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Uma rã está em busca de um ''amor'' para preservar espécie de extinção

O animal começou a fazer chamados em busca de um par pouco depois de sua chegada

Publicado em: 14/02/2018 11:24 | Atualizado em: 15/02/2018 19:02

Foto: Global Wildlife Conservation/AFP
Já passaram mais de 10 anos desde que Romeu, uma rã aquática de Sehuencas, possivelmente o último exemplar desta espécie na Bolívia, começou a procurar um par para preservar sua espécie. 

Com a idade indeterminada e uma expectativa de vida que os biólogos calculam em aproximadamente 15 anos, já não lhe resta muito tempo, pois está há uma década no aquário do Museu de História Natural Alcide d'Orbigny de Cochabamba.

"Quando os biólogos encontraram Romeu, há 10 anos, sabíamos que a rã aquática de Sehuencas, assim como outros anfíbios da Bolívia, estava com problemas, mas não tínhamos ideia de que não voltaríamos a encontrar um só indivíduo da espécie em todo esse tempo", declarou Arturo Muñoz, fundador da Iniciativa Anfíbios da Bolívia.

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Espécie aquática, a Telmatobius yuracare vive nos arroios das florestas de Cochabamba e Santa Cruz, e apenas sai para a terra quando chove, explica Muñoz em ligação com a AFP.

No aquário gigante construído no museu de Cochabamba, em um grande contêiner de mercadorias, Romeu começou a fazer chamados em busca de um par pouco depois de sua chegada, mas estes começaram a diminuir nos últimos anos.

Comparado com outras rãs de seu gênero, Muñoz diz que Romeu tem um chamado de acasalamento especialmente musical, que ajudou a ensinar biólogos sobre a história natural das rãs aquáticas de Sehuencas ao longo dos anos.

É um anfíbio tímido que costuma se esconder debaixo das pedras. Só sai quando os cuidadores servem sua comida. "Nós não queremos que ele perca a esperança" de encontrar um par, declara Muñoz. E os pesquisadores tampouco. Por isso, a Iniciativa Anfíbios da Bolívia espera achar outros de sua espécie "para estabelecer um programa de reprodução".

E se não houver forma de conseguir um par para ele, Muñoz não descarta recorrer à clonagem para salvar este anfíbio particularmente ameaçado pela mudança climática, perda do hábitat, introdução de predadores como a truta nos rios e, sobretudo, o fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis), culpado de outras extinções a nível mundial. No Equador, a espécie Telmatobius já é considerada extinta, e no Peru não é vista desde 2001.

Campanha para São Valentim 

Para isso, usarão o dia de São Valentim para lançar uma campanha de arrecadação de fundos. Sua intenção é enviar expedições aos arroios situados a 2.000-3.000 metros de altura das florestas dos Andes orientais para procurar algum sobrevivente, ou algum girino, para que não aconteça com Romeu o que houve com o Solitário George, a tartaruga gigante de Galápagos que, com sua morte, pôs fim à espécie.

Com a colaboração do Global Wildlife Conservation e o maior espaço de encontros pela Internet, Match, a Iniciativa Anfíbios da Bolívia espera arrecadar desta sexta-feira (9/2) até 14 de fevereiro, dia de São Valentim, cerca de 15 mil dólares.

A ideia é procurar em lugares onde, em outros tempos, eram comuns, em locais com hábitats similares, ou em áreas onde os biólogos não tiveram oportunidade de fazer buscas. A equipe também realizará testes na água dos riachos e rios, lugares fundamentais, em busca de traços de DNA das rãs, a fim de confirmar se continuam ali, embora os membros da equipe não as vejam diretamente nas expedições.

E ao longo dos anos de Romeu, criou-se o projeto do governo boliviano para construir uma barragem em uma área florestal onde a rã aquática de Sehuencas era tão comum que se tornou seu homônimo: Sehuencas.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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