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Doença

Cientistas desenvolvem exame que detecta esclerose múltipla na fase inicial

PET Scan desenvolvido por cientistas americanos consegue detectar a degradação da bainha de mielina, permitindo o diagnóstico precoce da doença autoimune

Publicado em: 17/01/2018 07:31

Até hoje, não existia um exame que visualizasse diretamente a desmielinização, o que pode atrasar o diagnóstico correto e a avaliação de progressão da doença. Foto: Iano Andrade/CB  (Foto: Iano Andrade/CB )
Até hoje, não existia um exame que visualizasse diretamente a desmielinização, o que pode atrasar o diagnóstico correto e a avaliação de progressão da doença. Foto: Iano Andrade/CB (Foto: Iano Andrade/CB )


O sistema nervoso central de todos os mamíferos é recoberto por uma capa que encobre as fibras nervosas. Composta por lipídeos e proteínas, ela ajuda a acelerar os sinais elétricos que comandam funções como falar, andar, engolir, respirar; enfim, desempenhar qualquer tarefa do dia a dia. Algumas doenças como esclerose múltipla, porém, degradam essa bainha, conhecida como mielina, o que interrompe o fluxo de informação entre o cérebro e o corpo, com sérias consequências para o movimento e a visão. Para identificar esse processo corretamente, pesquisadores da Universidade de Medicina de Chicago, nos Estados Unidos, desenvolveram um teste minimamente invasivo, descrito na revista Scientific Reports. 

Até hoje, não existia um exame que visualizasse diretamente a desmielinização, o que pode atrasar o diagnóstico correto e a avaliação de progressão de uma doença que afeta mais de 2,3 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (EM). A ressonância magnética é a técnica padrão e, embora gere imagens em alta resolução, ela não é quantitativa nem consegue diferenciar a perda da mielina e a inflamação, complicações que coexistem nos pacientes de EM. O novo teste utiliza outra tecnologia, a tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan), capaz de identificar o problema com precisão, porque analisa os processos bioquímicos da parte do corpo avaliada, em vez de apenas registrar imagens.

Por meio do PET Scan, é possível realizar diversos exames que mapeiam as substâncias químicas do organismo. Ao sobrepor as imagens anatômicas às metabólicas, a máquina gera um retrato completo do que está acontecendo na parte do corpo que foi escaneada. No caso do teste desenvolvido pela equipe de Chicago, o PET Scan usa uma molécula radioativa específica para localizar uma proteína chamada canais de potássio dependentes de voltagem, encontrada nos neurônios que perderam mielina. O exame, baseado na detecção dessa substância, fornece informações quantitativas a respeito do processo.

Segundo Brian Popko, diretor do Centro de Neuropatia Periférica da Universidade de Chicago e um dos autores do estudo, no neurônio saudável, os canais de potássio ficam escondidos por baixo da capa de mielina. “Quando há perda dessa bainha, os canais ficam expostos. Eles migram através do segmento descoberto e, assim, seus níveis aumentam”, diz. Sem a proteção da membrana, os neurônios começam a vazar o potássio que, normalmente, ficaria dentro da célula. Isso faz com que não consigam propagar os impulsos elétricos. Consequentemente, a comunicação do corpo com o cérebro é prejudicada, levando ao surgimento dos sintomas da esclerose múltipla, como fraqueza muscular e formigamento.
Marcador
A equipe de pesquisadores começou com uma droga já existente voltada ao tratamento da esclerose múltipla, a 4-aminofridina, capaz de se ligar aos canais de potássio expostos. Isso restaura parcialmente a condução do nervo e alivia os sintomas neurológicos da doença. Usando modelos de ratos, os cientistas mostraram que o medicamento se acumula nas partes do sistema nervoso central desmielinizadas; ou seja, descobertas. Em seguida, eles examinaram várias substâncias que compõem a 4-aminofridina para verificar qual delas era responsável por “farejar” os canais de sódio. A responsável é uma molécula chamada 3F4AP, que, “embalada” por um conjunto de átomos fluorescentes, pode ser facilmente visualizada no PET Scan.

