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Estudo mostra a forma como o uirapuru age como 'sentinela da Amazônia'

O uirapuru-de-garganta-preta alerta outros pássaros sobre a proximidade de predadores e eles fogem juntos da ameaça. Estratégia descoberta por pesquisadores americanos pode explicar a existência de revoadas tão coloridas na região

Publicado em: 02/06/2018 15:58 | Atualizado em: 02/06/2018 16:23

 (Eliseo Parra / Divulgação )
Eliseo Parra / Divulgação
 
Família não é só de sangue, e isso parece também valer para pássaros. É comum espécies iguais voarem juntas, mas pesquisadores da Universidade Estadual de São Francisco, nos Estados Unidos, descobriram que, na Amazônia, alguns rebanhos contêm variadas espécies de aves, com diferentes cores e formas. A fraternidade dos diversos se dá como mecanismo de proteção. Um deles trabalha como vigia, cantando um alarme quando há a aproximação de predadores. Dessa forma, os vizinhos escapam juntos do perigo.

O pássaro-chave é o uirapuru-de-garganta-preta (Thamnomanes ardesiacus), que tem em média 14cm de comprimento e pesa cerca de 18g. Para começar o estudo, os pesquisadores coletaram dados sobre o número de espécies em oito rebanhos mistos no sudeste do Peru e colocaram pulseiras coloridas nas aves. “Isso nos ajudou a identificar os membros do bando individualmente no caso de eles se mudarem para grupos vizinhos ou outras partes da floresta”, explica Eliseo Parra, coautor do artigo, divulgado, neste mês, na revista Ecology.

Em seguida, a equipe capturou as aves vigilantes dos oito rebanhos e as deixou em um aviário durante três dias. Poucas horas depois da captura, os outros pássaros começaram a reagir. “Os bandos de espécies mistas alteraram o local onde se alimentavam durante o dia e usaram diferentes partes da floresta após a remoção”, conta Eliseo Parra. Três bandos recuaram para áreas da floresta com cobertura mais densa, e os outros cinco se juntaram a outros rebanhos em áreas que ofereciam mais proteção contra predadores, como falcões.
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