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Notícia de Ciência e Saúde

Mais agressivo, H1N1 triplica mortes por gripe; crianças não batem meta vacinal

O total de óbitos já é 68% maior do que o relatado em todo o ano de 2017

Publicado em: 24/07/2018 12:35 | Atualizado em: 24/07/2018 12:42

O estado de São Paulo é o mais afetado. Foto: Pixabay / Creative Commons
Com o avanço do vírus H1N1, o número de mortes por gripe neste ano no Brasil quase triplicou em relação ao mesmo período do ano passado. São 839 vítimas até 14 de julho, segundo dados do Ministério da Saúde. Considerado mais agressivo, o tipo H1N1 do vírus é o que mais circula no País. O total de óbitos já é 68% maior do que o relatado em todo o ano de 2017.

O número de registros de casos de gripe também aumentou: houve alta de 162% ante o mesmo período do ano passado. De acordo com especialistas, também é comum haver subnotificação de ocorrências menos graves.

Coordenador de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde de São Paulo, o infectologista Marcos Boulos explica que o tipo de vírus em circulação no País hoje é mais agressivo em relação ao que circulou há um ano. "O H1N1 é mais agressivo. Mata em todas as idades e o H3N2 (outro tipo de vírus) pega mais em idosos", explica.

O estado de São Paulo é o mais afetado. Segundo o ministério, são 1.702 casos dos 4.680 de todo o País. E quase 40% das mortes por gripe no Brasil foram registradas em São Paulo (320). Nem todos os óbitos são de pacientes com pelo menos um fator de risco (como gravidez diabete e velhice). Do total de mortos, um em cada quatro não se encaixa nesses grupos mais vulneráveis.

Para Boulos, é possível que a transmissão tenha queda com a diminuição do frio. "Mas ainda não começou a cair. Temos níveis altos de transmissão." Só na capital, houve, segundo a Prefeitura, 59 mortes até terça-feira da semana passada (42 delas por H1n1) - ante 22 no mesmo período de 2017.

A situação também preocupa no interior. Em Bauru, há um mês morreu o mecânico Alberto Baroni, de 46 anos, deixando a mulher, Ângela, e três filhos. "Não dá para acreditar. Bastou uma gripe forte e perdi meu marido." Lá, diz a prefeitura, foram 27 casos este ano - a maior parte por H1N1. Das dez mortes, 9 foram por esse subtipo.

Altamente contagiosa, a gripe pode ser prevenida com a vacina. As doses disponíveis na rede pública protegem contra os três subtipos do vírus (H1N1, H3N2 e influenza B). O País conseguiu bater a meta de vacinar 90% do público-alvo este ano, após duas prorrogações da campanha. Mas a cobertura vacinal não é homogênea. O Centro-Oeste e o Nordeste foram as únicas regiões a atingir a meta.

Maior risco

O público das gestantes e das crianças entre 6 meses e 5 anos é o que mais preocupa. Entre as grávidas do Estado, a cobertura é de só 70%. Já entre as crianças, é de 79%, ainda assim abaixo da meta. Na capital paulista, a cobertura é ainda menor: 54,8% entre as gestantes e 58,4% entre as crianças. No País, esses mesmos grupos não atingiram o objetivo.

O Ministério da Saúde informou que não estuda ampliar o público da vacinação. Ainda disse ter aplicado, para o público-alvo, 52 milhões de doses este ano. Para outros grupos, foram 2,6 milhões de doses.

Para Paulo Olzon, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a campanha antivacinação atrapalha. "Tem muita fake news falando de efeitos nocivos da vacina. Tem uma série de desserviços."

"Muitos acreditam que, após tomar vacina, desenvolvem a gripe. Não tem nada a ver", diz Zarifa Khoury, da Sociedade Brasileira de Infectologia. Na rede pública, a vacinação foi dirigida a o público prioritário e foi estendida, em algumas cidades, para crianças entre 5 e 9 anos e adultos entre 50 e 59 anos.

Clínicas

A procura por vacinas em clínicas particulares aumentou cerca 20% em 2018, na comparação com o ano anterior, estima Geraldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas. "Ano a ano, o público adulto, que não é muito sensibilizado pelos médicos para tomar a vacina, está fazendo essa busca espontânea. Esse grupo é o que não está (como alvo) nas campanhas." Na rede privada, segundo ele, o imunizante custa entre R$ 80 e R$ 140.

Na tarde desta segunda-feira, 23, a analista de sistemas Alessandra Veleda, de 40 anos, buscou uma clínica para se vacinar contra a gripe e imunizar as filhas Ana Luiza, de 3 anos e Isabela, de 6 anos. "Teve caso (de H1N1)na escola das duas. A gente ouve muito na televisão e, agora, chegou muito perto", diz ela, que procurou uma unidade nos Jardins, zona sul.

"O aumento de casos preocupa muito. Lido com bastante gente, trabalho em uma empresa com mais de mil funcionários. Se me protejo, também protejo minhas filhas", conta. O marido de Alessandra, de 40 anos, também pretende se vacinar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

fonte: Estadão Conteudo
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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