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Notícia de Ciência e Saúde

TECNOLOGIA

Semana Nacional de Ciência quer popularizar produção científica

Publicado em: 21/10/2019 19:48 | Atualizado em: 21/10/2019 19:56

 (Tomaz Silva/Agência Brasil.)
Tomaz Silva/Agência Brasil.
Teve início hoje (21) a 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). A iniciativa vai reunir mais de cinco mil atividades em todo o país visando aproximar a produção científica da população. Na cerimônia de abertura, em Brasília, autoridades ressaltaram a importância de popularizar as pesquisas no país e promover carreiras vinculadas à produção de conhecimento junto à juventude.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, destacou o papel da semana nacional como forma de desmistificar a ciência como %u201Calgo relacionado a um pesquisador de jaleco branco que ninguém entende e não dialoga com as pessoas%u201D. Em vez desse imaginário, segundo o ministro, os eventos distribuídos em todo o país contribuirão para evidenciar como as inovações estão no dia a dia das pessoas.

Pontes acrescentou que esse diálogo é ainda mais importante diante do descrédito de algumas pessoas sobre descobertas científicas. %u201CÀs vezes você vê, principalmente no meu setor, gente duvidando que o homem chegou à Lua e outros temas. Isso vem de uma divulgação científica deficiente, por isso precisamos melhorar a divulgação científica, assim como o ensino de ciência nas escolas%u201D.

O ministro elencou como ação de sua pasta o programa Ciência na Escola, que leva pesquisadores para escolas e alunos para instituições de ensino e pesquisa. Entre as ações estão olimpíadas, como as de matemática, de robótica e de astronomia. %u201CIsso é importante para o jovem olhar e falar: ´quero trabalhar com isso´%u201D, disse.

Semente
O secretário de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal, Gilvan Máximo, classificou a semana nacional como principal projeto para %u201Cbotar uma semente para despertar os cientistas do futuro%u201D. Ele acrescentou que as exposições ajudam a mostrar de forma mais didática diversas inovações que podem servir de referência para as próximas gerações.

Tomando como gancho o tema da semana Bioeconomia: diversidade e riqueza para o desenvolvimento sustentável, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Regional, Antônio Carlos Futuro, defendeu a necessidade de avançar em pesquisas que tragam a perspectiva da transformação digital também para o tema do desenvolvimento sustentável.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, colocou a necessidade de avanços científicos na sua área, marcada por uma balança comercial negativa de US$ 26 bilhões (R$ 107,38 bilhões). Ele indicou como segmento de ponta no setor as inovações em genética, tema que pode ensejar ganhos importantes ao país. %u201CFundamental despertar os jovens para inovações em um país que tem o desafio de dar saúde como direito%u201D, disse.

Avenida da Ciência
O evento de abertura ocorreu dentro da estrutura montada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações na capital apelidada de Avenida da Ciência. No pavilhão, mais de 180 expositores espalhados em mais de 21 mil metros quadrados apresentarão veículos diversos - como aeronaves e carros autônomos -, máquinas, inovações e projetos de pesquisa.

A oceanógrafa do projeto de microtecnobiologia de microalgas da Universidade Federal do Rio de Janeiro Alinne Junqueira é uma das expositoras. Ela e seus colegas apresentarão informações sobre as microalgas e seus benefícios. %u201CAlém de elas terem um papel primordial ecológico na cadeia alimentar dos oceanos, elas também apresentam uma grande aplicação como complemento alimentar%u201D, explicou a pesquisadora.

A aluna de enfermagem da Universidade de Brasília Maria Clara Pelegrini também está em um dos espaços da exposição. No estande, é apresentado o projeto Museu da Anatomia Humana, da Faculdade de Enfermagem da UnB. A iniciativa reúne diversas peças e técnicas relacionadas ao corpo humano.

Atividades
Até domingo (27), mais de 5,2 mil atividades devem ser promovidas por 172 instituições ligadas aos governos federal, estaduais e municipais, escolas, centros de pesquisa e entidades da sociedade civil. Ao todo, os eventos preparados para a semana serão realizados em 278 municípios, em 23 estados e no Distrito Federal.

A programação completa está na página do evento no site do MCTIC.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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