Descoberta Pesquisadores apontam avanços contra o câncer de sangue

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 26/09/2019 09:52 Atualizado em:

Divulgação/Instituto
Divulgação/Instituto
Pesquisadores da City of Hope, uma organização não lucrativa de pesquisas oncológicas, conseguiram, em modelos animais, erradicar células cancerígenas de leucemia e linfomas resistentes à terapia com células T-CAR tradicional. As T-CAR são consideradas uma revolução no tratamento do câncer, mas alguns pacientes são resistentes. Estima-se que 20% a 30% deles que atingem remissão recaiam após alguns anos. A eficácia dessas células T-CAR, que têm como alvo a proteína CD19 nas células B cancerosas, começa a desaparecer, e o câncer retorna.

Em um artigo publicado na edição desta semana da revista Science Translational Medicine, os cientistas relatam que a primeira terapia com células T-CAR direcionada para o receptor do fator de ativação de células B em células cancerosas erradicou células de leucemia e linfoma humanos resistentes à terapia tradicional em modelos animais. O novo tratamento será testado em um ensaio clínico no próximo ano para pacientes que recidivaram após serem submeterem à imunoterapia com CD19. A expectativa é de que a abordagem se torne a  primeira linha de tratamento com células T-CAR.

A terapia com células T-CAR consiste em coletar as células-T da corrente sanguínea dos pacientes e reprogramá-las. Essas células imunes são, então, geneticamente modificadas em laboratório para reconhecerem e atacarem uma proteína específica associada ao câncer, como a BAFF-R, e, depois, reintroduzidas no sangue, onde começam a trabalhar para destruir as células tumorais.

“Um grande obstáculo à terapia T-CAR atual é que, em até um terço desses pacientes, o tumor é realmente inteligente e volta porque aprendeu a não expressar mais o alvo reconhecido pela imunoterapia original”, disse Larry Kwak, vice-presidente e vice-diretor do centro de câncer da City of Hope e principal autor do estudo. “Para combater isso, a pesquisa da City of Hope encontrou um novo e potencialmente mais eficaz objetivo para a terapia com células T-CAR contra leucemias e linfomas de células B. Planejamos abrir um ensaio clínico no próximo ano usando a terapia com células T-CAR BAFF-R”, completou. “Esse novo tratamento pode mudar a cara do tratamento de leucemia e linfoma no mundo”, acrescentou Michael Friedman, professor de Medicina Translacional da City of Hope.

Sobrevida
No estudo, modelos animais com tumores humanos resistentes à terapia com CD19 receberam terapia com BAFF-R CAR-T. Os cientistas relataram regressão tumoral notável e sobrevida prolongada após tratamento. Em camundongos com linfoma de Burkitt humano —  um tipo de câncer humano resistente à terapia com CD19 —,  a abordagem alcançou a cura (regressão completa do tumor com 100% de sobrevida a longo prazo) após um único tratamento.

Para outra parte do estudo, os modelos animais receberam uma população mista de tumores humanos CD19 positivos e negativos. Eles, então, foram submetidos à terapia celular CD19 T-CAR (a tradicional) ou à BAFF-R T-CAR (o novo tratamento). Essas últimas conseguiram erradicar ambas as populações tumorais, enquanto o tratamento falhou nos animais que receberam células CD19 T-CAR.

Amostras de tumor de pacientes que recidivaram após receber imunoterapia direcionada à CD19 (a substância blinatumomab) também foram investigadas. O estudo demonstrou que as células BAFF-R ficaram consistentemente ativas contra esses tumores, enquanto as da terapia tradicional tiveram respostas significativamente reduzidas ao tumor de recidiva.

“Fizemos uma comparação das duas novas terapias, e nossos dados mostraram que a nossa, com a BAFF-R, realmente fez um trabalho melhor do que as terapias CD19 T-CAR aprovadas pela FDA (o órgão de vigilância sanitária dos EUA)”, disse Hong Qin, professor do Departamento de Hematologia e Medicina da City of Hope. “Se esses resultados se repetirem, prosseguiremos com a nova terapia como um tipo de tratamento de primeira linha (a primeira opção) para pacientes com linfoma e leucemia.”


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