Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Ciência e Saúde
Cientistas descobrem planta chinesa que ajuda no combate à osteoporose Em experimento com ratos, composto da Salvia miltiorrhiza aumentou a densidade mineral óssea em 35%

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 30/08/2017 09:15 Atualizado em:

A raiz da tradicional erva chinesa é usada há milênios contra complicações cardíacas. Foto: First Light/Divulgação
A raiz da tradicional erva chinesa é usada há milênios contra complicações cardíacas. Foto: First Light/Divulgação


Há mais de 2 mil anos, o danshen é usado como tônico cardíaco e anticoagulante, principalmente por orientais. A substância é retirada da raiz da Salvia miltiorrhiza, conhecida no Brasil como sálvia chinesa. Um estudo canadense traz outro potencial terapêutico para a erva tradicional: ela poderá se tornar elemento-chave para tratamentos mais eficazes de prevenção da osteoporose, uma complicação óssea que, só no Brasil, acomete mais de 10 milhões de pessoas, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso).

Pesquisadores da Universidade de Colúmbia Britânica usaram o composto derivado da sálvia chinesa para bloquear a enzima catepsina-K (Catk), que exerce papel fundamental na degradação do colágeno do osso durante a osteoporose. Interferir na ação da Catk é um desafio encarado por diversos grupos de pesquisadores nos últimos anos. O que chama a atenção do trabalho canadense, segundo os autores, é a possibilidade de fazer essa intervenção reduzindo os efeitos colaterais detectados em outros experimentos.

“Todos os ensaios clínicos até o momento falharam devido a efeitos colaterais, como acidente vascular cerebral, fibrose da pele e problemas cardiovasculares. Descobrimos uma maneira de bloquear CatK apenas no tecido ósseo. Pensamos que isso evitará esses outros efeitos negativos”, ressalta, em comunicado, Dieter Brömme, pesquisador na área de proteases e doenças da universidade e participante do estudo, publicado na última edição do Journal of Bone and Mineral Research.

Inicialmente, Dieter Brömme e colegas testaram o composto em células ósseas humanas e de ratos e obtiveram resultados animadores. Depois, fizeram um experimento usando camundongos com células humanas e detectaram que a substância não só  impediu a perda óssea nas cobaias, como aumentou a densidade mineral óssea em 35%, quando comparadas ao grupo de controle.

Ação seletiva

Bloqueadores de enzima funcionam seguindo a um mecanismo de chave e fechadura. No caso da osteoporose, a maioria das drogas em desenvolvimento atua como chave mestra, bloqueando toda a ação da catepsina-K. Os mecanismos relevantes para a prevenção da doença, como a degradação do colágeno, cessam, mas o preço pode ser alto para o paciente.

“A CatK é uma enzima multifuncional, com papéis importantes em outras partes do corpo. Pensamos que o bloqueio total é o que causa efeitos colaterais inesperados em outras drogas”, diz Preety Panwar, um associado de pesquisa no laboratório Brömme. “Nosso composto apenas bloqueia a atividade de CatK de degradação de colágeno, impedindo a quebra não regulamentada de colágeno nos ossos sem quaisquer outros impactos negativos.”

O tratamento básico para a osteoporose tem como principal objetivo aumentar a densidade óssea do paciente. Os bifosfonatos são as drogas mais prescritas e indicadas para as demais doenças ósseas crônicas. Por isso também, a equipe acredita que, confirmados os efeitos em novas etapas da pesquisa, o tratamento com o composto derivado da tradicional erva chinesa poderá ser usado para tratar uma variedade de doenças do osso e da cartilagem, como artrite e certos tipos de câncer.
Preocupação mundial

Especialistas alertam que a osteoporose tem potencial para virar um grande problema de saúde mundial. A Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) estima que, globalmente, ocorra uma fratura osteoporótica a cada três segundos. A partir dos 50 anos de idade, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens sofrerão esse tipo de fratura até o fim da vida. E a tendência é de a complicação se agravar, já que haverá recorrência da fratura em cerca de metade desses indivíduos.


Sobe, Lia, sobe.
João Alberto entrevista Larissa Lins
Como se preparar para as provas do SSA 3 da UPE
Pelé abre o jogo e fala sobre racismo, mil gols e sucessor
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco