domingo foram registradas 97 mortes, o maior número em um único dia desde que o surto foi detectado, segundo a agência Reuters. No entanto, o número de novos casos não cresceu na mesma proporção e é considerado estável.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o padrão geral do coronavírus segue o mesmo: 99% dos casos relatados do 2019-nCoV estão na China, e a maioria dos casos é leve. Cerca de 2% dos casos são fatais. "O que, é claro, ainda é demais", afirmou. Em meio a esse cenário, diversos funcionários chineses estão voltando ao trabalho, primeiro dia útil após o feriado prolongado do ano-novo chinês, que teve o ápice das comemorações no domingo com o Festival das Lanternas.

A vice-reitora da Escola de Medicina da Universidade Fudan de Xangai, Wu Fan, disse à Reuters que existe a esperança de que a propagação possa chegar a um ponto de inflexão em breve. "A situação está se estabilizando", disse ela quando indagada sobre a disseminação em Xangai, que já teve quase 300 casos e uma morte. Já Tedros Adhanom Ghebreyesus reafirmou "instâncias preocupantes" de transmissão de pessoas que não estiveram em solo chinês. "A detecção de um número pequeno de casos pode indicar uma transmissão mais generalizada em outros países. Em suma, podemos estar vendo só a ponta do iceberg", disse.
 
Navio japonês sob quarentena
 
 Tóquio – O número de pessoas a bordo do cruzeiro japonês Diamond Princess com coronavírus já chega a 135, segundo a Reuters. Ao todo, 3,7 mil pessoas estão a bordo. O navio está atracado no porto de Yokohama enquanto dura a quarentena. Entre os novos casos estão 45 japoneses e 11 norte-americanos, informou a operadora do cruzeiro, Princess Cruises, em comunicado. Entre eles, há cinco funcionários. Não há informações sobre os demais doentes. Os passageiros passam a maior parte do tempo trancados nos quartos, e durante uma hora por dia são autorizados a sair para caminhar e ver a luz do sol. A situação está levando alguns pacientes a relatar sinais de depressão.

A disseminação do novo coronavírus no navio gerou aflição e solidariedade entre passageiros e integrantes da tripulação. O brasileiro Thiago Camos Soares, que faz parte da tripulação, revela detalhes da rotina das pessoas em quarentena. Ele trabalhava no shopping da embarcação, fechado por causa da quarentena, e foi deslocado para a vigilância dos corredores. Em medida para evitar contágio, os passageiros devem respeitar turnos para tomar ar fresco no convés. Os que tentam deixar o quarto fora do horário permitido precisam ser contidos.

Segundo o brasileiro, essa política gerou revolta em alguns passageiros nos primeiros dias de quarentena. Agora, o clima de compreensão é maior. "É muito cansativo, dá medo, mas não adianta perder a cabeça. Temos que entender o tamanho do problema e que só sairemos daqui juntos." Alguns passageiros colocaram nos corredores mensagens de incentivo à tripulação. "Deus abençoe. Mantenha a cabeça erguida", dizia o bilhete na porta de uma das cabines. "Eles querem ir embora, e nós também queremos voltar logo a nossas rotinas normais", afirmou Thiago por mensagem de texto ao jornal O Globo.

Mathieu Smith, um americano de 57 anos, não tem muitas opções de lazer na cabine, de apenas 20 metros quadrados. "Eu leio, vejo televisão, filmes, e passo muito tempo nas redes sociais, conversando com os amigos. Eles me apoiam e isso me faz bem", conta o turista. Mathieu Smith faz parte dos passageiros sortudos, que têm uma varanda na cabine e pode tomar ar fresco e ver o movimento do lado de fora do navio. Foi num desses momentos, que ele assistiu na manhã de domingo a uma cena surpreendente.

Cerca de 10 jet skis fizeram um espetáculo de "dança" para animar e apoiar os passageiros confinados a bordo. "Eu ouvi uma música, como se estivesse acontecendo uma festa do lado de fora. Os jet skis rodopiavam na água. Foi surrealista. Me senti como um animal enjaulado. As pessoas vieram nos observar e também fazer uma espécie de show. Foi muito bizarro", disse o americano rindo, apesar da situação. Assim que conseguir sair do navio, o advogado de Sacramento, na Califórnia, garante que vai aproveitar de sua liberdade e passear em lugares bem maiores do que a varanda de sua cabine.
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