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Natureza

Pesquisador quer montar programa para reintrodução de bugios no Horto

Os 86 animais que viviam no horto morreram recentemente graças ao vírus da febre amarela

Por: AE

Publicado em: 11/01/2018 21:14

O pesquisador Marcio Port-Carvalho, chefe da sessão de animais silvestres do Instituto Florestal, se habituou, em seus 13 anos vivendo dentro do Horto Florestal de São Paulo, a encerrar o dia ouvindo a vocalização de bugios antes de eles dormirem.

Em meados de outubro do ano passado, esse som começou a desaparecer. No final do ano, já era só silêncio. "Todos morreram no Horto: 86 animais. Quase 80% deles (67) nós encontramos os corpos. No corredor que liga com o Parque Estadual da Cantareira, onde vai para a Pedra Branca, também os bichos morreram. Esse vírus é uma praga", diz em referência ao vírus da febre amarela, que chegou a região norte de São Paulo provavelmente via Mairiporã, após ter entrado no Estado por Minas, em maio do ano passado.

"A gente conhecia todos os grupos que viviam por aqui, víamos todos os dias, eles até tinham nome, acompanhamos a morte de todos", conta.

A primeira morte foi o alerta para que tivesse início uma vacinação em massa na cidade de São Paulo. Desde então, 1,3 milhão de pessoas receberam a vacina. Para os animais, a proteção, porém, não existe.

"Muita gente nos perguntou hoje por que não fizemos alguma coisa não tiramos os bichos de lá. Mas uma vez que o vírus está no local, não tem muito o que fazer. Ele é super difícil de capturar. Anda a 20 metros de altura, não entra em armadilha. E mesmo se pegássemos, não teria para onde levar, não tem recurso para isso", desabafa. "A solução é a saída que foi adotada mesmo - vacinar os seres humanos, diminuir a circulação viral."

O trabalho de monitoramento da fauna foi realizado no Horto, que tem apenas 179 hectares de área. Mas o pesquisador diz não conseguir nem estimar o impacto que o vírus pode ter tido sobre a população do Parque da Cantareira, contíguo ao horto, mas muito maior - são 8 mil hectares de área. Lá havia uma estimativa, referente a 2007, de viverem cerca de 4 mil bugios.

Neste momento, Port afirma que não há muito mais o que fazer, além de esperar o controle da epidemia. Tentar colocar animais de volta ao parque é condená-los à morte. Mas para o futuro, a ideia é, sim, fazer a reintrodução de famílias.

No Departamento de Áreas Verdes da capital há pelo menos 22 animais, de cinco famílias, que poderão vir a passar por um processo de reintrodução à natureza. São indivíduos que vieram dos parques da região norte e por algum motivo foram feridos e tiveram de ir para reabilitação.

"Quero fazer um programa com a estratégia de fazer um reforço populacional, introduzir grupinhos de cativeiro. Mas eles terão de aprender a viver de novo em natureza, e teremos de monitorar diariamente para ver se está dando certo. Isso vai custar dinheiro, mas é a saída."

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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