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Saúde

Estado de São Paulo registra mais quatro mortes por sarampo

Por: FolhaPress

Publicado em: 02/10/2019 19:43

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
A Secretaria Estadual da Saúde confirmou mais quatro mortes por sarampo no estado de São Paulo. No total, nove pessoas morreram em decorrência da doença no estado.

Os novos casos são de uma bebê de 11 meses da capital paulista e de três adultos: uma moradora de Itanhaém (106 km de SP) de 46 anos e que tinha condições de risco, uma de Francisco Morato de 59 anos e um homem de 25 anos residente em Osasco (ambos na Grande SP). Dos quatro mortos, três não tinham histórico de vacinação. 

No final de agosto foram confirmadas três vítimas, sendo um homem de 42 anos, da capital, sem histórico de imunização contra a doença, e dois bebês –uma menina de quatro meses, de Osasco; e um garoto de nove meses, também da cidade de São Paulo. Na última semana de setembro, foram notificados outros dois óbitos na capital: uma mulher de 31 anos sem histórico de vacinação, e um bebê de 26 dias.

Por considerar que o vírus já circula em todo o território paulista, a confirmação de casos será feita laboratorialmente e com base no critério clínico-epidemiológico, ou seja, através dos sintomas e da avaliação médica, conforme preconizado pelo Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde.

Segundo balanço divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde, o estado tem 6.387 notificações de sarampo. Destas, 5.411 foram confirmadas laboratorialmente. A capital paulista soma 59% do total, o equivalente a 3.768. 

A vacina tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) é a única forma de prevenir a doença.

O Ministério da Saúde realizará uma campanha de vacinação contra o sarampo, em duas etapas. A primeira terá início na próxima segunda-feira (7). Até o dia 25 de outubro, as doses estarão disponíveis para crianças de entre seis meses e quatro anos, 11 meses e 29 dias. O dia D, para conscientizar sobre a importância da vacina será no sábado (19).

A segunda etapa –de 18 a 30 de novembro– contemplará a população de 20 a 29 anos, com Dia D em 30 de novembro.

O calendário nacional de vacinação prevê a aplicação da tríplice aos 12 meses e também aos 15 meses para reforço da imunização com a tetraviral, que protege também contra varicela.

Os bebês com menos de 12 meses também devem receber a chamada "dose zero", que não é contabilizada no calendário.

A vacina é contraindicada para bebês com menos de seis meses. Para proteger as crianças dessa idade, os pais devem evitar que elas frequentem aglomerações e manter higienização e ventilação adequadas.

Funcionários das salas de vacinação deverão fazer a triagem de crianças que tenham alergia à proteína lactoalbumina (presente no leite de vaca), para que recebam a dose feita sem o componente.

Não devem se vacinar contra o sarampo imunodeprimidos, quem toma corticoide em dose alta ou por tempo prolongado, transplantados, pessoas com HIV com imunidade muito baixa e grávidas.

As mulheres devem aguardar 30 dias para engravidar após serem imunizadas, porque na vacina tríplice viral está o vírus atenuado da rubéola, que cruza a placenta e pode provocar má-formação fetal. 

Quem já teve reação anafilática (alergia grave) a doses anteriores não deve ser vacinado nem em ações de bloqueio. O ideal nesses casos é consultar o médico.

Diante de qualquer sintoma da doença –manchas vermelhas pelo corpo, febre, coriza, conjuntivite, manchas brancas na mucosa bucal– é necessário procurar um serviço de saúde. 
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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