evolução Olhar fofinho de filhotes é estratégia evolutiva dos cães, aponta estudo

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 18/06/2019 08:27 Atualizado em:

Foto: Reprodução/Pixabay
Foto: Reprodução/Pixabay
Os cães evoluíram novos músculos ao redor dos olhos para se comunicar melhor com humanos. Novas pesquisas comparando a anatomia e o comportamento de cachorros e lobos sugerem que a face dos primeiros mudou ao longo de milhares de anos especificamente para permitir a eles ter uma ligação melhor com o Homo sapiens.

Na primeira análise detalhada a fazer essa comparação, pesquisadores da Universidade de Portsmouth (EUA) descobriram que, no geral, a musculatura facial de lobos e cães é similar. Exceto pelos olhos. Os cachorros têm um músculo menor, que permite a eles levantar intensamente a parte interna da sobrancelha, coisa que os lobos não fazem. Os autores do estudo, publicado ontem na revista Pnas, sugerem que esse movimento desencadeia, nos humanos, uma resposta estimulante, porque ela faz os olhos dos cães parecerem maiores e mais infantis, além de serem semelhantes à expressão que os homens produzem quando estão tristes. É o famoso “olhar de filhote”.

“A evidência de que os cães desenvolveram um músculo para levantar a sobrancelha interna depois que eles foram domesticados é convincente. Estudamos o comportamento de cães e lobos e, quando expostos a um humano por dois minutos, os cães levantaram as sobrancelhas mais e com maior intensidade”, explica Juliane Kaminski, um dos autores do trabalho. “Nossas descobertas sugerem que as sobrancelhas expressivas em cães podem ser resultado de preferências inconscientes dos seres humanos que influenciaram a seleção durante a domesticação. Quando os cães fazem o movimento, parecem provocar um forte desejo nos humanos de cuidar deles. Isso daria aos cães uma vantagem de seleção.”

A pesquisa anterior de Kaminski mostrou que os cães moviam as sobrancelhas significativamente mais quando os humanos olhavam para eles, comparados a quando não estavam sendo olhados. “Esse movimento é significativo no vínculo entre humanos e cães, porque pode provocar uma resposta cuidadosa dos seres humanos, mas também pode criar a ilusão de comunicação semelhante à humana”, completa.

A anatomista Anne Burrows, da Universidade Duquesne de Pittsburgh, e coautora do artigo, diz: “Essa é uma diferença marcante para espécies separadas há apenas 33 mil anos e acreditamos que as mudanças musculares faciais notavelmente rápidas podem estar diretamente associadas à interação social melhorada dos cães com os seres humanos”.

Adam Hartstone-Rose, coautor do trabalho, frisa que, mesmo os músculos sendo tão finos, o movimento que executam parece ter um efeito tão poderoso e substancial na pressão evolutiva. “É realmente notável que essas diferenças simples na expressão facial possam ter ajudado a definir a relação entre os primeiros cães e os humanos.”


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