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Notícia de Ciência e Saúde

Monitoramento

Sensor colado no dente ajuda monitorar o consumo de glicose, sal e álcool

As informações coletadas pelo dispositivo podem ainda ser transmitidas sem fio para outros aparelhos

Publicado em: 02/04/2018 07:51 | Atualizado em: 02/04/2018 08:34

Pesquisadores da Universidade Tufts criaram um sensor capaz de facilitar tarefa. Foto: Fio Omenetto, Ph.D., Universidade Tufts/Divulgação
Monitorar, em tempo real, o que acontece em nosso corpo tem grande valor para a medicina e para outros ramos científicos. O processo, porém, não é fácil. Testes comuns requerem que o paciente carregue aparelhos pesados por longos períodos de tempo, que devem ser mantidos junto ao corpo constantemente, como o feito com a pressão arterial. Pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, criaram um sensor capaz de facilitar a tarefa. Ele é tão pequeno que pode ser colado à superfície de um dente e consegue monitorar o consumo de glicose, sal e álcool. As informações coletadas pelo dispositivo podem ainda ser transmitidas sem fio para outros aparelhos.

Os criadores acreditam que versões futuras do sensor permitirão o acompanhamento de uma grande variedade de nutrientes, substâncias químicas e estados fisiológicos, como a desidratação. O dispositivo é flexível e tem apenas 2 milímetros de lado, ajustando-se à superfície do dente. É composto por três camadas: a central absorve a substância que se quer monitorar. As duas externas são revestidas por um filme de seda, um material biocompatível, e funcionam em conjunto como uma pequena antena, transmitindo informações da mesma forma que cartões eletrônicos de ônibus.

Radiofrequência 

A técnica é chamada RFID — sigla em inglês para identificação por radiofrequência. Quando um sinal de rádio atinge o dispositivo, ele modifica e reflete as ondas de forma a transmitir informações para o aparelho receptor. Os dados coletados, porém, variam de acordo com a camada central. Se ela entra em contato com a substância desejada, como sal ou álcool, suas propriedades elétricas mudam, fazendo com que o sensor reflita uma frequência diferente das ondas de rádio. Isso permite que o consumo desses alimentos seja constantemente medido e registrado. “Em teoria, podemos modificar a camada central dos sensores para avaliar outros produtos químicos.

Estamos limitados apenas pela nossa criatividade mesmo”, afirma Fiorenzo Omenetto, um dos criadores. “Nós estendemos a tecnologia comum de RFID para um sensor que pode ler e transmitir dinamicamente informações sobre seu ambiente, esteja ele fixado em um dente, à pele ou a qualquer superfície”, completa. Os testes realizados mostraram que o dispositivo funciona de forma confiável pelo período de uma semana. Além disso, ele foi testado quatro vezes em humanos, em diversas condições, como com a boca seca e após o consumo de água da torneira, de suco de maçã, de álcool, de enxaguante bucal e de sopa.

A versão atual detecta apenas o consumo de sal, glicose e álcool, o que pode ajudar médicos a monitorar pacientes com diabetes ou hipertensão, por exemplo. Mas, segundo o artigo divulgado recentemente na revista Advanced Materials, o dispositivo pode ser ajustado para medir o Ph, a temperatura e a hidratação da boca. Além disso, mais camadas podem ser adicionadas ao sistema para aumentar sua funcionalidade.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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