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Notícia de Ciência e Saúde

PATOLOGIA

Câncer de próstata mata 42 pessoas por dia em todo o país

Publicado em: 01/11/2019 08:20

O movimento Novembro Azul teve origem em 2003, na Austrália. (Foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press
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O movimento Novembro Azul teve origem em 2003, na Austrália. (Foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press )
Por dia, 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata, e aproximadamente três milhões vivem com a doença no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Essa patologia é a segunda principal causa de óbitos e a mais comum entre os homens em todo o mundo, ou seja, a segunda mais letal depois do câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que este ano será registrado um total de 68,2 mil casos, 850 no Distrito Federal.

Em sua fase inicial, a enfermidade tem evolução silenciosa e a maioria dos homens não apresenta sintomas. Quando manifestada, os sintomas são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata, como dificuldade de urinar ou necessidade de urinar mais vezes. Em sua fase mais avançada pode provocar, além dos sintomas urinários, dor óssea, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Avanços
As tecnologias para o tratamento evoluíram bastante nos últimos cinco anos, destaca o coordenador do departamento de Uro-Oncologia da SBU, Dr. Wilson Busato. “De 2015 para cá, tivemos grandes avanços como a ressonância multiparamétrica da próstata, que consegue localizar os tumores com maior chance no início”, disse. Segundo ele, atualmente há medicamentos com resposta de melhora média de 72%.  

O doutor em urologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ricardo Ferro, chama atenção para a diferença no comportamento feminino. “A grande questão que existe é que a mulher, ao iniciar vida sexual, procura um  ginecologista, que passa a ser médico de avaliação periódica, e é justamente essa avaliação periódica que faz diferença. Os homens tendem a procurar um médico apenas quando apresentam sintomas, mas deveriam se espelhar na mulher e ter um urologista para acompanhamento toda a vida, especialmente homens com fatores de risco”, ressaltou. 

O médico acredita que as campanhas ainda são insuficientes. “O Brasil tem um programa de saúde da mulher há mais de 40 anos. Entretanto, não há nada disso para os homens”, comparou. 

Quando o assunto é câncer, os especialistas ressaltam a importância do diagnóstico precoce e de informação. A Secretaria de Saúde do DF informou, no entanto, que ainda não há programação para a prevenção do câncer de próstata, mas afirmou que não haverá a campanha Novembro Azul, como o Outubro Rosa (de prevenção do câncer de mama) feita no mês passado. Questionada, a assessoria do Ministério da Saúde não informou se fará a campanha.

“Essas campanhas são importantes para que a sociedade, de forma geral, coloque em voga o assunto, difunda o conhecimento e saiba da importância do diagnóstico precoce. Detectando mais tarde (a doença),  dificilmente haverá capacidade de cura, e os tratamentos paliativos causam perda da qualidade de vida”, explicou o urologista Ricardo Ferro.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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