“Nós conseguimos mostrar, em ratos, que esse marcador se acumula em uma quantidade muito maior nas áreas desmielinizadas que nas normais”, explica o bioquímico Pedro Brugarolas, primeiro autor do artigo e atualmente membro do Centro de Imagens Médicas do Hospital Geral de Massachusetts, da Universidade de Harvard. “Esse é o primeiro marcador cujo sinal aumenta com a desmielinização, solucionando potencialmente alguns dos problemas dos exames anteriores”, afirma.

Com os resultados positivos, os cientistas receberam autorização dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA para conduzir um estudo em macacos saudáveis. Os testes confirmaram que, quando injetada na veia (como qualquer tipo de contraste), a 3F4AP entra no cérebro dos primatas e localiza as áreas onde há pouca mielina. “Nós achamos que essa abordagem poderá fornecer informação complementar à ressonância magnética. Ela poderá nos ajudar a acompanhar as lesões provocadas pela esclerose múltipla ao longo do tempo”, acredita Brian Popko.

Segundo o pesquisador, a técnica tem potencial de rastrear respostas aos tratamentos. “É algo necessário e que ainda não conseguimos fazer. Ela também deve nos ajudar a determinar o quanto o desgaste da bainha de mielina contribui para outros transtornos do sistema nervoso central”, afirma Popko, citando as leucodistrofias (grave problema genético caracterizado pela perda da mielina), traumas cerebrais e na coluna e até mesmo problemas que não são tradicionalmente associados à desmielinização, como isquemia cerebral, distúrbios psiquiátricos e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
 
Marcador
A equipe de pesquisadores começou com uma droga já existente voltada ao tratamento da esclerose múltipla, a 4-aminofridina, capaz de se ligar aos canais de potássio expostos. Isso restaura parcialmente a condução do nervo e alivia os sintomas neurológicos da doença. Usando modelos de ratos, os cientistas mostraram que o medicamento se acumula nas partes do sistema nervoso central desmielinizadas; ou seja, descobertas. Em seguida, eles examinaram várias substâncias que compõem a 4-aminofridina para verificar qual delas era responsável por “farejar” os canais de sódio. A responsável é uma molécula chamada 3F4AP, que, “embalada” por um conjunto de átomos fluorescentes, pode ser facilmente visualizada no PET Scan.

“Nós conseguimos mostrar, em ratos, que esse marcador se acumula em uma quantidade muito maior nas áreas desmielinizadas que nas normais”, explica o bioquímico Pedro Brugarolas, primeiro autor do artigo e atualmente membro do Centro de Imagens Médicas do Hospital Geral de Massachusetts, da Universidade de Harvard. “Esse é o primeiro marcador cujo sinal aumenta com a desmielinização, solucionando potencialmente alguns dos problemas dos exames anteriores”, afirma.

Com os resultados positivos, os cientistas receberam autorização dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA para conduzir um estudo em macacos saudáveis. Os testes confirmaram que, quando injetada na veia (como qualquer tipo de contraste), a 3F4AP entra no cérebro dos primatas e localiza as áreas onde há pouca mielina. “Nós achamos que essa abordagem poderá fornecer informação complementar à ressonância magnética. Ela poderá nos ajudar a acompanhar as lesões provocadas pela esclerose múltipla ao longo do tempo”, acredita Brian Popko.

Segundo o pesquisador, a técnica tem potencial de rastrear respostas aos tratamentos. “É algo necessário e que ainda não conseguimos fazer. Ela também deve nos ajudar a determinar o quanto o desgaste da bainha de mielina contribui para outros transtornos do sistema nervoso central”, afirma Popko, citando as leucodistrofias (grave problema genético caracterizado pela perda da mielina), traumas cerebrais e na coluna e até mesmo problemas que não são tradicionalmente associados à desmielinização, como isquemia cerebral, distúrbios psiquiátricos e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.



"Nós achamos que essa abordagem poderá fornecer informação complementar à ressonância magnética. Ela poderá nos ajudar a acompanhar as lesões provocadas pela esclerose múltipla ao longo do tempo”

Brian Popko, diretor do Centro de Neuropatia Periférica da Universidade de Chicago e um dos autores do estudo
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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