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Notícia de Ciência e Saúde
Saúde Massagem tântrica: nova forma de se relacionar com o corpo e a sexualidade A massagem é utilizada para ajudar pessoas que passaram por traumas sexuais ou psicológicos

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 22/12/2017 20:45 Atualizado em:

A técnica de massagem permite que a pessoa vivencie a expansão dos próprios limites sexuais, alcançando o estado de felicidade plena. Foto: @Mariolh/Pixabay
A técnica de massagem permite que a pessoa vivencie a expansão dos próprios limites sexuais, alcançando o estado de felicidade plena. Foto: @Mariolh/Pixabay
Não é massagem com final feliz, sexo e, muito menos, uma orgia, como muitos ainda acreditam. A massagem tântrica é uma técnica baseada no tantra, um antigo conjunto de práticas espirituais e ensinamentos surgido na Índia e que busca expandir a sensibilidade por meio da bioenergia do corpo, com diferentes aplicações terapêuticas.

Segundo especialistas no assunto, essa técnica de massagem permite que a pessoa vivencie a expansão dos próprios limites sexuais, alcançando o estado de felicidade plena. A descarga orgástica faz parte do processo, mas, embora poderosa, é considerada secundária em relação à meta final, que é alcançar o estado transcendental do corpo.

> Leia os depoimentos de uma mulher e de um homem que experimentam a massagem tântrica pela primeira vez

Os terapeutas Sarahá e Vitor Shiv, do Centro de Desenvolvimento Integral Metamorfose, em Brasília, explicam que a massagem é utilizada, também, para ajudar pessoas que passaram por traumas, sejam eles sexuais ou psicológicos. Além disso, o tantra ajuda no tratamento de problemas variados, da ejaculação precoce à depressão.

Foi para lidar com as sequelas deixadas por um abuso sexual praticado pelo ex-namorado que a estudante Fernanda*, 26 anos, buscou a técnica. A violência vinda de uma pessoa em que ela confiava prejudicou a relação da jovem com o próprio corpo e a sexualidade.

Para retomar a confiança, buscou a ajuda de uma terapeuta tântrica. "Faço com uma mulher, pois ainda não tenho confiança o suficiente para fazer com um homem. Mas pretendo fazer futuramente, para perder o medo", conta.

A estudante diz que, mesmo tendo feito apenas duas sessões, já sente os efeitos da terapia. "Logo após a primeira sessão, eu já consegui retomar minha vida sexual. Não completamente, mas fiquei muito mais solta e com menos medo", observa. "Agora sei do que meu corpo é capaz, conheço o prazer que ele pode proporcionar para mim e para os meus parceiros", celebra.

Massagem tântrica como forma de autoconhecimento
Segundo a terapeuta Daricha, do Atman — Consciência e Tantra, a massagem revela muito sobre a pessoa que a recebe. "Ela fala sobre a nossa verdade e nossas características emocionais. A história de alguém está marcada em sua pele, que, quando tocada, acorda memórias marcantes", diz.

A possibilidade de se conhecer melhor é o que mais atrai o profissional de marketing Alexandre Passos, 42 anos. "Estava buscando autoconhecimento, e o tantra foi uma das formas que me indicaram para alcançar esse objetivo", conta. "É uma nova relação com a sexualidade e excelente ferramenta de meditação, dentro de um ambiente respeitador. É algo sério", define.

Passos, que fez um curso de imersão de quatro dias, revela que, até conhecer o tantra, havia colocado sua sexualidade no "pior lugar possível". "O sexo não é como nos foi ensinado desde criança, quando éramos instruídos a negar estímulos naturais do ser humano".

Pesquise as referências
A terapeuta Daricha instrui que, caso surja interesse em fazer a massagem, deve-se procurar um profissional que tenha boas referências, com quem a pessoa se sinta à vontade e que demonstre plena capacidade em conduzir de maneira responsável a terapia.

* Com informações do Blog Daquilo


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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