corpo humano Tecnologia sem limites: Realidade virtual chega aos vasos sanguíneos

Por: Carolina Monteiro

Por: Correio Braziliense - Correio Braziliense

Publicado em: 17/06/2019 09:02 Atualizado em: 17/06/2019 09:28

Cateteres com sensores eletromagnéticos captam imagens do interior do corpo humano e as exibem, em tempo real, em um óculos especial. Foto: Przemyslaw Sapieha/Divulgação
Cateteres com sensores eletromagnéticos captam imagens do interior do corpo humano e as exibem, em tempo real, em um óculos especial. Foto: Przemyslaw Sapieha/Divulgação
Médicos pesquisadores da Universidade de Washington (em Seattle, nos Estados Unidos) desenvolveram uma nova maneira de capturar imagens internas do corpo humano. Cateteres com sensores eletromagnéticos conseguem registrar o interior de vasos sanguíneos e exibir as informações, em tempo real, em um óculos de realidade virtual. Segundo os criadores da tecnologia, ela poderá substituir procedimentos convencionais, garantindo um tratamento mais rápido e eficiente aos pacientes. Além disso, abrirá a possibilidade de menor exposição à radiação, o que minimiza os riscos atrelados a esse procedimento. Detalhes da criação foram apresentadas na reunião científica anual da Society of Interventional Radiology, no Texas.

A maioria dos exames radiológicos atuais, além de invasivos, expõe pacientes e profissionais de saúde à radiação. Outra dificuldade é que as opções são muito limitadas quando se trata da anatomia vascular humana. Pensando nisso, os pesquisadores americanos desenvolveram um sistema capaz de “viajar” dentro do corpo humano com mais facilidade e segurança. De acordo com Wayne Monsky, professor de radiologia da Universidade de Washington e principal autor do estudo, a nova tecnologia permite a visualização dos vasos sanguíneos detalhadamente. “Não precisamos mais confiar em imagens em 2D e em preto e branco”, frisa.

A ideia inicial da tecnologia foi desenvolvida por Ryan James, doutorando no programa de informática biomédica e de saúde da universidade. O protótipo criado por ele permitia a captura de imagens dos vasos sanguíneos a partir de tomografia computadorizada, ressonância magnética ou ultrassom. As imagens capturadas eram exibidas em uma tela de realidade virtual para os médicos. O grupo de Wayne resolveu aprimorar a ideia, desenvolvendo a tecnologia de realidade virtual a partir do uso de cateteres em exames endovasculares, chamados angiografia.

Os cateteres com sensores eletromagnéticos criados pela equipe produzem imagens dinâmicas, que mudam conforme a movimentação do instrumento no corpo. Segundo Wayne Monsky, é possível ver os vasos sanguíneos como se o médico estivesse dentro deles. “Parece que você está nadando através dos vasos sanguíneos. São similares a uma caverna subaquática”, compara.

Em um exame endovascular convencional, o cateter é inserido em um vaso sanguíneo periférico e direcionado até a região de interesse. Nesse local, injeta-se um medicamento para ajudar a visualização. Normalmente, os cateteres são inseridos na coxa, no pescoço ou no braço do paciente.

Agilidade
Os cientistas criaram um modelo de vasos sanguíneos impresso em 3D, simulando o interior dos vasos do abdômen e da pelve de um paciente, para comparar a abordagem tradicional com a que criaram. No primeiro caso, foram necessários 70,3 segundos para chegar ao primeiro vaso sanguíneo da peça, contra 17,6 segundos.

De acordo com Wayne Monsky, a nova tecnologia poderá ser usada em qualquer exame de angiografia, incluindo angiografia por tomografia computadorizada e por ressonância magnética, além de ultrassom 3D convencional. Outras vantagens são a possibilidade de diminuir os gastos com o procedimento e a praticidade, já que o equipamento pode ser transportado em uma mala. “Temos esperança de que, no futuro, essa e outras tecnologias relacionadas nos permitam fornecer muitos desses procedimentos endovasculares em ambientes rurais remotos”, aposta.

Para o tecnólogo em radiologia Adoniran Lopes, essa facilidade de acesso é o que mais chama a atenção na tecnologia proposta pelos americanos. “Um paciente oncológico que reside no interior e depende da radioterapia precisa percorrer quilômetros de distância e, muitas vezes, arcando com as despesas para poder se tratar. Esses equipamentos, na grande maioria das vezes, se concentram na capital dos estados”, explica.

Professor de radiologia da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Dhiego Gumieri avalia que, caso chegue ao mercado, essa tecnologia poderá ser considerada um marco na medicina. Isso porque, segundo ele, a aproximação das tecnologias computacionais com a área médica é sinônimo de eficiência, portabilidade e agilidade tanto no diagnóstico, quanto no tratamento, além dos benefícios aos profissionais de área e aos pacientes. “Para a equipe, a realidade virtual associada à radiologia favorece o planejamento nos procedimentos invasivos e a capacidade de evitar ou mitigar possíveis intercorrências. Para os pacientes, tempo menor de internação, efetividade, rapidez e pouca ou nenhuma chance de contrair infecções estão entre as vantagens”, afirma.

"Parece que você está nadando através dos vasos sanguíneos (…) Não precisamos mais confiar em imagens em 2D e em preto e branco”, Wayne Monsky, professor de radiologia da Universidade de Washington e principal autor do estudo.

No fluxo
É uma modalidade de exame dentro da radiologia que tem como objetivo avaliar o fluxo sanguíneo e possíveis obstruções no mesmo. O procedimento é pedido pelo médico principalmente em caso de suspeita de doença vascular, embolia pulmonar ou para localizar um tumor hipervascularizado.


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