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Estudo estima que 1,2 milhão de casos de câncer surgirão até 2019 no Brasil

A estimativa é de que homens serão mais afetados do que as mulheres

Publicado em: 03/02/2018 10:15 | Atualizado em: 03/02/2018 11:21

 (Luis Robayo/AFP)
Luis Robayo/AFP
O combate ao câncer deve se acentuar nos próximos anos. Isso porque a estimativa é que até 2019 surgirão mais de 1,2 milhão de novos casos da doença no Brasil. Os dados foram divulgados, ontem, pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Estão previstas 600 mil ocorrências até o fim do ano. Segundo o órgão, as doenças e agravos não transmissíveis (Dant) já são os principais responsáveis por mortes ao redor do mundo — entre eles estão problemas cardiovasculares e tumores malignos.

O câncer de pele não melanoma é o mais frequente, e a perspectiva é de que continue assim nos próximos dois anos. Ao todo, cerca de 165 mil podem ser afetados por essa moléstia no país. Segundo os dados da pesquisa, há, provavelmente, mais casos de câncer em homens do que em mulheres. Enquanto para eles a estimativa é de cerca de 300 mil novos diagnósticos, para elas, o número fica em 282 mil. Além disso, os tipos da doença mudam de acordo com o gênero. No sexo masculino, os mais comuns são de próstata, com 31,7%; pulmão, 8,7%; intestino, 8,1%; estômago, 6,3%; e cavidade oral; 5,2%. No feminino, grande parte dos casos é devido à mama, com 29,5%, em seguida intestino, 9,4%; colo do útero, 8,1%; pulmão, 6,2%; e tireoide, 4%.

O estudo também divide os casos por região. O Sul e Sudeste devem concentrar cerca de 70% dos novos episódios nos próximos anos. Nesses locais, há o predomínio de cânceres de próstata e de mama feminina, assim como pulmão e intestino. Já no Centro-Oeste, a incidência maior é do de colo do útero e do de estômago. No Norte e Nordeste, apesar de a próstata e a mama liderarem o ranking, o de colo de útero e o de estômago também têm bastante impacto. A Região Norte é a única do país onde as taxas da doença na mama e no colo de útero se equivalem entre as mulheres.

Há, no entanto, vários fatores que podem estar entrelaçados no aumento de casos de câncer no país. Para o oncologista Paulo Lages, do Instituto Onco-Vida, a expectativa de vida é uma delas. Como o brasileiro, agora, tem uma longevidade maior, há também mais ocorrências de doenças atribuídas ao envelhecimento. “Eu costumo dizer que o câncer se beneficia de todos os avanços da medicina. Antes, havia menos incidência porque as pessoas morriam cedo. Com o avanço da cardiologia, da neurologia e de todas as outras especialidades médicas, os pacientes param de morrer de outras doenças e passam a morrer de câncer”, comentou.

Outro fator, segundo Lages, é a melhora técnica da medicina. Os diagnósticos são feitos com maior precisão e há aparelhos mais modernos, além da frequência dos exames preventivos. “É claro que tudo isso também está combinado ao estilo de vida. Hoje, com o dia a dia corrido, as pessoas priorizam menos a atividade física e a alimentação saudável. Isso certamente tem influência, nós só não sabemos contabilizar quanto”, avaliou.

Sobre os diferentes tipos de câncer para cada região do país, Lages comenta que há hábitos culturais ou desenvolvimento socioeconômico que podem explicar, a depender de onde a pessoa reside. “No Sul, por exemplo, há o costume de tomar bebidas quentes, e acaba tendo incidência maior de câncer de esôfago, por exemplo. Da mesma forma, o Nordeste, às vezes, por ser mais pobre e pela condição sociocultural, favorece outros tipos ligados à alta incidência de HPV na região”, disse.

Hábitos

Já para o oncologista Rafael Gadia, diretor de radioterapia do Hospital Sírio-Libanês, as principais causas estão ligadas ao consumo e aos hábitos das pessoas. “O clássico e mais bem definido é o cigarro. Tem gente que fumou muito tempo durante a vida, parou, mas a marca não sai. Assim como abuso de bebida alcoólica, principalmente associada ao cigarro. E estilo de vida, com certeza, desde o hábito alimentar quanto o sedentarismo”, explicou. Entre outros motivos, está a correlação com infecções, como é o caso do HPV. De acordo com ele, é necessário colocar numa perspectiva o número de ocorrências. “Nós temos de ver se está aumentando ou não. A percepção é de que está, mas tem câncer que tem diminuído (a incidência) e tem tipo aumentando”, comentou.

Apesar de não haver uma justificativa absoluta sobre o motivo que leva mais homens a terem câncer do que mulheres, segundo Gadia, há hábitos que podem influenciar. “Homens fumam mais que as mulheres, e o câncer de pulmão é algo que acontece mais para a frente. Pode ser também a exposição a agentes químicos. Mas a tendência é de que as mulheres alcancem os homens nisso”, previu.

Para que a população reduza os riscos ou aumente a detecção precoce, é necessário seguir as recomendações. “Evitar a exposição ao tabaco e o consumo exagerado de álcool, além de mudar hábitos de vida, como sedentarismo”, ressaltou o oncologista.

 

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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